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Um blog de cartoons sobre as notícias da actualidade. Um sector informativo do Grupo Galeriacores.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Miguel Sousa Tavares defende Maitê Proença

Brazilian actress criticises Portugal
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A indignação corre na Internet em forma de abaixo-assinado. Milhares de portugueses insurgiram-se contra um vídeo que a actriz brasileira Maitê Proença realizou para o programa Saia Justa do GNT, onde ridiculariza Portugal.

O escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares, a quem se atribuiu um romance com a actriz, já saiu em sua defesa, segundo avançou o jornal Correio da Manhã.

“Isto é uma reacção provinciana e saloia dos portugueses. Somos um povo sem capacidade de humor e autocrítica. Há algum português que vá ao Brasil e não goze?”, questiona o escritor.

“Só um povo com complexos é que se sente melindrado com uma coisa destas. Não temos de estar sempre a ser elogiados como se fossemos um povo exemplar”, acrescentou Sousa Tavares ao Correio da Manhã.

Há um mês Maitê Proença já tinha pedido desculpas através do seu blogue. E agora gravou um vídeo que publicou no YouTube.




Fonte: DN

Maitê Proença diz que foi uma brincadeira

A actriz Maitê Proença gravou um vídeo no qual pede desculpa aos portugueses e diz que tudo não passou de uma brincadeira, já que, segundo ela, no Brasil, brinca-se com tudo.

“Brinco com minha filha do mesmo modo com que brinco com a foto oficial do presidente da República. Não foi nada ofensivo até porque não houve intenção de ofender”, afirmou.


O canal por cabo GNT, que transmite o programa “Saia Justa”, também distribuiu um comunicando eximindo-se de culpa. A direcção deste canal da TV Globo, no Brasil, afirma que não houve qualquer intenção de ofender os portugueses e Portugal ao exibir o vídeo no “Saia Justa”, em Março de 2007.


No texto, o canal diz ainda que sempre primou por um tratamento respeitoso dos portugueses e lembra que, durante quase dez anos, o GNT Portugal exibiu uma programação pautada pela valorização da cultura lusitana promovendo uma forte interacção entre os dois países. O comunicado do GNT afirma que o programa “Marília Gabriela Entrevista” já gravou programas especiais com ilustres personalidades, em Lisboa, e os comentadores do “Manhattan Connection” fazem questão de inserir opiniões e comentários dos assinantes portugueses na mesa de discussão.


O GNT lamenta a repercussão negativa da rubrica “Saia de Vídeo” e pede desculpas aos cidadãos que se sentiram atingidos.

Fonte: JN

Hitler Reage à reportagem de Maitê Proença em Portugal

....SO VISTO!



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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


O ateísmo descarado de José Saramago

Jose Saramago's atheistic boldness in his new novel
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Narrativa bíblica de Caim e Abel é o ponto de partida para José Saramago fazer de Deus o protagonista do romance, lançado em Outubro

Quando há uns meses o escritor e prémio Nobel da literatura José Saramago falou ao DN sobre o livro que estava a escrever, já tinha afirmado que o título seria composto de uma única palavra. Ontem ficámos a conhecê-la: Caim, um nome povoado de ressonâncias bíblicas, históricas e filosóficas.

Porém, o novo livro de Saramago, a ser lançado em Outubro na Feira do Livro de Frankfurt, "não é um tratado de teologia nem um ensaio, é uma ficção" escreve Pilar Del Rio no blogue do escritor. Saramago retoma a história bíblica do assas- sínio de Abel pelo seu irmão Caim, mas, no romance é atribuída a Deus a autoria moral do crime e uma consequente redenção de Caim. Nesta obra, o escritor volta mostrar um Deus arbitrário, incoerente e tirano, que embora tenha sido criado pelo homem é causador de muitos dos seus males.

"Deus, o demónio, o bem, o mal, tudo isso está na nossa cabeça, não no céu ou no inferno, que também inventámos. Não nos damos conta que, ao termos inventado Deus, nos tornámos imediatamente escravos dele", diz Saramago ao jornal espanhol La Vanguardia. E prossegue afirmando que este livro "não é um ajuste de contas com Deus, mas um ajuste de contas definitivo com os homens que o inventaram".

A presença de referências bíblicas ou de críticas mais ou menos abertas à religião católica e à Igreja são um dos traços que caracterizam a obra de Saramago. No entanto, neste novo livro, o escritor aborda o tema recorrendo a um tom mais irónico, ao contrário do que fez, por exemplo, na obra O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o que lhe valeu em 1991 ter sido vetado pelo Governo de então para concorrer ao prémio Europeu de Literatura. Este veto culminou com a saída do escritor de Portugal e a sua posterior fixação na ilha espanhola de Lanzarote.

Agora, Saramago já não teme voltar a ser crucificado, "alguns talvez o façam, mas o espectáculo já será menos interessante", declara ao mesmo jornal.

O livro foi escrito entre Dezembro de 2008 e Abril de 2009 "numa espécie de transe, como nun-ca me tinha acontecido", conta ainda o escritor, que prossegue dizendo que a personagem de Caim era uma daquelas que habitavam há muitos anos o seu ima-ginário. O início deste romance coincidiu com a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, situação que poderá não ser totalmente alheia ao regresso do escritor a esta temática, ou à escolha para cenário de um local onde a vivência da re- ligião tem alimentado tantos e tão longos conflitos. Uma "irresumível história sobre a justiça e a injustiça", foi assim que Zeferino Coelho, o editor de Saramago descreveu ao DN o livro de 200 pá- ginas, que no final de Outubro estará à venda nas livrarias de Portugal e Espanha. "Escrever é a melhor maneira de permanecer vivo", declarou ao El Pais, o prémio Nobel português.



Fonte: DN Artes

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


200 anos de Edgar Allan Poe

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Esta semana, os Estados Unidos comemoraram os 200 anos de nascimento de um dos seus maiores escritores: Edgar Allan Poe, o pai das histórias de terror e suspense, e cuja influência pode até hoje ser detectada no cinema e na literatura daquele País.
Poe utilizava notícias de jornais e factos da vida real para iniciar suas histórias sobrenaturais, que quase sempre tinham um desfecho além do compreensível pela razão humana.

Se morasse aqui na região, na mesma época, o genial escritor não ficaria sem matéria-prima. Desde o século 19 dezenas de histórias de terror, suspense e sobrenatural rondam nossas áreas rurais e até bairros da área urbana, passando de geração em geração e ainda hoje causando calafrios em moradores mais "sensíveis". "Quando as crianças descem aqui, elas já entram com medo, falando muito e contando histórias ouvidas pelos pais. Elas até demoram para se acalmar", narrou Mônica Rehn, administradora do Casarão do Salto Grande, onde hoje funciona o principal Museu de Americana.

Como o município nasceu ali, também são daquela região as primeiras histórias de terror que entraram para o folclore local. "A mais antiga que conseguimos pesquisar fala de um rapaz que virava lobisomem em noite de lua cheia. Ele vivia perto do Casarão e até hoje tem gente que conta essa história aqui na região do (bairro) Antonio Zanaga", destacou Sonia Regina Teixeira, monitora do projecto histórico Raízes, que trabalha aspectos da cultura e do turismo norte-americano.

Alguns desses mitos mais conhecidos estão relacionados ao Casarão Hermann Muller, onde hoje funciona a Casa de Cultura. "A maioria das lendas nasceram no período em que o local ficou fechado, o que realmente dava um clima de filme de terror", concordou Clélia Brusch, administradora do local, que há dois anos até aproveitou essas lendas para uma exposição sobre folclore.

A iniciativa foi um sucesso, mas teve seus efeitos colaterais. "A abertura era com uma peça teatral, focando as lendas expostas. Como as mesmas eram da região as crianças sentiam mais medo que o normal e até mesmo os pais sentiam uma sensação diferente. Era o que eles mesmos diziam", entrega Clélia.





Fonte da notícia: O Liberal

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Vida e obra de José Saramago

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A história da vida e da obra de José Saramago, o "escritor tardio" que deu o único Nobel da literatura a Portugal, vai ser contada num documentário a ser emitido esta quarta-feira em horário nobre na RTP1.


O documentário "procura ser um retrato da vida e da obra de José Saramago, contado de um modo que não é o da convencional biografia.

Começamos pelo momento da grande viragem, quando ele escreve `Levantado do Chão` [no final da década de 1970] e encontra a sua maneira de escrita", explicou à Lusa o autor e jornalista Alberto Serra.


No trabalho do jornalista da RTP, estão os "pontos cardeais" da vida do escritor, desde Azinhaga do Ribatejo, onde José Saramago nasceu, até Lavre, onde escreveu "Levantado do Chão" e começou a caminhada para o Nobel, além de Lisboa e Lanzarote, onde vive actualmente.


Testemunhos e depoimentos de quem o conheceu na infância e de quem o conhece agora fazem parte do documentário.


A companheira Pilar del Rio, a filha Violante, o "colega" Gabriel Garcia Marquez, o ensaísta Eduardo Lourenço, o professor e linguista Carlos Reis e o crítico literário norte-americano Harold Bloom são alguns dos que falam do homem e do escritor.


As reconstituições e criações de atmosferas permitem ao grande público entrar na obra do Nobel, "sem que tenha de fazer um esforço enorme de perceber as leituras".


Marionetas, um coro tradicional alentejano e leituras ilustradas com imagens cinematográficas foram os recursos escolhidos por Alberto Serra e Pedro Silveira Ramos, "autor da linha gráfica e imagens".


"Há um momento feito em teatro de marionetas, para recriar `As Intermitências da Morte`, que conta com um personagem adicional, que é o próprio Saramago, a assistir à representação", ilustrou a título de exemplo Alberto Serra.


"Em `Todos os Nomes` [título de uma das obras de Saramago] procurámos recriar o ambiente da conservatória onde o José [personagem central] anda à procura dos registos de nascimento de uma mulher que veio a descobrir mais tarde que desapareceu.


As imagens são complementadas com a leitura de excertos do livro feita pelo actor João Reis", explicou ainda.


No documentário há uma preocupação em "humanizar", aproximar a "figura" do público em geral.


"Como ele próprio diz, as pessoas têm ideia que ele é distante, duro, arrogante, e há momentos neste documentário em que essa ideia é desmontada pelo próprio Saramago", disse Alberto Serra.


Quarta-feira às 21:00, logo após o "Telejornal", os telespectadores podem aproveitar para "conhecer melhor Saramago e aperceberem-se da riqueza e profunda humanidade que a sua obra mostra", adianta.


O documentário vai para o ar no chamado "horário nobre", exactamente 10 anos depois de o prémio Nobel da Literatura ter sido atribuído a José Saramago.


A escolha do horário é vista pelo autor como "uma das obrigações do serviço público de televisão".


Fonte da notícia: RTP

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Morreu António Alçada Baptista

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O escritor e jornalista António Alçada Baptista morreu esta tarde, em Lisboa, aos 81 anos. O "escritor de afectos", "com uma sensibilidade feminina", como um dia disse de si próprio, deixa uma vasta obra na área da ficção e ensaio e uma imagem de defensor da liberdade e dos direitos do homem, como frisaram hoje a escritora Inês Pedrosa ou o deputado socialista Manuel Alegre.

Nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Alçada Baptista, que apenas exerceu advocacia entre 1950 e 1957, tem uma vasta obra literária publicada. Esteve também ligado ao jornalismo e à edição. Foi ainda cronista.

Admitindo ter “uma sensibilidade feminina”, Alçada Baptista enquadrava-se, segundo o próprio, entre os raros escritores que não tinham “vergonha dos afectos”: "A minha obra escrita vende-se muito por uma razão simples, porque eu sou talvez o primeiro escritor que não teve vergonha dos afectos", disse um dia o escritor sobre a sua obra - ao todo 14 títulos - que percorreu o ensaio, crónica, novela e o romance.

"A Pesca à Linha - Algumas Memórias", obra assumidamente de memórias e recordações, revelou o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita de Alçada Baptista, enquanto em "Um Olhar à Nossa Volta" deixou o testemunho de uma vivência colectiva registada na década de 70 e 80 marcada por inquietações político-sociais.

Mas foi com "Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" (1971) e "Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança" (1982) que obteve a unanimidade da crítica e do público. Tem uma escrita influenciada pelo cristianismo e por pensadores como Emmanuel Mounier e Teillard de Chardin.

Da sua obra constam ainda "Documentos Políticos" (crónicas e ensaios, 1970), "O Tempo das Palavras" (1973), "Conversas com Marcello Caetano" (1973), "Os Nós e os Laços" (romance, 1985), "Catarina ou o Sabor da Maçã" (novela, 1988), "Tia Suzana, meu Amor" (romance, 1989) e "O Riso de Deus" (romance, 1994).

Em 1961 e 1969 foi candidato pela Oposição Democrática nas eleições para a Assembleia Nacional e, de 1971 a 1974, foi assessor para a Cultura do então ministro da Educação Nacional, Veiga Simão. Funcionário da Secretaria de Estado da Cultura desde 1978, presidiu aos trabalhos da criação do Instituto Português do Livro, a que presidiu até 1986.

Foi ainda um dos fundadores da revista “O tempo e o Modo”, que marcou gerações. Era ainda editor da Moraes Editora.

O escritor foi condecorado com a Ordem de Santiago, com a Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo pelo Presidente Ramalho Eanes, em 1983 e com a Grã Cruz da Ordem do Infante pelo Presidente Mário Soares, de quem foi colaborador, em 1995.

Sócio da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa, e da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, foi também presidente da Comissão de Avaliação do Mérito Cultural e administrador da Fundação Oriente.

Esquecer o autor, lembrar a pessoa

Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, lembrou, em declarações à TSF, o “homem de causas”: “Foi um homem de causas, dos direitos do homem e da democracia. Mas temo que seja esquecido enquanto escritor para ser lembrado enquanto pessoa”.

Uma figura marcante da cultura portuguesa

O deputado e poeta Manuel Alegre lamentou também a morte do escritor e amigo António Alçada Baptista, de 81 anos, e descreveu-o como uma "figura marcante da cultura portuguesa". Em declarações à Agência Lusa, Manuel Alegre sublinhou ainda o papel político do ensaísta e romancista nascido na Covilhã, em 1927, "na luta pela democracia em Portugal".

"Era uma figura multifacetada, com uma cultura vastíssima, e um homem muito afectuoso nas suas relações, com os amigos e a família", recordou o poeta. Lembrou ainda "o papel importante" no estreitamento das relações de Portugal com o Brasil, e com os países africanos de língua oficial portuguesa.

Conversador e terno

O jornalista Baptista Bastos recordou Lusa que "conversar com Alçada Baptista era como assistir a um festival de memórias", a propósito da morte do escritor, hoje aos 81 anos.

"Era uma pessoa muito conversadora e terna. Talvez dos poucos escritores portugueses que não tinham inimigos, tal era a sua generosidade", referiu o jornalista.

Baptista Bastos lamentou que a obra de António Alçada Baptista fosse "um pouco esquecida" e apontou o livro "Peregrinação Interior I - Reflexões Sobre Deus" como sendo um dos livros mais importantes dos últimos 50 anos.

"É uma dramática interrogação do que é ser católico que devia ser lido e relido mais do que uma vez", afirmou.

O jornalista recordou ainda uma viagem que fez ao Brasil com Alçada Baptista juntamente com outros escritores e lembrou o amigo como "um excelente contador de histórias" de quem vai ter "muitas saudades".

Um estilo que marcou a diferença

A escritora Lídia Jorge destacou hoje o estilo de escrita de António Alçada Baptista, porque marcou a diferença pelo "imaginário intimista numa época em que predominava o imaginário social".

Em declarações à Agência Lusa sobre o desaparecimento do escritor de 81 anos, Lídia Jorge salientou que este imaginário diferente, sobre a relação entre as pessoas, "levou alguns a compará-lo a Virgílio Ferreira".

"Tocou-me, por exemplo, porque expunha uma espécie de lado metafísico que não era também comum na altura, e que era muito importante", salientou, comentando que Alçada Baptista "não o fazia com exuberância, mas com recato e delicadeza".

Recordou o impacto que tiveram as obras "Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus" (1971), e "Peregrinação Interior II - O Anjo da Esperança" (1982), sobretudo este último, "único dentro do género".

"A voz dele prolongou-se em romances como 'Os Nós e o Laços'" (1985), acrescentou a romancista, que o conheceu já como presidente do Instituto Português do Livro, nos anos 80 do século passado.

Era "um homem dos livros, defensor dos livros, agregador e embaixador dos escritores, o que foi muito importante na altura, e ainda hoje faz falta", sublinhou ainda a autora.

O corpo vai ser velado na Igreja das Mercês, em Lisboa, sendo amanhã levado para o Cemitério dos Prazeres.

Fonte da notícia: Público.pt

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Ibéria: Portugal e Espanha num só país

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O escritor Arturo Pérez-Reverte defendeu a existência de uma Ibéria, um país único, sem fronteiras que separem Espanha e Portugal, porque é «um absurdo» que os dois países vivam «tão desconhecidos um do outro».


«Há uma Ibéria indiscutível que está entre os Pirinéus e Gibraltar, com comida, raça, costumes, história em comum e as fronteiras são completamente artificiais», disse o escritor espanhol à agência Lusa, de passagem por Portugal a propósito do lançamento do romance «Um dia de cólera».


Para Pérez-Reverte, essa Ibéria não existe administrativamente, mas «qualquer espanhol que vem a Portugal sente-se em casa e qualquer português que vá a Espanha sente o mesmo».


«Houve dificuldades históricas que nos separaram, mas a Ibéria existe. Náo é um mito de Saramago, nem dos historiadores romanos. É uma realidade incontestável que precisa de um empurrão social e não político para concretizar o projecto», disse.


Ainda assim, disse que «é um absurdo que Portugal e Espanha vivam sempre tão separados, tão desconhecidos um do outro», já que deviam olhar para a Europa como ibéricos, porque o mundo de hoje «é um lugar de grandes mudanças sociais».


«Esse Ocidente pacífico, sereno, poderoso, com uma certa coerência cultural e social do século XX não poderá continuar. O Ocidente como o entendemos está na sua etapa final», disse.


Arturo Pérez-Reverte, 57 anos, é um dos escritores mais populares das letras espanholas da actualidade, com obra traduzida em quase 30 idiomas. Antigo repórter de guerra, dedica-se em exclusivo à escrita desde finais dos anos 1980, tendo editado romances como «O cemitério dos barcos sem nome», «Território Comanche», «O hussardo», «O pintor de batalhas» e os seis romances da série de aventuras «Capitão Alatriste».


Fonte da notícia: IOL Diário

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Morreu o autor de Parque Jurássico

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O escritor norte-americano Michael Crichton, autor de mais de uma dezena de «best-sellers», entre os quais «Parque Jurássico», «Congo» e «O mundo perdido», faleceu aos 66 anos em Los Angeles, informou a sua família.

Crichton, que venceu mais de 150 milhões de exemplares das suas obras, sofria de cancro, relata a agência Lusa.

«O mundo conhecia-o como um grande contador de histórias que desafiou as nossas noções preconcebidas sobre o mundo que nos rodeia - e entreteve-nos enquanto o fazia», lê-se num comunicado distribuído pela família, enquanto na página web do autor diz-se que «morreu de forma imprevista», depois de uma «batalha privada e corajosa contra o cancro».

Nascido em Chicago, Illinois, Crichton era filho de um jornalista que o incentivou a escrever. Os seus primeiros livros apareceram assinados com pseudónimo: Jeffery Hudson. Estudou Medicina na Harvard Medical School e nos primeiros anos da década de 70 partiu para a Califórnia, aí começando a dirigir filmes baseados nos seus livros.

As obras de Crichton estão traduzidas em 30 línguas e várias delas foram transpostas para o cinema. «Parque Jurássico», uma trilogia - com realização de Steven Spielberg os dois primeiros filmes e de Joe Johnson o terceiro -, foi talvez a obra cinematográfica inspirada no livro homónimo do escritor que mais dinheiro fez entrar nas bilheteiras. Crichton estendeu também a sua criatividade à televisão na série «Serviço de urgência», que tem sido também um êxito à escala mundial.


Fonte da notícia: IOL Diário

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sábado, 25 de outubro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


José Rodrigues dos Santos, o fenómeno português

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Entrevista por e-mail ao jornalista e escritor bestseller português, que lança agora o seu sexto romance - «A Vida Num Sopro». Um livro esgotado num único dia. José Rodrigues dos Santos explica a razão de tanto sucesso.

Em menos de nada, 50 mil exemplares de A Vida Num Sopro desapareceram. O último romance do jornalista José Rodrigues dos Santos foi posto à venda na quinta-feira, dia 23, e no dia seguinte já estava nas bancas a 2ª edição - outros 60 mil exemplares.

Rodrigues dos Santos é um fenómeno de vendas em Portugal. Está traduzido em treze países, da Tailândia aos Estados Unidos. Os seis romances que assina atingiram o meio milhão de livros vendidos em Portugal. Há ainda a acrescentar o facto de, no caso de O Codex 632, os direitos cinematográficos terem sido vendidos para os EUA. E, a nível nacional, o realizador Leonel Vieira tem os direitos de adaptação ao grande ecrã de A Ilha das Trevas.

A Vida Num Sopro, que tem o carimbo da Gradiva, é um livro cuja acção se passa nos anos 30, num Portugal transmontano afectado pelo arranque do Estado Novo. A acção deste livro centra-se no amor de Luís e Amélia, posto à prova pela tensão das relações familiares, numa morte inesperada e na guerra espanhola que se vive do lado de lá da fronteira.

PortugalDiário - A Vida Num Sopro é um romance que tem a guerra e a ditadura como pano de fundo? O que o motivou a escrever mais um livro com esta temática - a guerra? José Rodrigues dos Santos - Bem, este não é um livro sobre guerra, é um livro sobre a ascensão do Estado Novo. Através do enredo desfiado por uma história de amor, viajamos até ao período histórico que corresponde à afirmação de Salazar. A Guerra Civil de Espanha constitui um importantíssimo episódio desse período, mas é apenas um dos elementos do romance.

PD - Este livro baseia-se muito nas histórias que a sua avó Amélia lhe contou. Há aqui um retrato biográfico sobre a sua família? J.R.S - Sim, sem dúvida que a história da minha família inspirou a narrativa ficcional. Amélia e Luís, os dois principais personagens do romance, eram na verdade os meus avós maternos. Usei muitos elementos verídicos da sua vida, mas misturei-os com muita ficção.

PD - Neste livro, qual é a sua personagem preferida, e porquê? J.R.S - Não há uma personagem favorita. As minhas personagens em A vida num sopro reflectem os tempos que se viviam.

PD - Este livro utiliza uma série de palavras com um uso muito local. São expressões que conhecia ou que aprendeu/pesquisou? J.R.S - Está a falar dos regionalismos de Trás-os-Montes, presumo. Uma parte já conhecia de ouvir da minha avó Amélia. Expressões como «não me arrelies», «levas uma trepa», «bota aí», «ra`is t`a parta o diabo» e outras eram usadas por ela. Mas outras foram pesquisadas.

PD - Relê os seus livros depois de publicados? J.R.S - Pontualmente algumas coisas. Mas o facto é que os tenho a todos gravados na minha mente.

PD - Este livro é já um bestseller e, ainda antes da sua apresentação, já vai na segunda edição. Como é que explica o sucesso editorial dos seus livros? J.R.S - Essa pergunta deveria ser dirigida aos leitores, claro, mas parece-me que há três factores determinantes. Primeiro, a escrita. Procuro escrever de uma forma límpida e fluida, sem aqueles burilados estilísticos que irritam tanta gente. Depois, a história. Invisto muito na narrativa, há muita acção, há sempre coisas a acontecer, surpresas, reviravoltas, penso que tudo isso os leitores também apreciam. Finalmente, a mistura de ficção com não ficção. Procuro que os meus romances não se limitem a contar uma história, mas a acrescentar algo de novo ao conhecimento dos leitores. Em vez de um simples passatempo, tento que os meus romances sejam sobretudo um ganhatempo. Através de uma história de ficção, os leitores ficam a conhecer os Descobrimentos, como aconteceu em O Codex 632, ou o problema do fim do petróleo, como é o caso de O Sétimo Selo, ou a ascensão do Estado Novo, como se verifica em A vida num sopro.

Fonte da notícia: IOL Diário

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

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Morreu o escritor açoriano Dias de Melo

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O escritor açoriano Dias de Melo, com cerca de 50 anos de vida literária, morreu aos 83 anos, no hospital de Ponta Delgada, confirmou à agência Lusa a sua filha.


Edna Dias de Melo adiantou que o pai faleceu cerca das 11:30 locais (12:30 de Lisboa), no Hospital de Ponta Delgada, depois de ter sido internado há cerca de uma semana.


«O estado de saúde dele (Dias de Melo) estava a deteriorar-se cada vez mais», disse a Edna Dias de Melo, sem avançar qual o motivo da morte.


José Dias de Melo nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 08 de Abril de 1925, e, além da carreira de professor primário, foi colaborador assíduo da imprensa regional e nacional e um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração.


No anos 50 do século passado, inicia o seu percurso literário, com um livro de poesia intitulado «Toadas do Mar e da Terra», a que se seguiram outros, com destaque para o seu best-seller «Pedras Negras», que foi publicado, pela primeira vez, em 1964.


Em reconhecimento do contributo do escritor para o panorama literário português, o Presidente da República, Mário Soares, condecorou-o com a Ordem do Infante, e também foi homenageado pelas Lajes do Pico com o título de Cidadão Honorário do concelho.


Recentemente, o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, presidiu a uma sessão pública de homenagem a Dias de Melo, que incluiu o lançamento de uma nova edição da triologia das obras do autor - «Pedras Negras», «Mar Rubro» e «Mar Pla Proa».

Fonte da notícia: IOL Diário

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


José Saramago lança blog na internet

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Nobel português quer uma nova forma de comunicar com os leitores

José Saramago inaugurou, na última segunda-feira, um «espaço pessoal» na «página infinita da internet». O escritor pretende estabelecer uma nova forma de comunicação com os leitores através do seu blog que está alojado na página da fundação com o seu nome , noticia o El País.

O escritor português, de 85 anos, vai usar o espaço, que se chama «O caderno de Saramago», para comentar acontecimentos, expressar opiniões, refletir e «definitivamente, comportar-se como mais um dos autores de blogs que habitam o ciberespaço», anunciou a fundação do Nobel português.

«A característica especial é que a se junta a esta forma de expressão um homem maduro, escritor e Premio Nobel da Literatura», destacou a fundação. Na sua primeira publicação online, Saramago explica como nasceram «Os cadernos de Lazarote».

Saramago também recuperou um texto sobre Lisboa que é «uma carta de amor» à sua cidade. «Mexendo nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade, encontrei um artigo sobre Lisboa escrito há uns quantos anos, e, não me envergonho de confessá-lo, emocionei-me», confessa o escritor.

«Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog», declarou Saramago antes de apresentar «Palavras para uma cidade».

Fonte da notícia: IOL Diário

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domingo, 27 de julho de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


João Ubaldo Ribeiro recebe Prémio Camões

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O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, que foi este sábado distinguido com o Prémio Camões 2008, disse à Lusa que é «uma honra» receber o galardão e admitiu que se considerava na lista dos que o podiam ganhar, noticia a Lusa.

«É uma honraria. Recebi muito bem», afirmou à Lusa, logo após ter ficado a saber que foi distinguido com o mais importante galardão literário atribuído a autores de língua portuguesa.
Questionado sobre se o prémio foi uma surpresa, João Ubaldo não se fez de modesto e disse que estava «no time dos que poderiam ganhar» o galardão.

«A surpresa foi porque hoje é sábado e eu não fazia ideia de que hoje seria divulgado o vencedor do Prémio Camões. Eu sabia, entretanto, que mais cedo ou mais tarde eu ganharia o Prémio», assinalou João Ubaldo Ribeiro, admitindo ter consciência do seu valor.

O escritor baiano, nascido na Ilha de Itaparica, a 23 de Janeiro de 1941, João Ubaldo lembrou que tem uma «obra feita, traduzida e consagrada, objecto de teses de mestrado e doutoramento em países estrangeiros».

É de sua autoria, entre vários outros livros, «Setembro não faz sentido», o seu primeiro romance (1963), «Política», «Viva o Povo Brasileiro», que percorre quatro séculos da história brasileira, «Sargento Getúlio», «O Sorriso do Lagarto», «Um brasileiro em Berlim» e «A Casa dos Budas Ditosos».

Este último foi um grande sucesso editorial, mas o seu lançamento em Portugal causou polémica pelo facto de dois estabelecimentos terem proibido a venda do romance, que tem um extenso conteúdo erótico.

O seu livro «Viva o Povo Brasileiro» foi indicado para o exame de Agrégation, um concurso nacional realizado na França para os detentores de diploma de graduação.

João Ubaldo Ribeiro não manifestou preferência por nenhum de seus livros.
«É como se fossem filhos. Gosto de todos», afirmou à Lusa.

Fonte da notícia: IOL Diário

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domingo, 29 de junho de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Miguel Sousa Tavares não gosta da bandeira portuguesa

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Em entrevista ao Diário de Notícias o jornalista e escritor, Miguel Sousa Tavares, confessou que não gosta das actuais cores da bandeira portuguesa e que esta poderia ser mais azul e branca como antigamente. «Temos a bandeira mais feia do mundo», salientou.

Para além da bandeira o escritor também não gosta do hino e quanto à selecção nacional na sua opinião «o principal já mudou». Um confesso adepto das transgressões gosta de conduzir e comer uma salada de caracóis acompanhada por uma imperial.

Tem pesadelos com o facto de voltar à faculdade para ter de fazer uma cadeira e acreditaria no paraíso se lhe garantissem que lá havia «anjinhas massagistas». Concorda com Chico Buarque quando diz que «devagar é que não se vai longe».

Fonte da notícia: IOL Diário
Nota Pessoal:
Julgo que esta declaração, a meu ver um tanto quanto antipatriótica do escritor Miguel Sousa Tavares sobre a bandeira portuguesa, caso tivesse sido proferida sobre outra bandeira qualquer de muitos outros países não democráticos por esse mundo fora, seria razão mais que suficiente para o queimarem vivo.

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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


William Shakespeare cartoon

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E maldito (seja) o que incomodar os meus restos mortais”. Sem qualquer laivo de romantismo, Shakespeare deixou escrito no seu túmulo uma última mensagem a quem o incomodasse no seu sono eterno. Afinal, também os grandes homens da literatura e do teatro têm medo de morrer. Ou seria apenas mais uma partida do génio?
O túmulo de William Shakespeare em Stratford-upon-Avon, em Warwickshire,Inglaterra, vai ser objecto de trabalhos de restauro que terão de ser muito cuidadosos, a fim de evitar a maldição lançada pelo dramaturgo a todo aquele que tentar deslocar os seus restos mortais.
A cripta do poeta inglês (1564- 1616), situada na igreja Holy Trinity de Stratford-upon-Avon, está bastante degradada, tendo por isso de ser renovada no quadro de trabalhos de restauração da igreja.Porém,o túmulo tem uma particularidade: na pedra tumular o poeta redigiu alguns versos inscritos, palavras de tom de profecia ou de ameaça:
“Livra-te, meu caro amigo,por amor de Jesus,De remexer na poeira encerrada aqui,Bendito seja o que evitar estas pedras,E Maldito o que incomodar os meus ossos”, previne ShakespearePara contornar a maldição, o túmulo não será deslocado durante os trabalhos, explicou Josephine Walker, porta-voz da Associação Amigos da Igreja de Shakespeare.
“ Não vamos incomodar o túmulo, não iremos lá em baixo, por isso não nos vamos preocupar com essa maldição”- assegurou.
A cidade de Stratford-upon-Avon atrai turistas de todo o mundo para conhecerem os principais lugares que marcaram a vida do grande dramaturgo, desde a casa onde vivia ao seu túmulo, passando pela casa da sua esposa Anne Hathaway ou a companhia real de Shakespeare.Os Amigos da Igreja de Shakespeare tentaram recolher 4 milhões de libras ( cinco milhões de euros) para renovar a Holy Trinity Church, um dos lugares incontornáveis na peregrinação shakespeariana.
Ironia ou devoção?
A vida de William Shakespeare,conhecido por obras como “Romeu e Julieta” e “Hamlet”, sempre esteve envolta em muitos mistérios. Desde o facto de haver a suspeição de que as suas obras não foram escritas por ele mas apenas assinadas, a sua orientação sexual , à identidade de “Mr W. H.” , a quem o poeta dedicava os seus versos , são algumas dos factos que ficaram por apurar.
Contudo, uma das maiores incertezas relacionadas com a vida do dramaturgo prende-se com a sua convicção religiosa. Existe o boato de que Shakespeare se teria convertido ao catolicismo mesmo antes de morrer, o que ajudaria a explicar o carácter "temeroso" das frases deixadas pelo poeta. No entanto, Shakespeare, além dos seus versos românticos, ficou igualmente conhecido pelas suas comédias e tragicomédias, o que poderia tê-lo levado a querer inscrever aquelas frases proféticas no seu túmulo.

Fonte da notícia: Público.pt

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terça-feira, 27 de maio de 2008

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Novo livro de Manuel Alegre "Escrito no Mar"

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Cerca de 200 pessoas participaram segunda-feira à noite, em Angra do Heroísmo, no lançamento da obra Escrito no Mar – Livro dos Açores, de Manuel Alegre.

Numa iniciativa da Presidência do Governo dos Açores, o evento decorreu no jardim do Palácio dos Capitães-Generais, com a presença do presidente do Governo, Carlos César, e de outras entidades.

O director regional da Cultura, Vasco Pereira da Costa, apresentou a obra e Manuel Alegre explicou, antes de ambos lerem alguns poemas do livro, o seu fascínio pelos Açores e as circunstâncias em que pela primeira vez veio para o arquipélago, antes do 25 de Abril, por castigo militar devido a actividades consideradas, então, subversivas.

Os poemas de Escrito no Mar são apresentados em Português, com tradução para Inglês, e o livro, em formato de álbum, conta com fotografias de Jorge Barros.

Fonte da notícia: GaCS Público

Nota Pessoal:
É mais um livro de Manuel Alegre que vou ter o grande prazer de ler com poesias dos nossos Açores.

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sábado, 19 de abril de 2008

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A viagem do elefante de José Saramago

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O novo romance de José Saramago, «A Viagem do Elefante», deverá sair no Outono, anunciou o escritor numa entrevista publicada este sábado no semanário Sol.
«O livro não está muito adiantado, está a metade. Espero acabá-lo este Verão e que se possa publicar no Outono. É um livro muito difícil, mas que me tem dado muita satisfação», disse o Nobel da Literatura de 1998.
Saramago não adianta, contudo, pormenores acerca do seu novo romance: «Pôr um elefante a viajar não é uma invenção minha. É um facto histórico. Agora, se perguntarem que elefante é esse, lamento muito, mas não...».
O escritor, hospitalizado no final do ano passado em Espanha com uma pneumonia, estará na próxima quarta-feira em Lisboa para inaugurar a exposição «José Saramago: A Consistência dos Sonhos», no Palácio da Ajuda.
Falando sobre o seu processo criativo, José Saramago diz que é «um escritor atípico».
«Só escrevo porque tenho ideias. Sentar-me a pensar que tenho que inventar uma história para escrever um livro nunca me aconteceu e nunca me acontecerá», acrescentou.


«Continuarei a escrever como escrevo»


Quanto ao acordo ortográfico, que o Parlamento português deverá em breve ser chamado a ratificar, Saramago afirma que não mudará a sua maneira de escrever e duvida que ele seja necessário: «Continuarei a escrever como escrevo. Os editores e os revisores que façam o seu trabalho e que corrijam as palavras segundo a nova moda».


Questionado acerca das suas relações com o PCP, Saramago respondeu: «Não há afastamento nenhum. Continuo a ser exactamente a mesma pessoa, com o mesmo tipo de relação com um partido que aceitei livremente».


O escritor garante que «segue» a linha do partido, «mas de uma forma crítica» e que lhe parece «mais útil».


Num registo mais íntimo, o escritor define-se como «um sentimental» e «uma pessoa de afectos», rejeitando a «arrogância» que lhe é por vezes atribuída: «De arrogante não tenho nada».


José Saramago admite ser «austero», mas considera que «uma austeridade de carácter não é defeito, pelo contrário».

Fonte da notícia: IOL Diário Público.pt

Nota Pessoal:

Eu admiro muito a energia deste homem, sempre repleto de ideias interessantes para escrever os seus livros. Desta vez sobre a viagem do elefante. Mais uma obra literária deste nosso conterrâneo, Prémio Nobel da Literatura. O nosso bem haja ao José Saramago.

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quarta-feira, 19 de março de 2008

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Arthur C. Clarke morre aos 90 anos


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O famoso escritor de ficção científica e autor de «2001: Odisseia no Espaço» faleceu no Sri Lanka.

O escritor britânico Arthur C. Clarke morreu esta terça-feira no Sri Lanka, com 90 anos de idade. Clarke ficou famoso por «2001: Odisseia no Espaço», obra que passou ao cinema pela mão do realizador Stanley Kubrick em 1968.

A BBC recorda que Clarke foi considerado pioneiro na era electrónica e das tecnologias, com uma visão que «captou a imaginação popular».

Sir Arthur, nasceu em Somerset, e foi especialista em radares durante a II Grande Guerra, na força aérea britânica.

O britânico, que desde 1945 previa as comunicações por satélite, escreveu mais de 80 obras. Era o mais conhecido dos residentes estrangeiros no Sri Lanka, onde uma Academia tem mesmo o seu nome.

Fonte da notícia: Portugal Diário

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

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Vitorino Nemésio: o pai da açorianidade


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Faz hoje anos que morreu Vitorino Nemésio

Escritor faleceu a 20 de Fevereiro de 1978


O homem que dizia que “o silêncio é Pedra de Deus” deixou para a posteridade escritos inigualáveis que ultrapassaram fronteiras. Já passaram três décadas (20 de Fevereiro de 1978) após a morte de Vitorino Nemésio. Nascido em 1901, na Ilha Terceira, Vitorino Nemésio divulgou como ninguém a açorianidade. Era um terceirense assumido, com a música e a festa à flor da pele.

Mar, mar absoluto, sem clima de excessos de frio ou então de calor. Paisagens com um fascínio extra, e por enquanto, tranquilidade e repouso. Esta visão, podemos considerá-la lírica e poética, não exclui os pecados capitais do nosso tempo. Segundo afirma António Valdemar, “a distância, a fatalidade geográfica, a vida quotidiana de quem permanece no meio do Atlântico, já não têm a dimensão social e cultural que se fez sentir durante séculos”. Ali, naquele arquipélago, não existe ilha, e dentro daqueles terrenos banhados pelo azul marinho, não há cidade, vila ou freguesia que não tenham atractivos próprios. O “nosso vizinho” é o mar, uma espécie de longa auto-estrada. Todo o açoriano ama o mar. Ele e o seu ondular são uma espécie de confidente.

A Terceira em terceiro

A Ilha Terceira, descoberta depois de S. Miguel e Santa Maria, (nomes de índole cristã) e inicialmente chamada Ilha de Jesus Cristo, tomou o nome actual por ter sido a terceira a ser descoberta. Por volta de 1450 um flamengo, Jácome de Bruges, começou a povoar este pedaço de terra plantado no meio do Oceano Atlântico e sabe-se também que, devido à sua situação privilegiada, a Terceira era, então, ponto de escala das rotas portuguesas do referido oceano. Vasco da Gama, na sua viagem de regresso da Índia, mandou sepultar o seu irmão, Paulo da Gama, no Convento de S. Francisco.

No século seguinte, mais concretamente em 1534, a Angra foi a primeira localidade dos Açores a ser elevada a cidade, sendo mesmo escolhida pelo Papa Paulo III, para sede do Bispado. No final do XVI, durante o domínio dos Filipes em Portugal, a outrora chamada Ilha de Jesus Cristo foi um grande centro de resistência, apoiando a causa do Prior do Crato. Foi mesmo a última terra portuguesa a render-se à soberania espanhola.

Com a descoberta do Continente Americano, o seu papel estratégico intensificou-se. Das Índias vinham as especiarias e da América Latina vinham o Ouro e a Prata. A ilha era um autêntico porto de ajuda aos navegadores. No século XIX, na altura das lutas liberais, a Terceira teve um papel preponderante. Em 1829, uma tentativa de desembarque dos Absolutistas, na então Vila da Praia, foi frustada, razão porque esta recebeu o nome de Praia da Vitória.

Como afirma Francisco da Costa (in: A Alma dos Açores) “na Terceira, toda ela é frescura e recolhimento: delira de entusiasmo no inédito das touradas à corda, desprende-se a cantar os «olhos negros», recorda os tempos de outrora no aparato dos arruamentos, fica-se pensativa no topo do Monte Brasil, entra e sai na Sé envolta no seu manto e toda se enche de legendas históricas, de épocas que já passaram”. Sobre a casa Terceirense, Vitorino Nemésio diz no seu livro “Corsário das Ilhas”: “É difícil achar na Península Ibérica e mesmo em França, um tipo de habitat rural tão nobremente urbano, como o de certos pontos das Ilhas dos Açores e em especial da sub-região da Ilha Terceira chamada o Ramo Grande, em cuja planície cerealífera hoje irradiam as pistas colossais do aeródromo das Lajes”

O Vulcanismo determinou a constituição geológica e definiu, em certa medida, o temperamento e o carácter dos açorianos. Francisco Arruda Furtado, Luís Ribeiro e um grande escritor daquele arquipélago, Vitorino Nemésio, ao pronunciarem-se acerca do comportamento e da religiosidade dos açorianos, concluem que se fundamentam, essencialmente, na superstição e no medo, perante a iminência contínua dos sismos, das intempéries e de outras calamidades frequentes. Impera o temor que se traduz no uso da palavra “castigo” para explicar as contrariedades existentes na vida. “O conceito de divindade vingativa predomina sobre o de Deus misericordioso, caridade e amor” – afirmou Luís Ribeiro. “Mas antigamente era pior. Hoje, derivado à sensibilização da Igreja, os açorianos já olham mais para o lado misericordioso de Deus” – refere Herberto Dart. “Aprendemos” a viver com as calamidades e não “atribuir as culpas ao Pai Celeste”.

Praticar a caridade em nome do Divino

Leite de Vasconcelos, a propósito do sentimento religioso no arquipélago dos Açores, considerou as celebrações do Espírito Santo “uma festa nacional de todos os corações, de todas as classes e de todas as idades” (Mês de Sonho). E Vitorino Nemésio afirmou, no livro “Mau Tempo no Canal”, sobre as Festas do Espírito Santo, que a “Alma do ilhéu é cândida e tenaz; quer um Deus Vivo e alegre; chama-o à intimidade do seu pão e das suas ervas húmidas”. Nesta altura abatem-se as rezes para distribuição de carne. Depois, haverá “cozido e alcatra para amigos e compadres, nas panelas de arroba mexidas pela mestra da função”. É o povo quem promove e faz a festa, reunindo-se em Irmandades e cumprindo promessas. O objectivo da festa é praticar a caridade em nome do Divino.

Esta festa ultrapassa as águas do Atlântico. O “Culto do Espírito Santo” celebra-se onde existe uma comunidade de açorianos: tanto nas ilhas como nos locais de emigração. Como que numa revoada de Primavera e logo após a grande festa dos Cristãos, Páscoa, as diversas comunidades, agrupadas em Irmandades, começam a organizar os festejos que se prolongam pelos sete domingos seguintes até ao da Trindade. No fundo podemos dizer que é a festa da partilha. Esta partilha de riquezas e este relembrar de que em Deus todos são iguais tem também outra forma: a promessa, donde resulta um imperador e a função. Por qualquer razão que só a ele diz respeito, mas que não se eximirá de contar aos presentes, o imperador é a pessoa da freguesia que, em dificuldades, pediu auxílio à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Esta promessa tem uma característica diferente. Ao invés de ser de sacrifício é de alegria. Suponhamos que foi a solidão a razão da promessa, o “pagamento” será de alegria em grupo. Se por acaso foi um pedido derivado de uma dificuldade de qualquer ordem, a “paga” será uma festa de abundância que, com a sua simetria de sinal contrário, apague da memória dos homens os tormentos passados.

Festejos como estes e Irmandades como estas existiram na Europa Medieval. Se até meados do Século XIX ainda há recordações de festas em diversos pontos do País, o certo é que estas se esfumaram a ponto de hoje se pensar que são caracteristicamente açorianas. Não diria pura mentira. Os Açores souberam foi guardar o que os outros deixaram fugir.

Sílabas musicadas

Se fosse vivo, completaria este ano, a 19 de Dezembro, 107 anos. Seria mais de um século a divulgar a açorianidade. Esse homem, que o Pe. António Rego disse que “sempre me soube a açoreano do Grupo Central” chama-se Vitorino Nemésio. Este homem, nascido na localidade de Praia da Vitória, com as sílabas musicadas da Ilha Terceira “não se enrolava em dramas de romeiros ou promessas rastejantes de poetas de S. Miguel”. As neblinas de Antero de Quental passavam por “Mestre Nemésio” de forma mais leve e dramática. Ele tinha um sentido humorado e próximo de Deus “muito mais rico, filial e humano que os complexos poetas do grupo Oriental” – salienta o Pe. António Rego.

Nemésio não se confessava religioso “em qualquer esquina”, mas tinha uma apetência espiritual de Deus “que exprimia com a linguagem do povo, não da elite nem dos contorcionistas pescadores do sobrenatural”. Perguntava por Deus com o coração e não com a Filosofia do pensamento. Luís Machado de Abreu, professor na Universidade de Aveiro, afirma que o homem que ficou célebre pelo “Se Bem me Lembro...” era “a humanidade militante”. Na polifacetada personalidade de Vitorino Nemésio “toca-me o teatro de humanidade em que ele foi representando diferentes papéis, desse modo dando vida a personagens que, ao alargarem o leque do universo social, aprofundam a fascinante riqueza e complexidade que moram na condição humana”. Há nessa encenação a vontade de partir de um “lugar apertado, ponto fixo onde a alma se asfixia”, e de assim tentar redimir pela viagem “todas as estreitezas da Insularidade”.

D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo emérito de Aveiro e na altura reitor do Seminário de Coimbra, relembra um episódio com Vitorino Nemésio: “Na Quarta-Feira Santa de 1995 apareceu-me logo pela manhã e estivemos a conversar durante três horas”. Este diálogo de Nemésio com o reitor do Seminário pareceu uma eternidade, tal a profundidade da conversa. Sabe-se que a conversa entre os dois foi motivo de uma carta de Nemésio a Jacinto Prado Coelho, onde o açoriano descreve uma “Páscoa em Coimbra”. No documento afirma que “este ano pude arrumar a casa da alma”.

Nesta viagem existe igualmente o peso “do destino que nos dá as raízes que somos e donde, em definitivo, nenhuma evasão absoluta nos arrancará”. Foi Vitorino Nemésio quem cunhou, com todo o seu saber, o neologismo “açorianidade”, para explicar o modo de ser dos habitantes daquelas ilhas, a sua maneira de estar no mundo e de encarar a vida. Afirma ele: “a Açorianidade é o nosso modo de afirmação no mundo, a alma que sentimos, na forma de corpo que levamos... A vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas: antes se projecta num passado telúrico que os geólogos reduzirão a tempo, se quiserem... A Geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes”. Uma coisa não podemos negar, a sua extensa obra literária está cheia de reminiscências pessoais de ilhéu e de recordações da sua infância. D. António Braga, Bispo dos Açores, recorda “que a açorianidade era o seu evangelho”. Para Nemésio o pão do seu espírito, o sal da sua poesia, o suor da sua escrita derivavam da Praia da Vitória, de Angra do Heroísmo, da memória e reencontro com a ilha Terceira. Tudo o mais vinha por acréscimo. Ele estabeleceu, de forma inequívoca, a relação directa do homem com a sua circunstância física e psicológica. Até hoje, melhor que ninguém, o escritor caracterizou o peso telúrico e a carga ancestral do açoriano: “O mar é livre de se mover, não de mudar de sítio. O ilhéu morre de mobilidade numa situação perpétua”.

A propósito do V Centenário do povoamento dos Açores, Vitorino Nemésio recorda, traduzindo o basco Baroja, “o ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e câmbio”. Em todas as viagens que fazia, Nemésio transportava consigo uma ilha aos ombros, arrancada da vastidão do Atlântico, como um tesouro.

No regresso às raízes, Nemésio busca o “paraíso perdido”. É o regresso do “filho pródigo”. Ele está consciente de que não pode voltar ao que foi: “Ave que fui na Ilha, Não voltarei ao ninho: Perdi a asa e a anilha Pelo Caminho (In Anjo da Guarda). Mas não desiste da busca: “Minha vida é estrada”. E seja a hora de morrer regresso Só à infância sonhada. Menino é em Deus o homem: ofereço o ardor da vida ao fim da caminhada” (In Canto de Véspera).

Perante a estrada da vida, Vitorino Nemésio deixou-nos testemunhos concretos dos odores açorianos: o romance “Mau Tempo no Canal” (1944) e os livros de poemas “O Bicho Harmonioso” (1938); “Eu Comovido a Oeste” (1940); “Festa Redonda” (1950) e “Sapateia Açoriana” (1976).

A Ilha não esqueceu o seu filho. Junto à Casa das Tias, foi inaugurado no dia 17 de Dezembro de 1994, um busto de Vitorino Nemésio. Da autoria do escultor Álvaro Raposo França, destina-se a assinalar a passagem do 50º aniversário da publicação do Romance “Mau Tempo no Canal”. Este ano, centenário do seu nascimento, Nemésio será novamente recordado. O presidente da autarquia da Praia da Vitória afirma que “estas comemorações servem, sobretudo, para prestar a homenagem merecida e condigna a um homem que se notabilizou pelos seus escritos e cantou bem alto os Açores, a Terceira e a Praia da Vitória”.

O homem que dizia que “o silêncio é Pedra de Deus” deixou para a posteridade escritos inigualáveis que ultrapassaram fronteiras. É de realçar, que “Mau Tempo no Canal”, uma das suas obras primas, já existe em língua inglesa. Esta tradução, feita por Francisco Fagundes, docente da Universidade de Massachusetts-Amherst, representa um contributo fundamental para a comemoração do centenário do Nascimento de Nemésio. A divulgação em inglês de “Mau tempo no Canal” projecta, numa das principais línguas de comunicação mundial, uma obra de culto da literatura portuguesa.

Nas suas obras comunicou-nos a força telúrica, o fluido que dimana das nuvens, o impulso dos ventos, o cheiro dos campos, o mar largo e bravio que, de todos os lados, acentua o rosto da ilha. Apesar desta açorianidade estar-lhe nas veias, Coimbra acabou por ser a sua terra adoptiva, ao ponto de ter escolhido a Lusa Atenas para sua morada eterna.

Fonte da notícia: Agência Ecclesia

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Jorge Goncalves

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