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Um blog de cartoons sobre as notícias da actualidade. Um sector informativo do Grupo Galeriacores.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Páscoa

EASTER
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Quero dizer-te que fui eu. Que fui eu que reuni as pessoas, fui eu que os contactei a todos. Diz a todos que fui eu que fiz juntar o povo para ouvir a boa nova. Diz que eu sabia ao que ia. Eu quis que me vissem sofrer. Não fui apanhado desprevenido. Eu já sabia de tudo. E foi tal e qual o que aconteceu. Tal como eu previa. Toda a violência, a incompreensão, tudo. Tudo estava planeado, tudo estava programado. A crucificação, inclusive. Tudo. Rigorosamente tudo. Para que nunca mais se esquecesse. Para que ficasse para a história. Só uma grande, imensa injustiça fica para a história. E eu vim para ficar para a história. Estava previsto. Eu sabia.Toda a incompreensão, todo o desespero por que algumas pessoas passaram, que me desculpem. Eu sabia.
Só não ponderei o quanto os ia fazer sofrer.
Diz-lhes, aos homens, que nada do que eu sofri foi em vão. Quando vim à terra, nós sabíamos que só um grande acontecimento poderia marcar a história. E esse grande acontecimento seria o limite da dor a que eu iria sujeitar-me em nome dos homens, em nome da humanidade. Tudo estava desenhado para que eu me tornasse um mártir. Para aquela época era a única possibilidade. Mostrar às pessoas que se poderia evoluir através da abnegação, do sofrimento.
Assim como nesta época é preciso banir esse conceito e introduzir um mais adequado à Nova Era. A evolução através da consciência.
Nenhum homem precisa de sofrer se ganhar consciência.A verdadeira consciência crística, que não é mais do que ver a matéria com os olhos do céu. Ver a vida terrena como um grande campo de aprendizagem.
Diz-lhes que não tenham pena de mim. Tudo estava planeado para ser assim. O meu sofrimento durou 2000 anos, mas agora acabou. É importante que se note que já entrámos numa Nova Era de entendimento, de consciência e de responsabilidade.
E, principalmente, de amor incondicional. Não aquele amor terreno, condicionado a amar se as pessoas ou coisas forem o que esperamos delas, pelo contrário, o amor não condicionado a nada. Eu amo-te por tudo o que és e respeito o direito de o seres.
Diz aos homens que esse tempo acabou. Acabou o tempo do medo, da violência e da indignação. Restam alguns espécimes, mas as novas gerações tratarão de os redimir.
Fala-lhes nas crianças Índigo, esses meninos que vêm reformular o mundo e que trazem a Era de Aquário dentro dos seus corações.
A partir de agora para educar uma criança, mais, muito mais do que educação, deverá dar-se amor. Amor incondicional. Amá-la pelo que ela é. E ajudá-la a limar as arestas.
Diz-lhes que o tempo do medo acabou e que lhes agradeço tanta dedicação, tanta reza, tanta intenção. Mas eu sofri o que tinha de sofrer para que a mensagem fosse passada com a força que foi. Há 2000 anos a única força que fazia uma mensagem atravessar os séculos era a injustiça e a pena.
A partir de agora será o amor.
Tirem-me da cruz. Se tiverem Jesus crucificado nas vossas casas, tirem. Deixem só a cruz. Ou uma imagem de braços abertos, como que a abraçá-los, e a abraçar o mundo.
Esta é a imagem que gostaria que guardassem de mim daqui para a frente.
Cabrita, diz aos homens que os tempos estão a mudar. A Nova Era está a chegar e não tenho mãos a medir com tantas manifestações humanas de sabedoria.
Fica em luz.
Fica em paz.
Abençoo-te.
Alexandra Solnado é autora de:CD LUZ – Pergunte. O Eu Superior Responde (Com CD de Exercícios de Meditação) NOVO MAIS LUZ - Pergunte. O Céu Responde LUZ - Pergunte. O Céu Responde A Alma Iluminada O Eu Superior e Outras Lições de Vida (Com CD de Exercícios de Meditação)A Minha Limpeza Espiritual (com CD de Exercícios de Meditação)A Era da LiberdadeA Lógica do Céu e a Lógica da TerraA Entrega.



Por: Alexandra Solnado

Fonte: Astral Sapo.pt

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Eutanásia, entre a vida e a morte

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Antes de falar sobre esse tema, devo confessar que ele me divide e testa. Não tenho opinião formada sobre esse assunto, venho apenas trazer opiniões alheias, mesmo que cada um defenda seu ponto de vista.

Esse é um tema polémico, duro, nauseante, cercado de ética, política, moralismo, princípios religiosos, solidariedade e compaixão.

Não consigo, portanto, homogeneizar todas essas polemicas dentro de mim, simples mortal observadora do comportamento alheio.

Mas a eutanásia nos estremece por dentro. Sempre haverá uma disputa velada entre os homens e o Divino, entre o certo e o errado, entre a vontade de um sobre a vida do outro, seja para defendê-la ou abreviá-la.

O caso Eluana é insano, li muito as declarações de seu pai, que durante mais de 10 anos e 5000 páginas de processos, simplesmente defendia o seu direito de pai sobre o direito dos médicos sobre a vida de sua filha. Foi uma longa batalha.

Nós, médicos, hipocraticamente estamos subjugados ao compromisso de manter a vida a qualquer custo, mesmo nos opondo a vontade de doentes e seus familiares. Eluana não voltaria jamais. Terri Schiavo, americana, também não. O que diríamos sobre Hugo Claus, indicado ao Nobel e prisioneiro doente de Alzheimer que morreu em março em um hospital de Antuérpia, que teve a sua eutanásia permitida? É muito difícil expressarmos um valor de julgamento sobre o que mais defendemos na vida: a própria vida.

Eutanásia (do
grego ευθανασία - ευ "bom", θάνατος "morte") é o ato pelo qual se abrevia a vida de um doente incurável de maneira controlada e assistida por um especialista. Uma complicada questão de bioética e biodireito, pois o Estado tem como lei máxima a proteção da vida dos seus cidadãos.

Admitida na antiguidade, a eutanásia só foi condenada a partir do judaísmo e do cristianismo, em cujos princípios a vida tinham o caráter sagrado.

Os Brâmanes eliminavam os velhos enfermos e os recém-nascidos defeituosos por considerá-los imprestáveis aos interesses do grupo, os Espartanos matavam os recém-nascidos deformados e até anciãos, pois espartanos deveriam ter as máximas condições de robustez e força; e os Celtas tinham por hábito que os filhos matassem os seus pais quando estes estivessem velhos e doentes.

Existem dois tipos de eutanasia: a ativa, que conta com atitudes que objetivam o fim da vida de maneira planejada e negociada entre o doente (ou seu representante legal) e o medico (ou outro profissional de saúde vinculado ao caso); e a passiva, que não provoca deliberadamente a morte, mas interrompe todos os cuidados necessários para manutenção da vida em um doente terminal ou irreversível.
A eutanásia não defende a morte, mas a escolha pela mesma por parte de quem a concebe como melhor opção ou a única.

São muitos os argumentos sobre a eutanásia, desde os religiosos, éticos até os políticos e sociais. Do ponto de vista religioso a eutanásia é tida como uma usurpação do direito à vida humana...

As pessoas com doença crônica e, portanto, incurável, ou em estado terminal, têm naturalmente momentos de desespero, momentos de um sofrimento físico e psíquico e social muito intenso.

Os pedidos de Eutanásia por parte dos doentes são muitas vezes pedidos de ajuda, implorações para que se pare o sofrimento!

No Brasil a eutanásia é considerada homicídio, já na Holanda é permitida por lei e na Bélgica registrou se 705 casos da eutanásia durante o ano passado, 42% a mais do que em 2007.

A discussão sobre a eutanásia é multifocal e leva a uma reflexão sobre o significado da dignidade humana, seja no sentido de respeitar o direito de viver, seja na oportunidade de respeitar o direito de morrer com dignidade, a partir do instante que a morte é justa.

Na medicina avançamos na possibilidade de salvar mais vidas, e criamos automaticamente complexos dilemas éticos que permitem maiores dificuldades para um conceito mais ajustado do fim da existência humana. O aumento da eficácia e a segurança das novos tratamentos motivam questionamentos quanto aos aspectos econômicos, éticos e legais resultantes do emprego exagerado de tais medidas e das suas possíveis indicações inadequadas.

O atual Código Penal, não especifica o crime da eutanásia. O médico que a pratica comete crime de homicídio simples, tipificado no artigo 121, com pena de 6 a 20 anos de reclusão.

Nem a lei nem a ética médica exigem que “tudo seja feito” para manter uma pessoa viva. A insistência, contra o desejo do paciente, em adiar a morte com todos os meios disponíveis não é prática corrente nos hospitais. Seria algo cruel e desumano. A morte é algo de natural e não se justifica a sua recusa absoluta. Há um momento a partir do qual as tentativas de curar podem deixar de demonstrar compaixão ou de fazer sentido sob o ponto de vista médico. O esforço deve ser posto em tornar o tempo de vida que reste ao doente o melhor possível. A intervenção médica pode-se limitar a aliviar a dor e outros sintomas de sofrimento. Enfim, esse é um tema amargo. Mas altamente reflexivo que pelo menos nos faz enxergar melhor o sofrimento do outro.

A solidariedade médica é quase um ato obrigatório e humanizado. Mesmo sob as polêmicas questões entre a vida e a morte.



Fonte: ITU.com.br

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

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O sofrimento perante a devastação de Gaza

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Depois de 22 dias de bombardeamentos, Gaza luta para se reerguer dos escombros, atónita perante a devastação causada pela mais violenta guerra dos últimos 40 anos. A VISÃO entrou no território. Leia a reportagem e veja o VÍDEO

Os homens lavam os pés com a água racionada. São dezenas e têm apenas um pequeno garrafão. Estendem dois tapetes coloridos debaixo de uma tenda improvisada e iniciam as rezas do meio-dia. Um rapaz chora sempre que toca com a testa no chão, louvando o profeta. À sua frente, até onde a vista alcança, há apenas escombros. As 29 casas do clã Samouni, de Zeitun, uma pequena vila a sul da cidade de Gaza, foram todas destruídas, a 5 de Janeiro, durante a guerra com Israel. Trinta e três pessoas desta família morreram num só dia.

O cheiro a morte ainda paira no ar. Faraj Samouni, 22 anos, mostra a casa da família em ruínas. «Mataram os nossos animais, destruíram as plantações, roubaram tudo o que era bonito na nossa vida… Porquê? Porquê?»

Aqui, ao contrário do que sucedeu noutras zonas da Faixa de Gaza, não foram as bombas lançadas pela aviação israelita que semearam a morte. Foram as forças terrestres que, durante 24 horas, espalharam o pânico no seio desta comunidade de agricultores. «Chegaram em tanques e começaram por deitar fogo à casa do meu tio. Ainda tentámos ajudar, mas eles disparavam sobre quem se aproximava. Eu tive sorte, pediram-me a identificação e só me mandaram tirar a roupa e ficar junto de uma oliveira, sem me mexer.» Eram 6 da manhã e Faraj tremia – de frio e de pânico. Foi uma testemunha forçada da onda de destruição que arrasava tudo à sua volta.

Uma hora depois, mandaram-no regressar a casa e fechar-se num quarto. Assim fez. Minutos depois, os soldados entravam pelas traseiras. «Estávamos fechados, como eles mandaram, às escuras, numa pequena sala: eu, o meu pai, a minha mãe e os meus cinco irmãos pequenos, que não paravam de chorar. Os soldados gritavam muito, pediram para o chefe da casa ir à rua. O meu pai levantou-se e abriu a porta, de mãos no ar. Mataram-no logo, sem uma pergunta…»

A família gritava, desesperada, no interior da sala, enquanto os militares continuavam a disparar. Faraj suplicava-lhes: «Por favor, parem, estão crianças aqui dentro!» A mãe já tinha sido atingida, tal como Faraj e dois dos seus irmãos. «Então, eles entraram na sala, apontando luzes às nossas caras e baixaram as armas. Disseram para não sairmos dali. Ouvi-os revolver a casa toda... levaram-nos o dinheiro, 2 mil dólares que o meu pai tinha acabado de receber, pela venda das colheitas. Agarraram num bidão que tínhamos na cozinha e espalharam gasolina pelas outras divisões. Depois deitaram fogo a tudo.»

O odor do martírio

As marcas das balas e do sangue ainda são visíveis na sala onde Faraj procurou abrigo com a família. É a única divisão que continua de pé. O resto da casa está em ruínas. O que o fogo não destruiu foi, depois, deitado abaixo com explosivos. Entra-se a custo, num espaço que iria servir de quarto a Faraj e à sua noiva – casariam no próximo mês –, saltando por cima de bocados de tijolos, mobílias, roupas, brinquedos, pedaços de vidas desfeitas. É estranho ver um megafone, semelhante aos que se erguem no topo das mesquitas, para chamar os fiéis para as rezas. «É da mesquita do outro lado da rua. Veio aqui parar com a força das explosões.»

Algumas horas mais tarde, os militares regressaram a casa de Faraj. «Mandaram-nos sair, saltar por cima do corpo do meu pai, e seguir para a estrada principal. Perguntei se podíamos ir para Gaza, porque estávamos feridos, mas disseram que não. Tínhamos de ir para Netzarim. Mas lá não há hospital…» Faraj correu o mais depressa que podia, levando ao colo a mãe, que se esvaía em sangue. O irmão, de 10 anos, Kanan, carregava o irmão Fadi, de 3, que fora atingido na cabeça. A um quilómetro de distância, os tios e primos chamaram-nos para dentro da casa de uns vizinhos. Foi ali que se abrigaram mais de uma centena de pessoas, esperando que os soldados acabassem de destruir todas as suas propriedades.

«Ligámos vezes sem conta para o hospital, a pedir que enviassem ambulâncias… havia gente muito mal. Mas eles não podiam aproximar-se, os israelitas não deixavam. O meu irmão acabou por morrer», diz, cobrindo com as mãos o rosto emocionado. Uma prima sua entrou em trabalho de parto, à noite, e teve a bebé no meio daquela gente toda. «Tivemos de usar uma faca para cortar o cordão umbilical… quase morreu com uma infecção, mas agora está bem.» A menina chama-se Sojud – o nome dado ao movimento de prostração durante a reza, no culto muçulmano. Foi a forma de agradecerem a Deus pela nova vida que ofereceu à família, no meio de tamanha mortandade.

Faraj Samouni só conseguiu regressar a casa 15 dias depois, quando a zona deixou de estar ocupada pelos tanques israelitas. «O corpo do meu pai ficou aqui, abandonado, este tempo todo», diz, apontando para o local exacto onde ele se encontrava. E é então que agarra num pedaço de terra escurecido e o cheira. Depois estende-o, perguntando: «Vês como cheira bem?» Os palestinianos acreditam que quando o sangue dos mortos ganha um odor adocicado, isso significa que se tornaram mártires. Foi nesse momento, e nesse momento apenas, que no rosto duro de Faraj se desenhou um sorriso.

O trauma das crianças

A história da família Samouni chocou os palestinianos pela dimensão da tragédia que a atingiu – nenhuma outra perdeu tantos membros, durante os 22 dias de guerra com Israel. Mas há dezenas de casos com quatro, cinco, seis mortos.

A família Deeb, do bairro de Jabalya, chora a morte de 11 familiares, de forma bem audível, assim que se cruza o seu portão azul, cravejado de balas. Uns primos, que acabam de chegar com um cartaz com as suas fotografias, honrando-os como mártires, ao lado da figura de Yasser Arafat, juram que ali ninguém tinha ligações com o Hamas.

As mulheres estavam a fazer pão, quando um tanque disparou contra a casa, arrancando metade da parede da sala onde se encontravam. Só Ahlam, 19 anos, estava numa divisão ao lado. Foi atingido por estilhaços mas nenhuma ferida é pior do que a dor de perder 11 dos 13 membros da sua família, de uma só vez.

Restava-lhe, apenas, Allah, a irmã de 17 anos, transportada para um hospital do Egipto, em estado muito crítico. Subitamente, a casa enche-se de gritos. As mulheres choram, inundam o bairro com as suas ondas de lamento. Um primo explica que acabam de receber um telefonema do Cairo – Allah não sobreviveu.

A casa de Ahlam Deeb fica a uma centena de metros da escola das Nações Unidas atingida pelos militares israelitas, onde morreram 48 pessoas. Os danos não são muito visíveis, no dia em que as aulas recomeçam, a 25 de Janeiro, depois de mais de um mês de férias forçadas. O espaço é invadido por miúdos aparentemente felizes, que se desfazem em gargalhadas com o espectáculo de um palhaço contratado pela Muslim Aid. «Temos de colocar pensamentos bons na cabeça deles, depois de dias tão sombrios», diz Maher Waha, 44 anos, psicólogo da organização islâmica, que teme as consequências destes dias de guerra nas gerações futuras. «Muitas crianças voltaram a fazer chichi na cama, têm pesadelos, não comem… é impossível saber mas haverá milhares de casos de stresse pós-traumático para acompanhar.»

O líder de Jabalya

Os soldados insistem que atacaram a escola da ONU, onde um milhar de civis procurara abrigo, respondendo a tiros que alguém disparava daquela área. E Abu Askar, líder do Hamas naquela região, não nega que os seus homens estavam na rua, a combater. «Três 'irmãos' meus morreram ao fundo da rua, com outras 12 pessoas», diz, de forma seca, sentado numa cadeira de rodas, ao lado da sua casa desfeita – a menos de 50 metros da escola de Fakoura.

Israel conhece-o bem e sabia onde ele morava. «Ligaram-me a dizer que tinha cinco minutos para sair. Depois, largaram aqui uma bomba.» Ele, que já perdera as pernas num combate com os israelitas – foi ferido pelo míssil disparado por um helicóptero, na fronteira norte do território, em 2006 –, mudou-se para uma casa ao lado. O ataque da aviação israelita foi, neste caso, de uma precisão espantosa. Todas as casas em redor estão intactas, se descontarmos os vidros partidos: a dele parece ter sido implodida.

Jabalya é o mais antigo campo de refugiados do mundo (existe desde 1948, quando nasceu o Estado de Israel). Foi, entretanto, transformado num bairro com casas toscas de cimento, com ruelas estreitas e desordenadas, por onde correm esgotos a céu aberto. É um terreno fértil para a revolta dos jovens. Aqui sobrevivem, em condições miseráveis e graças aos cupões de racionamento alimentar da ONU, mais de 160 mil pessoas.

Abu Askar pertence à geração que daqui lançou a primeira Intifada, a chamada «guerra das pedras», em 1987. E acredita que Jabalya continua a ser «a cabeça da revolução palestiniana», que tudo voltará a passar por aqui. Terá o Hamas capacidade de resposta, depois de um ataque desta magnitude? O homem ficou em silêncio durante uns segundos. Depois deu por terminada a entrevista, dizendo: «Aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes.»

Tréguas abaladas

Quando os F-16 israelitas cruzam os céus da Faixa de Gaza, a velocidades próximas da barreira do som, tudo treme à sua passagem. Os palestinianos acreditam que estes caças são «bombas supersónicas». O som é em tudo semelhante ao de uma gigantesca explosão e, por breves segundos, o mundo parece fugir debaixo dos pés.

Na segunda-feira, 26, voltaram a ouvir-se tiros, em várias partes do território. Em Gaza, são claramente disparos de Kalashnikov, sons metálicos, espaçados no tempo, a quem ninguém parece dar grande importância. Os tiroteios há muito que fazem parte da banda sonora das suas vidas.

Na região norte da Faixa de Gaza, junto da fronteira de Erez, ouvem-se mais disparos, desta vez em rajadas – provavelmente de militares israelitas contra os militantes palestinianos, que, nesse dia, terão lançado, segundo Telavive, oito rockets para o Sul do Estado hebraico – os primeiros desde o cessar-fogo decretado pelas partes, no domingo, 25.

Uma explosão junto do posto fronteiriço de Kissufim, a sul, deixa a população ainda mais apreensiva, na terça-feira. Um soldado israelita foi morto e outros três terão ficado feridos. Um agricultor palestiniano também morreu, segundo os médicos do Hospital Shifa, na cidade de Gaza.

O director do Serviço de Urgência do maior hospital da região – que, apesar do título, tem apenas 12 camas na sala de emergência, duas nos Cuidados Intensivos e nem um aparelho de ressonância magnética – descreve os dias em que recebeu mais de 5 mil feridos, sem meias palavras: «Isto foi uma catástrofe. O mundo tem de condenar Israel por estes crimes de guerra. Mataram 22 membros da minha equipa! Gente que ia em ambulâncias, para ajudar os feridos. Vi morrer aqui 437 crianças, 110 mulheres, 123 avós!»

Moawiya Abu Hasaneen grita estes números à porta do hospital, enquanto coordena o transporte de mais uma dezena de feridos para o Egipto. Depressa fica rodeado por dezenas de pessoas e todas querem acrescentar um ponto à história. O médico continua a desabafar a sua indignação: «Em cada rua da Palestina existe uma ou duas pessoas em cadeira de rodas. Não têm conta aqueles que tivemos de amputar, nas últimas semanas… E os que ficaram surdos? E os que ficaram cegos? E os que entraram aqui com queimaduras misteriosas, de grau 2 e 3, gravíssimas…» Várias pessoas apressam-se a mencionar a utilização do fósforo branco, proibido em zonas populacionais – e a Faixa de Gaza é uma das regiões mais densamente povoadas do planeta.

O calvário dos sobreviventes

Passando a recepção do Hospital Shifa, onde está afixado um enorme cartaz com o rosto do xeque Yassim, o líder do Hamas assassinado por Israel em 2004, é preciso furar pelas escadas apinhadas de gente para chegar ao quarto andar, onde está Nesreem El Qouq, uma menina de 8 anos ferida por disparos da marinha israelita na quinta-feira, 22 – em pleno cessar-fogo. «Ela estava a brincar com o irmão na praia, eram 7 da manhã, não havia ali mais ninguém», explica a mãe, enquanto afasta os cobertores da cama para mostrar os ferimentos. Tem uma perna ligada desde a anca aos dedos dos pés, foi submetida a uma cirurgia complicada mas os médicos estão confiantes de que ficará sem sequelas. «Sem sequelas físicas», corrige imediatamente uma enfermeira que ouvia a conversa a poucos metros.

Nesreem é uma das poucas crianças que ainda permanecem em Shifa. Como explica o enfermeiro Fadi Khodir, 22 anos, «os casos mais graves foram para hospitais na Bélgica». Há uma semana, chorou, quando teve de se despedir de uma menina de 3 anos, Samar, com a parte dorsal desfeita. «Ela não tinha costas quando aqui chegou, só um enorme buraco. Duas vértebras desapareceram, pura e simplesmente.» A menina esteve uma semana isolada no hospital, sem nenhum familiar por perto. Foi Fadi quem se ocupou dela, dia e noite. «Ir para casa era muito perigoso, de qualquer forma», diz, em jeito de brincadeira. A menina estava sozinha, porque a mãe também ficou ferida nos bombardeamentos e estava noutro hospital, inconsciente. «O pai queria procurá-las mas não conseguia sair à rua, os tanques disparavam contra quem ousasse abrir uma porta.»

No primeiro andar, por detrás de cada cortina azul, que confere alguma privacidade aos doentes ali internados, escondem-se dezenas de familiares, encavalitados em redor das camas dos seus. Nazmi Al Hyoubi aceita falar e os primos afastam-se para um canto, acrescentando pormenores no fim de cada frase sua.

Nazmi tem 22 anos, é estudante de Gestão. O seu braço direito está desfeito, a perna esquerda engessada e cravada de parafusos, o abdómen coberto pelas ligaduras que tentam confortar as suas feridas. Estava fechado em casa com outros 17 familiares, rezando para os tanques passarem depressa, quando o mundo desabou sobre a sua cabeça. «Lançaram um míssil de helicóptero e dois morteiros dos tanques», jura. Havia duas mulheres grávidas dentro de casa que também ficaram feridas, mas as ambulâncias só puderam acudir-lhes quatro horas depois, quando os israelitas abandonaram o local. «Pensei que ia morrer mas não me importava. Eu preferia ter morrido. Pelo menos tornava-me um mártir, ia para o paraíso, não tinha de ficar aqui, preso a esta vida terrível.»

A paz, o pão, a liberdade a sério

Os palestinianos consideram que todos os mortos em confrontos com os israelitas são mártires – e não apenas os suicidas em nome da resistência. Em todas as ruas de Gaza estão afixados cartazes com as suas fotografias, indicando a data e as circunstâncias da sua morte. O Hamas promove, empenhadamente, o ideal do martírio junto da juventude. Um CD de música à venda na cidade de Gaza tem, na capa, vários combatentes em acção. O título é elucidativo: «Centenas de noivas à tua espera.»

Os cartazes dos mártires encontram-se nos locais mais inesperados. Como no mercado central da cidade, decorando a banca de legumes de Mari Abu Arab, 39 anos. «Nenhum é da minha família mas são todos meus irmãos», explica, depois de ter contado como os tanques destruíram as suas culturas. «O que não foi espezinhado acabou queimado pelas bombas de fósforo.»

Mari calcula que serão precisos cinco anos para recuperar a sua quinta. Mas, para isso, seria preciso abrir terreno para a paz. «E o que é a paz que nos oferecem? É só pararem de despejar bombas em cima de nós? Não! Nós precisamos é das fronteiras abertas, que o cerco termine de vez. [as fronteiras de Gaza estão fechadas para o povo desde 2006]»

Já na escola da ONU onde se apinham 6 mil pessoas que ficaram sem casa no último mês, ouvira falar, com raiva, da noção que o mundo tem da paz de que os palestinianos precisam. Um homem queixava-se, dizendo que dormia com 78 pessoas numa sala com pouco mais de 20 metros quadrados, que não tomavam banho há três semanas e que a comida que a ONU distribuía era pouca, uma lata de atum para cada três ou quatro, deixando todos com fome. Um outro interrompeu a conversa, aos gritos, a ira a incendiar-lhe o olhar: «Não quero saber da comida, nós não somos animais que podem ser fechados num curral e a quem se atira umas sacas de farinha para apaziguar as consciências do mundo. Estou farto disto, eu quero é trabalhar para dar comida à minha família, não quero esmolas. Falam tanto de paz, nós precisamos é de liberdade!»


Para ver o vídeo clique aqui neste link
Fonte da notícia: VISÃO

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

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Gaza: um pesadelo que se tornou realidade

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A Faixa de Gaza parecia hoje um cenário no qual o pior pesadelo se transformara na realidade; seis dias após o cessar-fogo de Israel e Hamas, o território palestiniano oferecia uma imagem desoladora.

Na primeira Sexta-Feira Santa muçulmana desde o fim dos ataques israelitas que deixaram mais 1.400 mortos e 5 mil feridos, poucas pessoas passavam pela Gaza capital, onde as ruas estavam quase desertas.

Não se viam forças de segurança do Hamas nem de outros grupos armados, e entre os poucos veículos, destacavam-se, por suas contínuas buzinas, os das agências de auxílio com a bandeira azul da ONU.

A eles, somavam-se as ambulâncias que se dirigiam ao Hospital Al Shifa, o maior da área urbana e abarrotado de pacientes.

Os edifícios bombardeados no centro da cidade eram do Hamas: entre outros, os da televisão A-Aqsa, a delegacia de Al-Abbas e os 16 ministérios do Governo islamita foram reduzidos a massas de pedras e cabos.

Uma escavadeira aplanava o terreno da rua Al Yala que antes era a casa onde foi localizado e morto o ministro do Interior do Hamas, Said Siyam, junto com um de seus irmãos, um de seus filhos e dois milicianos.

"Minha casa tremeu como um pudim e todos nós ficamos gelados, sem saber que fazer", é a lembrança que tem desse dia Shakir Mahmoud, que vive com a família a 300 metros do alvo do ataque, no bairro de Sheikh Raiduan.

A destruição no núcleo urbano mostra sinais de operação cirúrgica, mas na periferia adquire reflexos de ataque indiscriminado.

No leste, os muros da mesquita de Azzadik no bairro de Salam estavam crivados de tiros.

Um pouco mais em cima, também na rua Abe Radbo, as casas de três famílias tinham-se transformado em massas de cimento.

As plantações em volta tinham sulcos dos buracos das bombas, que arrancaram muitas árvores frutíferas.

No bairro de Jebalia, no extremo oriental da cidade, o panorama é mais desolador.

Nada fica nessa área, a mais próxima à fronteira com Israel e onde os tanques arrasaram nas duas ultimas semanas de guerra o que na primeira havia resistido de pé aos contínuos bombardeios aéreos israelitas.

Restos de casas, fábricas, oficinas, hangares, lojas e cisternas se amontoavam junto a carcaças de camiões e de maquinaria, e os cadáveres de cabeças de gado em avançado estado de decomposição.

Crianças e idosos em carros puxados por burros passavam entre os escombros na busca do que ainda pudesse ter alguma utilidade, e grupos de homens reuniam-se à volta de fogueiras para se protegerem do frio.

"Isto é o resto da minha empresa", diz Taha Dellul, mostrando com o olhar um bloco de cimento armado numa estrutura metálica, sobre o qual compartilha sua perda com uma dúzia de ex-empregados.

"Era uma fábrica de elementos para a construção que nos dava o que viver", explica.

"Viemos aqui porque não sabemos outro lugar aonde ir", acrescenta Dellul, que só confia "na comunidade internacional".

"Não confio em Israel, nem no Hamas, nem no Fatah (o movimento nacionalista do presidente palestiniano, Mahmoud Abbas). Eles não fazem mais do que brigar entre eles e não quero nenhuma das ajudas que nos prometeram", afirma.

"Só confio na comunidade internacional", repete, como um mantra.

A 200 metros, três famílias montaram com toalhas, tapetes, paus e ferros um refúgio junto ao que foi sua casa.

"Uma noite recebi uma chamada pelo celular que me deixou perplexo. Alguém em árabe se identificou como militar israelita e disse que saíssemos porque iria bombardear nossas casas", diz com cara de incredulidade o patriarca de uma das famílias, Helmy Siyam.

"Nós fomos imediatamente e, horas depois, destruíram nossas casas", lembra, sem compreender como o Exército de Israel tinha seu número de telefone.

Pouco depois de concluir a reza do meio-dia na mesquita de Al Katiba - a mais popular da cidade-, o imã Ahmed Abdelaziz Abu Billel pediu aos crentes "paciência e plena confiança em Deus".

"Tende paciência e persevere no caminho do Profeta, porque se o fazemos, Deus nos ajudará", disse a autoridade religiosa desse templo, situado frente ao mar, onde no início da tarde a água e o céu se confundiam na linha de um horizonte cinza. EFE


Fonte da notícia: Globo G1


Clique na seta para ver o gráu de sofrimento e devastação.

Lembre-se que tudo isto foi feito em nome da nossa democracia ocidental levada a cabo por governos corruptos e imorais. As cenas gráficas apresentadas neste filme poderão ferir as sensibilidades dos mais novos.

Viewer discretion is advised

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

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Quem acredita em Deus sente menos dor

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A ciência nem sempre é a melhor amiga da religião, mas, desta vez, uma equipa de cientistas britânicos descobriu que há razões para acreditar que as pessoas que crêem em Deus sentem menos dor, informa o El Mundo.


Os investigadores das Universidades de Oxford e Cambridge analisaram as reacções de 24 voluntários (12 católicos praticantes e 12 assumidamente não crentes) envolvidos numa experiência. Depois de contemplarem duas pinturas durante 30 segundos (uma religiosa e outra não), as 24 pessoas recebiam uma descarga eléctrica e tinham de descrever o grau de dor numa escola de 0 a 100.


Ao analisarem os dados, os investigadores confirmaram que as reacções depois da imagem não religiosa eram semelhantes. No entanto, as reacções depois da imagem religiosa foram bastante diferentes, com uma diferença de 12 por cento de dor entre os crentes e os não crentes.


Os cientistas passaram, então, à segunda fase da pesquisa e analisaram as ressonâncias magnéticas dos cérebros dos voluntários. Os dois grupos mostraram diferenças substanciais: só nos cérebros dos devotos uma área conhecida como córtex pré-frontal ventrolateral, uma zona relacionada com a regulação da dor, se activava depois de verem a imagem religiosa.


A conclusão do estudo sugere que a crença religiosa produz um efeito semelhante ao placebo. «Ajuda as pessoas a reinterpretarem a dor, a senti-la menos ameaçadora. Estas pessoas sentiam-se seguras ao contemplarem a imagem religiosa, sentiam-se protegidas», explicaram os investigadores ao The Guardian.

Fonte da notícia: IOL Diário

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Jorge Goncalves

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