} Galeriacores Cartoon Notícias

Home

 

Galeriacores Cartoon Notícias

Um blog de cartoons sobre as notícias da actualidade. Um sector informativo do Grupo Galeriacores.

domingo, 4 de outubro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Dia Mundial do Professor 2009

World Teachers' Day 2009
Para ver a animação clique neste cartoon gif e aguarde uns segundos.
To view the animation click on this cartoon gif and wait a few seconds.



O Dia Mundial do Professor é assinalado segunda-feira em Portugal sem as manifestações de rua dos últimos anos, mas os professores continuam a reivindicar a valorização da profissão, enquanto esperam pelo próximo ministro da Educação
«Estamos no início de um novo ciclo político e, portanto, é natural que, mais do que uma luta como existiu até aqui, haja uma grande expectativa dos professores em relação a um futuro próximo», disse à Lusa Mário Nogueira, dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Nos últimos anos, os professores têm aproveitado o Dia Mundial do Professor para manifestar o seu descontentamento na rua, mas actualmente o momento é de esperança na nova correlação das forças recentemente eleitas para a Assembleia da República.

«Os partidos que se comprometeram, que estiveram do lado dos professores na luta contra as políticas educativa do anterior governo estão hoje em maioria na Assembleia e é natural que nós possamos olhar o futuro com mais esperança do que aconteceu no passado», frisou este sindicalista.

As manifestações que levaram milhares de professores às ruas nos últimos anos, documentadas em imagens, fazem parte da exposição Dignificar a profissão, valorizar a escola pública: A luta dos professores portugueses, a inaugurar segunda-feira na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, e que irá percorrer depois as capitais de distrito do país.

Antes da exposição, na mesma escola, a Fenprof promove ainda uma sessão pública, com intervenções de Mário Nogueira e de António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa.

Na última semana, a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) distribuiu pelas escolas um panfleto com a mensagem deste ano da Internacional da Educação para o dia do professor, sob o tema Construir o Futuro: Investir nos Professores Já, que inclui também «as exigências imediatas» da FNE de investimento nos professores.

Para João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, é preciso investir, valorizar e dignificar a carreira docente.

A FNE pretende a redefinição do estatuto da carreira docente, um novo modelo de avaliação de desempenho, rever o regime de concursos e a reorganização dos horários dos professores para privilegiar a componente pedagógica sobre a componente administrativa e burocrática, de forma que os professores tenham tempo para preparar aulas, estudar, investigar e reunir com colegas.

«Julgamos necessário também rever a estrutura salarial dos professores, valorizando os professores em inicio de carreira cujos salários são baixos», defendeu Dias da Silva, salientando que «o leque salarial dos professores em Portugal é extremamente lato, maior do que o da generalidade dos países da União Europeia».



Lusa / SOL

Etiquetas:

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Um aceno à Ilha Graciosa

Para ver a animação clique nesta imagem e aguarde uns segundos. To view the animation click on this image and wait a few seconds.

A ilha Graciosa, a segunda mais pequena do arquipélago dos Açores, com todas as suas belezas paisagísticas e encantos naturais, é também sobremaneira uma das mais bonitas e belas da nossa região. É, por conseguinte, uma ilha fascinante que cativa e fascina igualmente todos os que a visitam. É o caso, por exemplo, do amigo Dr. Onésimo Almeida, um catedrático universitário que, ao visitar a Graciosa, ficou de tal forma encantado com ela que sempre que surge a oportunidade gosta imenso de cá vir para matar saudades. Apesar de não ter nascido cá, esta ilha é hoje, tanto para ele como para a esposa, o lugar predilecto para passarem as bem merecidas férias de verão.

Recebi na semana passada um email deste nosso amigo que me escreveu para dizer que não vinha cá este ano devido a uma agenda extremamente carregada. Além disso, nesse mesmo email ele conta que, estando recentemente com os amigos graciosenses, Ildeberto e Ondina Medina, no restaurante português "O Dinis" em (East Providence, Rhode Island, EUA) e, enquanto conversavam sobre a Graciosa, foi rabiscando num guardanapo de papel uns fabulosos versos de quatro rimas carregados de saudade por esta terra que ele tanto ama e que, aliás, tenho o grande prazer de os partilhar no Galeriacores com todos os nossos leitores.

Quem é o Dr. Onésimo Almeida?

Julgo que o Dr. Almeida é bem conhecido por todos os açorianos e realmente não precisa de grandes introduções. Ele que há uns anos atrás apresentava um programa na RTP Açores "À conversa com o Dr. Onésimo Teotónio Almeida" foi um programa de grande valor cultural que reuniu os grandes nomes dos pensadores e intelectuais mais conhecidos da nossa região.

Alguns dados biográficos:

O Prof. Dr. Onésimo Teotónio Almeida nasceu na ilha de São Miguel e vive actualmente nos Estados Unidos da América onde exerce a sua profissão de catedrático na Universidade Brown onde é também um dos seus mais ilustres directores. Para além disso, julgo saber que foi esta mesma universidade que atribuiu, há alguns anos atrás, o Doutor honoris causa ao Dr. Mário Soares, o Ex-Presidente da República Portuguesa.

Ficam aqui os versos do Dr. Almeida que ele intitulou de:


Toadas à Graciosa num guardanapo de papel





Graciosa doce e calma
Tão serena, graciosa.
Fico contigo na alma,
Que, longe, fica ciosa.


Ilha branca, tão maneira
Na Praia, em Santa Cruz,
Nas entranhas da Caldeira,
Na claridade da Luz.



Nas águas do Carapacho
Ou nas do Barro Vermelho
Fico tão jovem que acho
Que nunca mais serei velho.



Porto Afonso vermelho
Negro o ilhéu da Baleia
Serra das Fontes espelho
De verde e alma bem cheia.



Do Farol a vista é larga:
Terceira, S. Jorge e Pico
O Faial mais à ilharga
E eu varado me fico.



Dei-te a volta no teu seio,
Dei-te a volta pelo mar.
Fiquei preso no teu meio,
Já não sei senão voltar.



Quem não sabe como és,
Não entende este cantar,
Este sentar-me a teus pés,
Este sentir-me ficar.



Quem só no mapa te viu
E nunca em ti se quedou,
Não devia dar um pio,
E, se falar, que falou?



O teu silêncio é brando
Azul suave, mas fundo.
Tem essa paz que eu ando
Em vão buscando no mundo.



Cantar-te assim soa a falso
Eu sei, mas culpa não tens.
Estas rimas que eu te faço
É que não valem vinténs.



Porque se eu fosse capaz
De cantar-te como és,
Vinha todo o mundo atrás,
Ter contigo a sete pés.



Deixa-te só, não faz mal.
Sorri p'ra dentro e goza
Essa paz porque afinal
Quem tem graça é graciosa.



Por isso o bom é calar,
Manter p'ra nós o segredo.
Deixar o mundo pensar
Que estar em ti é degredo.





Versos escritos num guardanapo
No Restaurante português "O DINIS"
East Providence, Rhode Island
23 de Junho de 2008
Onésimo Teotónio Almeida



Clique aqui para ver uma apresentação fotográfica com fotos artísticas da Ilha Graciosa



Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


João Lobo Antunes em Nova Iorque

Para ver a animação clique nesta imagem e aguarde uns segundos. To view the animation click on this image and wait a few seconds.

Azores, imagens, fotos, galerias, filmes, cursos, universidades, Mestrados, curso superior
Nova Iorque deve ser a cidade onde existem mais pessoas a morar sozinhas ou com gatos”, é a cidade onde se vive, ao mesmo tempo, com "o máximo de privacidade e de... solidão". São só duas pinceladas de um quadro de recordações pintado ontem à noite pelo neurocirurgião João Lobo Antunes depois da entrega do prémio Fernando Távora à arquitecta Maria Moita, em Matosinhos. O convite era para falar da "Viagem na construção do conhecimento" e as memórias de uma estadia "na cidade que nunca dorme", que durou 13 anos, soltaram-se sem reservas.

Antes de evocar uma viagem acontecida há já 30 anos, coube ao neurocirurgião, presidente do júri da 3ª edição do Prémio, anunciar a vencedora do concurso com o projecto “Arquitectura para o desenvolvimento. Intervenções de emergência e de permanência no sudoeste asiático”.

Adequando-se ao espírito do galardão, João Lobo Antunes preparou um discurso que ilustrasse a ideia da viagem como uma metamorfose pessoal e profissional. Começou por falar de uma viagem “romântica” a Amesterdão, lembrou ter-se sentido “homem-bicho” em África e, por fim, num tom confidencial que aqueceu o Salão Nobre da Câmara de Matosinhos, “regressou” a Nova Iorque.“Come with me to New York”.

O convite para trabalhar do outro lado do Atlântico partiu de um neurocirurgião americano, que viera a Portugal para tratar um diplomata português – o mesmo especialista tinha estado já em Lisboa, no final dos anos 60, para observar Oliveira Salazar, quando este se encontrava já paralisado. Aceitou o convite, e partiu, não sem antes deitar um olhar atento e prolongado às colinas de Lisboa, a sua cidade.

“Senti-me como um perdigueiro inquieto, quando descobri que aquele país tinha regras diferentes”. Apesar do impacto inicial, o carácter mundano e fervilhante de Nova Iorque rapidamente o abraçou e teve “a convicção intuitiva” de que aquele era o seu destino. Nesse “melting pot”, Lobo Antunes encontrou um espírito multi-étnico, onde nunca se sentiu discriminado. Mas, paralelamente a esse quadro colorido da diferença, o neurocirurgião deparou-se com uma realidade triste e homogénea, ou seja, o grande anonimato em que a cidade vivia. “Nova Iorque deve ser a cidade onde existem mais pessoas a morar sozinhas, ou com gatos”, a cidade onde se vive, ao mesmo tempo, com o máximo de privacidade e de... solidão. O professor experimentou essa grande solidão, nos primeiros anos. Nesses momentos, consolava-o a memória de uma Lisboa ensolarada, imagem que nunca se dissolveu nem o deixou.

Dos locais que mais o marcaram, Lobo Antunes destacou a livraria “Books and Company” e o metropolitano. Do primeiro, retém ainda, com humor, a imagem dos “empregados orientais elegantes, que tratavam com desdém quem viesse perguntar alguma informação”, mas era algo que ajudava a compor “o mistério” dessa livraria, onde encontrava os livros que nunca esperaria encontrar em qualquer outra. No labirinto do “subway”, constatou a “inevitável mortalidade do homem”.

Foi neste espírito “underground”, de “roupa vagabunda”, deitado nos jardins do Central Park, que o neurocirurgião inalou pela primeira vez o cheiro adocicado da marijuana: “E aí vi, talvez pela primeira vez, as estrelas de Manhattan”. Contudo, nessa “extraordinária máquina do efémero”, em que os cheiros da droga se mesclavam com os dos misteriosos livros da "Books and Company", Lobo Antunes afirmou não dissociar nunca as palavras “trabalhar, estudar e crescer” da cidade onde viveu.

Foi uma longa viagem de uma hora de memórias de Nova Iorque, onde Lobo Antunes disse continuar a habitar, e a ser habitado por ela. Como num filme de Woody Allen.

Fonte da notícia: Público.pt

Nota Pessoal:
Dr. João Lobo Antunes, fala-nos dos factores da solidão que existe na cidade de Nova Iorque. A solidão é uma situação que actualmente afecta tantas pessoas sobretudo nas grandes cidades. É interessante que embora essas pessoas estejam rodeadas por muitos outros milhões de pessoas mais solitárias se sentem no seu dia a dia. Este é sem dúvida um assunto social muito complexo para os sociólogos debaterem a fim de encontrarem respostas adequadas para ajudar essa gente.

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Vitorino Nemésio: o pai da açorianidade


Para ver a animação neste cartoon queira, por favor, clicar na imagem e aguardar uns segundos. To view the animation please click on this cartoon and wait a few seconds.

Faz hoje anos que morreu Vitorino Nemésio

Escritor faleceu a 20 de Fevereiro de 1978


O homem que dizia que “o silêncio é Pedra de Deus” deixou para a posteridade escritos inigualáveis que ultrapassaram fronteiras. Já passaram três décadas (20 de Fevereiro de 1978) após a morte de Vitorino Nemésio. Nascido em 1901, na Ilha Terceira, Vitorino Nemésio divulgou como ninguém a açorianidade. Era um terceirense assumido, com a música e a festa à flor da pele.

Mar, mar absoluto, sem clima de excessos de frio ou então de calor. Paisagens com um fascínio extra, e por enquanto, tranquilidade e repouso. Esta visão, podemos considerá-la lírica e poética, não exclui os pecados capitais do nosso tempo. Segundo afirma António Valdemar, “a distância, a fatalidade geográfica, a vida quotidiana de quem permanece no meio do Atlântico, já não têm a dimensão social e cultural que se fez sentir durante séculos”. Ali, naquele arquipélago, não existe ilha, e dentro daqueles terrenos banhados pelo azul marinho, não há cidade, vila ou freguesia que não tenham atractivos próprios. O “nosso vizinho” é o mar, uma espécie de longa auto-estrada. Todo o açoriano ama o mar. Ele e o seu ondular são uma espécie de confidente.

A Terceira em terceiro

A Ilha Terceira, descoberta depois de S. Miguel e Santa Maria, (nomes de índole cristã) e inicialmente chamada Ilha de Jesus Cristo, tomou o nome actual por ter sido a terceira a ser descoberta. Por volta de 1450 um flamengo, Jácome de Bruges, começou a povoar este pedaço de terra plantado no meio do Oceano Atlântico e sabe-se também que, devido à sua situação privilegiada, a Terceira era, então, ponto de escala das rotas portuguesas do referido oceano. Vasco da Gama, na sua viagem de regresso da Índia, mandou sepultar o seu irmão, Paulo da Gama, no Convento de S. Francisco.

No século seguinte, mais concretamente em 1534, a Angra foi a primeira localidade dos Açores a ser elevada a cidade, sendo mesmo escolhida pelo Papa Paulo III, para sede do Bispado. No final do XVI, durante o domínio dos Filipes em Portugal, a outrora chamada Ilha de Jesus Cristo foi um grande centro de resistência, apoiando a causa do Prior do Crato. Foi mesmo a última terra portuguesa a render-se à soberania espanhola.

Com a descoberta do Continente Americano, o seu papel estratégico intensificou-se. Das Índias vinham as especiarias e da América Latina vinham o Ouro e a Prata. A ilha era um autêntico porto de ajuda aos navegadores. No século XIX, na altura das lutas liberais, a Terceira teve um papel preponderante. Em 1829, uma tentativa de desembarque dos Absolutistas, na então Vila da Praia, foi frustada, razão porque esta recebeu o nome de Praia da Vitória.

Como afirma Francisco da Costa (in: A Alma dos Açores) “na Terceira, toda ela é frescura e recolhimento: delira de entusiasmo no inédito das touradas à corda, desprende-se a cantar os «olhos negros», recorda os tempos de outrora no aparato dos arruamentos, fica-se pensativa no topo do Monte Brasil, entra e sai na Sé envolta no seu manto e toda se enche de legendas históricas, de épocas que já passaram”. Sobre a casa Terceirense, Vitorino Nemésio diz no seu livro “Corsário das Ilhas”: “É difícil achar na Península Ibérica e mesmo em França, um tipo de habitat rural tão nobremente urbano, como o de certos pontos das Ilhas dos Açores e em especial da sub-região da Ilha Terceira chamada o Ramo Grande, em cuja planície cerealífera hoje irradiam as pistas colossais do aeródromo das Lajes”

O Vulcanismo determinou a constituição geológica e definiu, em certa medida, o temperamento e o carácter dos açorianos. Francisco Arruda Furtado, Luís Ribeiro e um grande escritor daquele arquipélago, Vitorino Nemésio, ao pronunciarem-se acerca do comportamento e da religiosidade dos açorianos, concluem que se fundamentam, essencialmente, na superstição e no medo, perante a iminência contínua dos sismos, das intempéries e de outras calamidades frequentes. Impera o temor que se traduz no uso da palavra “castigo” para explicar as contrariedades existentes na vida. “O conceito de divindade vingativa predomina sobre o de Deus misericordioso, caridade e amor” – afirmou Luís Ribeiro. “Mas antigamente era pior. Hoje, derivado à sensibilização da Igreja, os açorianos já olham mais para o lado misericordioso de Deus” – refere Herberto Dart. “Aprendemos” a viver com as calamidades e não “atribuir as culpas ao Pai Celeste”.

Praticar a caridade em nome do Divino

Leite de Vasconcelos, a propósito do sentimento religioso no arquipélago dos Açores, considerou as celebrações do Espírito Santo “uma festa nacional de todos os corações, de todas as classes e de todas as idades” (Mês de Sonho). E Vitorino Nemésio afirmou, no livro “Mau Tempo no Canal”, sobre as Festas do Espírito Santo, que a “Alma do ilhéu é cândida e tenaz; quer um Deus Vivo e alegre; chama-o à intimidade do seu pão e das suas ervas húmidas”. Nesta altura abatem-se as rezes para distribuição de carne. Depois, haverá “cozido e alcatra para amigos e compadres, nas panelas de arroba mexidas pela mestra da função”. É o povo quem promove e faz a festa, reunindo-se em Irmandades e cumprindo promessas. O objectivo da festa é praticar a caridade em nome do Divino.

Esta festa ultrapassa as águas do Atlântico. O “Culto do Espírito Santo” celebra-se onde existe uma comunidade de açorianos: tanto nas ilhas como nos locais de emigração. Como que numa revoada de Primavera e logo após a grande festa dos Cristãos, Páscoa, as diversas comunidades, agrupadas em Irmandades, começam a organizar os festejos que se prolongam pelos sete domingos seguintes até ao da Trindade. No fundo podemos dizer que é a festa da partilha. Esta partilha de riquezas e este relembrar de que em Deus todos são iguais tem também outra forma: a promessa, donde resulta um imperador e a função. Por qualquer razão que só a ele diz respeito, mas que não se eximirá de contar aos presentes, o imperador é a pessoa da freguesia que, em dificuldades, pediu auxílio à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Esta promessa tem uma característica diferente. Ao invés de ser de sacrifício é de alegria. Suponhamos que foi a solidão a razão da promessa, o “pagamento” será de alegria em grupo. Se por acaso foi um pedido derivado de uma dificuldade de qualquer ordem, a “paga” será uma festa de abundância que, com a sua simetria de sinal contrário, apague da memória dos homens os tormentos passados.

Festejos como estes e Irmandades como estas existiram na Europa Medieval. Se até meados do Século XIX ainda há recordações de festas em diversos pontos do País, o certo é que estas se esfumaram a ponto de hoje se pensar que são caracteristicamente açorianas. Não diria pura mentira. Os Açores souberam foi guardar o que os outros deixaram fugir.

Sílabas musicadas

Se fosse vivo, completaria este ano, a 19 de Dezembro, 107 anos. Seria mais de um século a divulgar a açorianidade. Esse homem, que o Pe. António Rego disse que “sempre me soube a açoreano do Grupo Central” chama-se Vitorino Nemésio. Este homem, nascido na localidade de Praia da Vitória, com as sílabas musicadas da Ilha Terceira “não se enrolava em dramas de romeiros ou promessas rastejantes de poetas de S. Miguel”. As neblinas de Antero de Quental passavam por “Mestre Nemésio” de forma mais leve e dramática. Ele tinha um sentido humorado e próximo de Deus “muito mais rico, filial e humano que os complexos poetas do grupo Oriental” – salienta o Pe. António Rego.

Nemésio não se confessava religioso “em qualquer esquina”, mas tinha uma apetência espiritual de Deus “que exprimia com a linguagem do povo, não da elite nem dos contorcionistas pescadores do sobrenatural”. Perguntava por Deus com o coração e não com a Filosofia do pensamento. Luís Machado de Abreu, professor na Universidade de Aveiro, afirma que o homem que ficou célebre pelo “Se Bem me Lembro...” era “a humanidade militante”. Na polifacetada personalidade de Vitorino Nemésio “toca-me o teatro de humanidade em que ele foi representando diferentes papéis, desse modo dando vida a personagens que, ao alargarem o leque do universo social, aprofundam a fascinante riqueza e complexidade que moram na condição humana”. Há nessa encenação a vontade de partir de um “lugar apertado, ponto fixo onde a alma se asfixia”, e de assim tentar redimir pela viagem “todas as estreitezas da Insularidade”.

D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo emérito de Aveiro e na altura reitor do Seminário de Coimbra, relembra um episódio com Vitorino Nemésio: “Na Quarta-Feira Santa de 1995 apareceu-me logo pela manhã e estivemos a conversar durante três horas”. Este diálogo de Nemésio com o reitor do Seminário pareceu uma eternidade, tal a profundidade da conversa. Sabe-se que a conversa entre os dois foi motivo de uma carta de Nemésio a Jacinto Prado Coelho, onde o açoriano descreve uma “Páscoa em Coimbra”. No documento afirma que “este ano pude arrumar a casa da alma”.

Nesta viagem existe igualmente o peso “do destino que nos dá as raízes que somos e donde, em definitivo, nenhuma evasão absoluta nos arrancará”. Foi Vitorino Nemésio quem cunhou, com todo o seu saber, o neologismo “açorianidade”, para explicar o modo de ser dos habitantes daquelas ilhas, a sua maneira de estar no mundo e de encarar a vida. Afirma ele: “a Açorianidade é o nosso modo de afirmação no mundo, a alma que sentimos, na forma de corpo que levamos... A vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas: antes se projecta num passado telúrico que os geólogos reduzirão a tempo, se quiserem... A Geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes”. Uma coisa não podemos negar, a sua extensa obra literária está cheia de reminiscências pessoais de ilhéu e de recordações da sua infância. D. António Braga, Bispo dos Açores, recorda “que a açorianidade era o seu evangelho”. Para Nemésio o pão do seu espírito, o sal da sua poesia, o suor da sua escrita derivavam da Praia da Vitória, de Angra do Heroísmo, da memória e reencontro com a ilha Terceira. Tudo o mais vinha por acréscimo. Ele estabeleceu, de forma inequívoca, a relação directa do homem com a sua circunstância física e psicológica. Até hoje, melhor que ninguém, o escritor caracterizou o peso telúrico e a carga ancestral do açoriano: “O mar é livre de se mover, não de mudar de sítio. O ilhéu morre de mobilidade numa situação perpétua”.

A propósito do V Centenário do povoamento dos Açores, Vitorino Nemésio recorda, traduzindo o basco Baroja, “o ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e câmbio”. Em todas as viagens que fazia, Nemésio transportava consigo uma ilha aos ombros, arrancada da vastidão do Atlântico, como um tesouro.

No regresso às raízes, Nemésio busca o “paraíso perdido”. É o regresso do “filho pródigo”. Ele está consciente de que não pode voltar ao que foi: “Ave que fui na Ilha, Não voltarei ao ninho: Perdi a asa e a anilha Pelo Caminho (In Anjo da Guarda). Mas não desiste da busca: “Minha vida é estrada”. E seja a hora de morrer regresso Só à infância sonhada. Menino é em Deus o homem: ofereço o ardor da vida ao fim da caminhada” (In Canto de Véspera).

Perante a estrada da vida, Vitorino Nemésio deixou-nos testemunhos concretos dos odores açorianos: o romance “Mau Tempo no Canal” (1944) e os livros de poemas “O Bicho Harmonioso” (1938); “Eu Comovido a Oeste” (1940); “Festa Redonda” (1950) e “Sapateia Açoriana” (1976).

A Ilha não esqueceu o seu filho. Junto à Casa das Tias, foi inaugurado no dia 17 de Dezembro de 1994, um busto de Vitorino Nemésio. Da autoria do escultor Álvaro Raposo França, destina-se a assinalar a passagem do 50º aniversário da publicação do Romance “Mau Tempo no Canal”. Este ano, centenário do seu nascimento, Nemésio será novamente recordado. O presidente da autarquia da Praia da Vitória afirma que “estas comemorações servem, sobretudo, para prestar a homenagem merecida e condigna a um homem que se notabilizou pelos seus escritos e cantou bem alto os Açores, a Terceira e a Praia da Vitória”.

O homem que dizia que “o silêncio é Pedra de Deus” deixou para a posteridade escritos inigualáveis que ultrapassaram fronteiras. É de realçar, que “Mau Tempo no Canal”, uma das suas obras primas, já existe em língua inglesa. Esta tradução, feita por Francisco Fagundes, docente da Universidade de Massachusetts-Amherst, representa um contributo fundamental para a comemoração do centenário do Nascimento de Nemésio. A divulgação em inglês de “Mau tempo no Canal” projecta, numa das principais línguas de comunicação mundial, uma obra de culto da literatura portuguesa.

Nas suas obras comunicou-nos a força telúrica, o fluido que dimana das nuvens, o impulso dos ventos, o cheiro dos campos, o mar largo e bravio que, de todos os lados, acentua o rosto da ilha. Apesar desta açorianidade estar-lhe nas veias, Coimbra acabou por ser a sua terra adoptiva, ao ponto de ter escolhido a Lusa Atenas para sua morada eterna.

Fonte da notícia: Agência Ecclesia

Etiquetas: , , , , ,


Jorge Goncalves

web site hit counter

Add to Technorati Favorites
Estou no Blog.com.pt

Galeriacores / Home I ForumsIGrupo/Groups I Cartoons I Publicações I Culinária/Recipes

Altar virtual /Chapel I Notícias dos Açores I Notícias da Graciosa I Links I Fotos-Photos


Pesquisa personalizada

Outros blogs de interesse:

Notícias da Ilha Graciosa
Notícias dos Açores
Curiosidades
TV grátis via Satélite
Satellite free TV
Desgarradas pela Internet
O mundo da música grátis
Plantas Milagrosas
Saúde e dietas
Galeriacores cartoon humor


Photography Newsfeed:




Galeriacores © Some rights reserved

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Contacte o dono deste blog:

Galeriacores@gmail.com




Melhor visualização com a Internet Explorer / Best viewd with the Internet Explorer