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Um blog de cartoons sobre as notícias da actualidade. Um sector informativo do Grupo Galeriacores.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


O primeiro santuário de tubarões

Shark Sanctuary in Palau Island

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O tubarão martelo é uma das centenas de espécies encontradas nas águas de Palau, um país a norte da Indonésia com cerca de 200 ilhas.

De acordo com a BBC, o objectivo é criar primeiro santuário de tubarões no mundo, de forma a banir toda a pesca comercial de tubarões nas águas de Palau.

São 600 mil quilómetros de mar no Oceano Pacífico, que vão tornar-se num local seguro para várias espécies de tubarão.

O Presidente da República do pequeno país insular da Micronésia, Johnson Toribiong, anunciou o santuário durante a sessão da Assembleia-geral da ONU.

O presidente Toribiong também chamou a atenção para a total proibição de retirada de barbatanas de tubarão.

As barbatanas são um produto lucrativo no mercado internacional, onde são compradas para serem utilizados em sopa de barbatana de tubarão.

«Estas criaturas estão a ser abatidos e estão, talvez, à beira da extinção, se não forem tomadas medidas para protegê-los», disse o presidente Toribiong.

Em todo o mundo cerca de 21% das espécies de tubarão estão na categoria de ameaçadas, 18% estão quase ameaçados e desconhece-se o que se passa com 35 por cento.

As espécies em maior perigo são as que vivem nas águas à superfície, mais sujeitas à caça. Uma das dificuldades da recuperação das populações é o tempo de vida longo dos tubarões e a sua lenta capacidade de reprodução.

O presidente também pediu o fim do arrasto, um método de pesca que pode destruir valores dos ecossistemas do fundo do mar, tais como recifes de coral.

Benefícios locais

Vários países desenvolvidos tentaram implementado os limites de captura e as restrições à pesca do tubarão.

Alguns países em desenvolvimento, tais como as Maldivas, também tomaram medidas para proteger a espécie, porém, a iniciativa de Palau eleva a situação a novo nível, de acordo com ambientalistas do projecto.

Fonte: IOL Diário

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

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Charles Darwin: Fundador da biologia moderna

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Charles Darwin, de que se comemora este ano o bicentenário do nascimento, revolucionou a percepção da vida na Terra e fundou a biologia moderna ao defender que todas as espécies descendem de um antepassado comum.

Essa teoria da evolução está exposta no seu livro fundamental, "A Origem das Espécies", de que se celebra também em 2009 os 150 anos da sua publicação.

Nascido a 12 de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, Inglaterra, numa família abastada, foi pressionado pelo pai, Robert Darwin, médico, a enveredar pela mesma carreira, embora tendesse mais a seguir o exemplo do avô, Erasmus Darwin, um conceituado naturalista no seu tempo.

Dava pouca atenção às aulas, era traquinas e preferia observar a Natureza, caçar e coleccionar insectos. É dessa altura uma frase do pai que ele recorda na sua autobiografia: "Só gostas de cães, de andar aos tiros e de apanhar ratos, vais ser uma desgraça para ti próprio e para toda a tua família".

Em 1825 começa a estudar Medicina em Edimburgo, mas as aulas aborrecem-no e uma operação a uma criança sem anestesia, como então era comum, causa-lhe horror e leva-o a desistir passados dois anos.

O pai manda-o então estudar Teologia na Universidade de Cambridge, para fazer dele um sacerdote. É então que conhece John S. Henslow, um dos professores mais populares e revolucionários da época, que se tornou seu mentor e amigo, e foi determinante para a sua carreira de cientista.

Foi ele que o recomendou a Robert FitzRoy, capitão do "HMS Beagle", que procurava um companheiro para uma expedição cartográfica de dois anos à volta do mundo.

O Beagle zarpa em 1831, levando a bordo Darwin então com 22 anos. A viagem acaba por durar cinco anos e, por motivos circunstanciais, começa e acaba em território português, já que a primeira escala foi na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, hoje um país independente, e a última na ilha Terceira, nos Açores.

Grande parte da expedição passa-se ao longo das costas da América do Sul, com escalas principais no Brasil, nas Galápagos, Taiti, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e novamente Brasil, antes de regressar a Inglaterra.

Apesar dos seus enjoos no mar, Darwin viria a escrever entusiasmado que "a viagem do Beagle foi de longe o acontecimento mais importante" da sua vida.

Redige numerosas observações e colecciona tanto calhaus como espécimes da fauna e da flora que vai encontrando, para depois do regresso, em 1836, se dedicar à escrita e publicar em 1839 "A Viagem do Beagle".

As observações feitas durante a viagem persuadem-no pouco a pouco de que as espécies sofrem uma constante evolução, o que viria a constituir o cerne da sua teoria.

Preocupado com problemas de saúde que o afectaram durante toda a vida, pensa em casar-se e considera longamente os prós ("companhia permanente", "uma mulher simpática num sofá", "a mulher, esse espécime tão interessante" ou "melhor que um cão de qualquer modo") e os contras ("terrível perda de tempo"), com os primeiros a prevalecer.

Casa-se em 1839 com a prima Emma Wedgood, com quem terá dez filhos, e instala numa quinta em Downe, 30 quilómetros a norte de Londres, onde passa os últimos 40 anos da sua vida a estudar, a escrever, a fazer experiências e a corresponder-se com cientistas do mundo inteiro.

São conhecidas mais de 25 mil cartas de e para Darwin, algumas das quais com o naturalista açoriano Francisco Arruda Furtado.

Após longa reflexão, e só 23 anos depois da viagem do Beagle, Darwin decide publicar "A Origem das Espécies", mas só depois de receber uma carta de outro naturalista, Alfred Russel Wallace, com ideias semelhantes às suas.

As teorias dos homens serão então publicadas ao mesmo tempo, numa reunião científica, e a primeira versão da sua obra principal surge finalmente em 24 de Novembro de 1859. Aí apresenta exemplos, argumentos e factos que organiza de forma sistemática para sugerir a existência de linhas evolutivas de todas as espécies e da existência de ancestrais comuns a todas.

O livro, que esgotou em poucos dias, alcançou um sucesso imediato, mas desencadeia vivas reacções das autoridades religiosas, que vêem nas suas ideias uma contestação da doutrina cristã da criação do mundo.

O debate viria a subir de tom com "A Descendência do homem e Selecção em relação ao sexo", onde Darwin demonstra em 1871 que o homem e o macaco descendem de um mesmo antepassado comum.

Além destes, publicou dezenas de livros e centenas de manuscritos sobre tudo o que observava e conseguia explicar.

"Considerando agora com que brutalidade fui atacado pelos ortodoxos, parece-me grotesco que tenha tido a intenção de ser pastor", ironiza na sua biografia.

Darwin morreu em 19 de Abril de 1882 aos 73 anos. Está enterrado na abadia de Westminster, em Londres, onde repousam também os restos mortais do físico Isaac Newton.

Nos últimos 150 anos, o pensamento darwinista foi completado com a contribuição da genética e mais recentemente através do novo desenvolvimento da biologia evolutiva.



Fonte: Sapo/ Lusa

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

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Evolução ou criação?

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Criacionistas em Portugal. A ideia de que o 'Homo sapiens' descende de outros primatas e esses de outros animais e esses por sua vez de formas de vida mais incipientes, até ao início da vida algures há muitos mil milhões de anos, ninguém sabe como nem porquê é recusada por muito boa gente. Ora leia
Há quem não celebre 'A Origem das Espécies'
"Os protestantes não perdem uma ocasião de ter uma zanga com o mundo." Tiago Oliveira Cavaco, 31 anos, formado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova, músico com discos editados ("Vou tendo bandas"), bloguer (de A Voz do Deserto, com subtítulo "religião e panque roque"), pai de três crianças (Maria, quatro anos, Marta, dois e Joaquim, um), cristão baptista e pregador "ainda não consagrado", diz- -se, no entanto, um criacionista brando. "Acredito naquilo em que o cristianismo ortodoxo acredita: que o mundo foi criado por Deus. Os católicos também acreditam nisso mas convivem bem com o evolucionismo, são mais preguiçosos. Nós agarramo-nos mais à Bíblia."
De facto, num país em que, dizem as sondagens e inquéritos, a maioria das pessoas é cristã católica, o que significa que acredita num ser superior e criador, responsável por tudo o que existe e atento a tudo o que se passa, e na vida depois da morte num lugar agradável chamado paraíso ou desagradável chamado inferno ou num sítio a meio caminho chamado purgatório dependendo de um sistema de pontos relacionado com boas e más acções, o ponto de partida do criacionismo não deve surgir como algo de muito extraordinário. Afinal, ser criacionista é basicamente crer que há um deus responsável por tudo o que existe e que a Bíblia é, além da palavra revelada desse deus, também um livro de história com o guião exacto do surgimento da Terra e da vida sobre ela. Até aqui, nada de substancialmente novo, certo? A diferença fundamental reside no facto de os criacionistas considerarem que o criacionismo é uma doutrina científica.
Ao contrário do que se passa com a maioria dos católicos, porém, os criacionistas, geralmente evangélicos, negam a possibilidade da evolução das espécies tal como é ensinada na escola, nomeadamente a parte em que a humanidade descende de outros primatas e é fruto de mais de um milhão de anos de diferenciações genéticas. Os criacionistas crêem que somos todos descendentes de um casal primordial - Adão e Eva, os próprios, ele feito de barro, ela de uma costela dele - cuja criação divina ocorreu há cerca de seis mil anos, e que como esse casal, criado já adulto como se narra no livro do Génesis, foram criadas todas as outras espécies, incluindo as extintas (como os dinossáurios, cuja extinção é geralmente localizada há 65 milhões de anos).
"As pessoas vêem-nos como excêntricos", reconhece Tiago Cavaco. "Mas se esta discussão não tivesse qualquer tipo de sustentabilidade científica ela não se aguentaria. E a verdade é que ganhou espaço. Os alegados factos científicos que fundamentam a teoria da evolução são rebatidos pelos bons criacionistas." Um bom criacionista será, por exemplo, o engenheiro electrónico portuense Agostinho Santos. Sessenta e cinco anos, trinta e três livros publicados ("e mais dez no computador"), o último dos quais em Julho passado, sobre dinossáurios, mergulha na literatura científica e depois "compatibiliza-a com a Bíblia". Por exemplo, sobre os dinossáurios: "Acredito que houve dinossáurios, até porque há evidência disso, pegadas, ovos, fósseis. Há quem não acredite, mas eu acredito, apesar de a Bíblia não falar deles. E não vejo nenhuma contradição entre a Bíblia e a ciência, aliás nunca se encontrou um erro na Bíblia. Quanto ao desaparecimento deles, o que Bíblia diz é que a certa altura houve um dilúvio universal - e há vestígios disso - e sepultou muitos animais. Este dilúvio teria sido uns 4500/5000 anos antes de Cristo. E acho que depois do dilúvio houve uma alteração da temperatura da Terra.
"Para o facto de apesar de segundo o relato bíblico Noé ter construído um barco onde colocou um casal de cada animal existente na Terra, para salvar os frutos da Criação, e de portanto assim ter tido forçosamente de salvar um casal de cada tipo de dinossáurio, o que impediria a sua extinção, Agostinho Santos tem uma explicação. "Na arca de Noé as espécies ficaram como que estranguladas. Só havia um casal de cada. Imaginemos que um dos dinossáurios ao sair da arca partiu uma perna. Acabava logo ali aquela espécie." Além disso, acrescenta, "ninguém na verdade sabe o que aconteceu aos dinossáurios. Há hipóteses"...
A ideia de que as respostas fundamentais daquilo a que se chama ciência às perguntas fundamentais (que somos, por que somos, de onde vimos, de onde veio tudo, porquê) não são mais que hipóteses metafísicas, uma questão de fé como aquela que "segura" o criacionismo é afinal o fulcro da explicação do criacionismo aos não convertidos. "Creio que tanto o evolucionismo como o criacionismo são modelos: com base nas mesmas descobertas e artefactos materiais é possível construir modelos distintos. Mas não considero que se possa chegar ao livro do Génesis e fazer uma interpretação literal - não se pode dizer que é um relato científico." Samuel Pinheiro, arquitecto e secretário-geral da Aliança Evangélica Portuguesa, é um defensor da possibilidade de, como sucede em alguns estados dos EUA, o criacionismo ser ensinado nas escolas públicas paralelamente ao evolucionismo: "O evolucionismo é totalitário, quer-se impor como a única forma de compreender o mundo." Até porque, garante, "as pessoas resistem de um modo geral à ideia de que tudo surgiu por acaso, crêem que existe uma inteligência em tudo o que existe". Quando dava aulas no liceu, e quando falava disso com os seus alunos, eles concordavam. "Diziam, professor, tem razão, nós também não acreditamos que tudo tenha surgido por acidente." E conclui: "Ou tudo surgiu a partir de nada ou tudo surgiu a partir de Deus - qual destas hipóteses é a mais credível?"
Jónatas Machado, 45 anos, constitucionalista, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e apontado por todos os evangélicos contactados como "o grande criacionista português", não tem dúvidas. "Quem é irracional é quem postula uma criação irracional e por acaso. Aliás, há fortes evidências científicas no sentido de uma criação ordenada. Por exemplo, a existência de leis naturais corrobora a existência de uma criação ordenada - a lei da gravidade, da biogénese, do movimentos dos planetas, são compatíveis com a ideia de uma criação inteligente. Uma outra evidência importante de criação inteligente é a quantidade inabarcável de informação que existe no genoma. Ora quando encontramos num qualquer sistema de informação codificada isso significa, alto lá, há aqui origem inteligente. E no DNA encontramos informação codificada em qualidade e densidade e quantidade que e excede a capacidade tecnológica humana, toda a capacidade da comunidade científica."
Especialista há poucos anos - "Fui em 2004 com um colega constitucionalista assistir a uma conferência do físico alemão criacionista Werner Ditt, e esse meu colega estava a ditar uma revista e queria um texto sobre criacionismo. Pediu-me 30 páginas e eu escrevi 70. A ideia era fazer um apanhado do que dizem as várias especialidades de cientistas criacionistas nas várias áreas" -, tornou-se, "quer queira quer não", a maior referência portuguesa em criacionismo: "Toda a gente me pergunta coisas e me convida para conferências." Com os seus principais textos criacionistas disponíveis na Net, no portal da Associação Evangélica Portuguesa, Machado afirma nunca se furtar ao diálogo e confronto. Sendo profundamente religioso, proclama-se também um adepto da liberdade e expressão e um inimigo de leis que condenem a blasfémia. "Gosto de debater com quem pensa diferente de mim. Ajuda-me a pensar." Ainda assim, há algo que não questiona: a existência e o porquê de Deus. "Quem não acredita em Deus tem de acreditar que tudo vem do nada. O ateu Richard Dawkins diz que o universo nasceu por acaso do nada, mas isso não é ciência, é metafísica. E mostra que o que está aqui em causa não é uma oposição entre ciência e fé, mas entre duas visões do mundo metafísicas, em função das quais toda a realidade é lida." Assim tão simples. E seja qual for a objecção encontrada, da idade das estrelas (orçada em muitos milhões de anos, quando para o criacionismo só podem ter seis mil) aos fósseis, passando pela inevitabilidade do incesto em série que estaria na base da humanidade criada a partir de um único casal, Jónatas Machado tem uma resposta. "Os criacionistas e os evolucionistas têm a mesma evidência: as mesmas rochas, os mesmos ossos, os mesmos artefactos. O que é diferente é a forma de os ver. Por exemplo, onde os evolucionistas vêem, nos genes, evidência de um ancestral comum, os criacionistas olham para os mesmos genes e vêem a evidência de um criador comum." Para resumir: "Newton dizia que ciência é uma engenharia do avesso, tentar perceber a criação de Deus da frente para trás. Pensar os pensamentos de Deus depois de Deus."





Fonte da notícia: DN Online

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domingo, 10 de agosto de 2008

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«Priolo», a ave ameaçada dos Açores

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Espécie só pode ser vista numa pequena área da ilha de São Miguel


Mais de mil visitantes já passaram pelo Centro Ambiental do Priolo (CAP), uma valência inaugurada em Dezembro para promover uma ave em vias de extinção, que habita exclusivamente na ilha de São Miguel, nos Açores.

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que desenvolve desde 2003 o projecto LIFE Priolo com vista à conservação desta espécie e da floresta laurissilva, adianta em comunicado que a barreira dos mil visitantes foi ultrapassada em Julho.

Além dos residentes e turistas o CAP já foi visitada por 300 alunos de escolas da maior ilha açoriana e mais de 100 crianças de diversas instituições de tempos livres (ATL), acrescenta o comunicado.

Localizado na Reserva Florestal de Recreio da Cancela do Cinzeiro, no Nordeste, o CAP foi criado através da parceria entre a SPEA, secretaria regional do Ambiente e do Mar e direcção regional dos Recursos Florestais.

Além de todo o trabalho de promoção e sensibilização que a SPEA tem desenvolvido, a abertura do centro vai permitir dar continuidade «à luta» pela sobrevivência desta ave ameaçada, uma vez que o projecto LIFE Priolo termina no final do ano.

Existem cerca de 400 priolos

De acordo com o último censo realizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, existem cerca de 400 priolos, que vivem circunscritos a uma área de seis mil hectares de floresta (Serra da Tronqueira e Pico da Vara), na zona Oriental de São Miguel, já classificada como de protecção especial.

Com um peso médio de 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, o priolo foi considerado durante muitos anos como uma praga dos laranjais e a crescente destruição do seu habitat natural - a floresta de Laurissilva - conduziu-o à classificação de espécie ameaçada.

Em todo o Mundo, esta pequena ave apenas pode ser vista numa pequena área da ilha de São Miguel.

Sensibilizar a população local e os visitantes para a situação desta ave e do seu habitat, oferecer um programa apelativo com actividades ao nível da educação ambiental, lazer, voluntariado e novas oportunidades turísticas são os principais objectivos da nova valência em funcionamento há nove meses.

Além de uma sala de exposições, com painéis informativos interactivos, o centro ambiental dispõe de um pequeno auditório, balcão de recepção e sanitários.

O SPEA informa, ainda, que a 23 de Agosto vai decorrer uma maratona fotográfica na Serra da Tronqueira e está em preparação para o início de Outubro um novo curso para guias turísticos sobre a Zona de Protecção Especial (ZPE) do Pico da Vara/Ribeira do Guilherme e um acção de formação para professores sobre o priolo e o seu habitat.

Fonte da notícia: IOL Diário

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segunda-feira, 17 de março de 2008

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Muitas espécies de animais desaparecem todos os dias

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Açores, Azores, Ilhas dos Açores, conhecer os Açores, visitar os Açores

Jane Memmott é professora de Ecologia em Bristol e lidera vários projectos de investigação em todo o mundo na área das espécies invasoras. Esteve no Museu da Ciência, em Coimbra, onde há uma exposição que alerta para o perigo da extinção das espécies

"Um escaravelho raro sentado sobre uma orquídea num vale remoto dos Andes poderá segregar uma substância que cura o cancro do pâncreas." A frase vai passando num ecrã pendurado numa das paredes do Museu da Ciência em Coimbra, onde, até Junho, se pode visitar a exposição A Diversidade da Vida, 300 Anos de Lineu. A proposição que soa tanto a hipótese científica como a enunciado poético pretende, tal como toda a exposição, sensibilizar para o perigo do desaparecimento de espécies em todo o mundo.

Foi no contexto desta exposição que a professora de Ecologia da Universidade de Bristol, Reino Unido, Jane Memmott esteve no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), para a conferência Problemas no Paraíso: espécies invasoras, sistemas complexos e biologia da conservação.

Em miúdos: a biodiversidade está em risco e, muitas vezes, a culpa é nossa - umas de forma acidental, outras, consciente. Nesta longa história de mortes de plantas e de animais também acontecem acasos infelizes, como quando, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, uma espécie de cobra da Austrália foi transportada acidentalmente num navio para a ilha de Guam. O resultado foi uma praga responsável pela extinção de vários pássaros.

Já os restantes actos que sabemos terem consequências negativas para a biodiversidade não são novidade para ninguém: a caça, a poluição, a destruição de florestas.

Novidade é o modelo matemático criado por Jane Memmott que permite representar graficamente a complexidade das redes e cadeias naturais que nos circundam e que envolvem os insectos, as plantas nativas ou invasoras, os pássaros, as sementes, os predadores e as vítimas. O que ela conseguiu foi passar estas intrincadas e frágeis teias para o computador, reduzindo-as a um esqueleto, a um gráfico de linhas e cores. A ferramenta permite efectuar previsões, comparações entre territórios e, por fim, testar hipóteses no terreno, o que pode trazer grandes avanços à investigação na área.

Açores e Bristol

Jane Memmott lidera vários grupos de investigação em diferentes pontos do mundo, na área da Ecologia e das espécies invasoras, entre outras. Um dos estudos em curso pretende perceber a forma como a dispersão de sementes é afectada por plantas invasoras nos Açores. Neste projecto, está a trabalhar Ruben Heleno, um doutorando português de 26 anos que divide o tempo entre aquele arquipélago e Bristol.

Quando acabou o curso de Biologia em Coimbra, Ruben decidiu que queria seguir investigação. Um dia, sentou-se ao computador e começou a meter palavras no Google relacionadas com a sua área de estudo. Foi ter à página da Universidade de Bristol, depois a Jane Memmott, depois aos projectos de Jane Memmott e, quando dá por ele, já está a enviar um e-mail à professora e a obter uma resposta no próprio dia: ia para os Açores como doutorando orientado pela especialista de Bristol.

Quem também anda naquele arquipélago são os investigadores da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, com quem Ruben Heleno acaba por trocar informações. Tudo por causa de um pássaro chamado priolo (na ilustração), uma ave raríssima que existe apenas em S. Miguel e que está em perigo. Serão cerca de 200 a 400 os casais que habitam em certas zonas montanhosas da ilha, florestas ameaçadas por pastagens e produção de madeira.

O objectivo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves é recuperar 300 hectares de floresta natural - 150 já estão - controlando a expansão das espécies exóticas e voltando a plantar espécies nativas. É preciso aumentar o habitat do priolo, limpando as zonas afectadas pela espécie invasora (criptoméria-do-japão).

74 mortes por dia

Desde há 100 anos que a principal causa de extinção de espécies é a destruição de habitats pela mão humana, explica o director do Museu de Ciência, Paulo Gama Mota, acrescentando que a segunda é o aquecimento global.

Apesar de esta ser a sexta maior fase de extinções desde o início do mundo - a "mãe de todas as extinções" aconteceu há mais de 250 milhões de anos -, ela deve-se, em grande medida, à nossa acção: às transformações do uso do solo, à poluição, às mudanças climáticas... De acordo com algumas previsões (em artigos da Nature e no livro A Criação - Um apelo para salvar a vida na terra, de E.O. Wilson, por exemplo), até 2050 poderão desaparecer 25 a 35 por cento das espécies.

Exemplos de animais que já não existem em Portugal? O urso-pardo. Desapareceu por caça excessiva. O lobo-ibérico continua em perigo, graças à destruição de bosques, à caça furtiva, ao atropelamento e ao envenenamento (há apenas 200 em todo o país). Igualmente em perigo, em vários países da Europa, está o cágado-de-carapaça-estriada, por captura ilegal para fins comerciais, poluição da água, incêndios...

Vinte e sete mil espécies desaparecem por ano, 74 por dia, três por hora... Na exposição do Museu da Ciência, há um vídeo que projecta mensagens sobre o que podemos fazer: andar a pé, usar transportes públicos, poupar água, reduzir a utilização de sacos plásticos, reciclar o lixo, evitar madeiras exóticas... Jane Memmott vai todos os dias de bicicleta para a faculdade. Diz que é "uma sortuda" por causa disso.

Fonte da notícia: PÚBLICO PT

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Jorge Goncalves

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