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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Evolução ou criação?

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Criacionistas em Portugal. A ideia de que o 'Homo sapiens' descende de outros primatas e esses de outros animais e esses por sua vez de formas de vida mais incipientes, até ao início da vida algures há muitos mil milhões de anos, ninguém sabe como nem porquê é recusada por muito boa gente. Ora leia
Há quem não celebre 'A Origem das Espécies'
"Os protestantes não perdem uma ocasião de ter uma zanga com o mundo." Tiago Oliveira Cavaco, 31 anos, formado em Ciências da Comunicação na Universidade Nova, músico com discos editados ("Vou tendo bandas"), bloguer (de A Voz do Deserto, com subtítulo "religião e panque roque"), pai de três crianças (Maria, quatro anos, Marta, dois e Joaquim, um), cristão baptista e pregador "ainda não consagrado", diz- -se, no entanto, um criacionista brando. "Acredito naquilo em que o cristianismo ortodoxo acredita: que o mundo foi criado por Deus. Os católicos também acreditam nisso mas convivem bem com o evolucionismo, são mais preguiçosos. Nós agarramo-nos mais à Bíblia."
De facto, num país em que, dizem as sondagens e inquéritos, a maioria das pessoas é cristã católica, o que significa que acredita num ser superior e criador, responsável por tudo o que existe e atento a tudo o que se passa, e na vida depois da morte num lugar agradável chamado paraíso ou desagradável chamado inferno ou num sítio a meio caminho chamado purgatório dependendo de um sistema de pontos relacionado com boas e más acções, o ponto de partida do criacionismo não deve surgir como algo de muito extraordinário. Afinal, ser criacionista é basicamente crer que há um deus responsável por tudo o que existe e que a Bíblia é, além da palavra revelada desse deus, também um livro de história com o guião exacto do surgimento da Terra e da vida sobre ela. Até aqui, nada de substancialmente novo, certo? A diferença fundamental reside no facto de os criacionistas considerarem que o criacionismo é uma doutrina científica.
Ao contrário do que se passa com a maioria dos católicos, porém, os criacionistas, geralmente evangélicos, negam a possibilidade da evolução das espécies tal como é ensinada na escola, nomeadamente a parte em que a humanidade descende de outros primatas e é fruto de mais de um milhão de anos de diferenciações genéticas. Os criacionistas crêem que somos todos descendentes de um casal primordial - Adão e Eva, os próprios, ele feito de barro, ela de uma costela dele - cuja criação divina ocorreu há cerca de seis mil anos, e que como esse casal, criado já adulto como se narra no livro do Génesis, foram criadas todas as outras espécies, incluindo as extintas (como os dinossáurios, cuja extinção é geralmente localizada há 65 milhões de anos).
"As pessoas vêem-nos como excêntricos", reconhece Tiago Cavaco. "Mas se esta discussão não tivesse qualquer tipo de sustentabilidade científica ela não se aguentaria. E a verdade é que ganhou espaço. Os alegados factos científicos que fundamentam a teoria da evolução são rebatidos pelos bons criacionistas." Um bom criacionista será, por exemplo, o engenheiro electrónico portuense Agostinho Santos. Sessenta e cinco anos, trinta e três livros publicados ("e mais dez no computador"), o último dos quais em Julho passado, sobre dinossáurios, mergulha na literatura científica e depois "compatibiliza-a com a Bíblia". Por exemplo, sobre os dinossáurios: "Acredito que houve dinossáurios, até porque há evidência disso, pegadas, ovos, fósseis. Há quem não acredite, mas eu acredito, apesar de a Bíblia não falar deles. E não vejo nenhuma contradição entre a Bíblia e a ciência, aliás nunca se encontrou um erro na Bíblia. Quanto ao desaparecimento deles, o que Bíblia diz é que a certa altura houve um dilúvio universal - e há vestígios disso - e sepultou muitos animais. Este dilúvio teria sido uns 4500/5000 anos antes de Cristo. E acho que depois do dilúvio houve uma alteração da temperatura da Terra.
"Para o facto de apesar de segundo o relato bíblico Noé ter construído um barco onde colocou um casal de cada animal existente na Terra, para salvar os frutos da Criação, e de portanto assim ter tido forçosamente de salvar um casal de cada tipo de dinossáurio, o que impediria a sua extinção, Agostinho Santos tem uma explicação. "Na arca de Noé as espécies ficaram como que estranguladas. Só havia um casal de cada. Imaginemos que um dos dinossáurios ao sair da arca partiu uma perna. Acabava logo ali aquela espécie." Além disso, acrescenta, "ninguém na verdade sabe o que aconteceu aos dinossáurios. Há hipóteses"...
A ideia de que as respostas fundamentais daquilo a que se chama ciência às perguntas fundamentais (que somos, por que somos, de onde vimos, de onde veio tudo, porquê) não são mais que hipóteses metafísicas, uma questão de fé como aquela que "segura" o criacionismo é afinal o fulcro da explicação do criacionismo aos não convertidos. "Creio que tanto o evolucionismo como o criacionismo são modelos: com base nas mesmas descobertas e artefactos materiais é possível construir modelos distintos. Mas não considero que se possa chegar ao livro do Génesis e fazer uma interpretação literal - não se pode dizer que é um relato científico." Samuel Pinheiro, arquitecto e secretário-geral da Aliança Evangélica Portuguesa, é um defensor da possibilidade de, como sucede em alguns estados dos EUA, o criacionismo ser ensinado nas escolas públicas paralelamente ao evolucionismo: "O evolucionismo é totalitário, quer-se impor como a única forma de compreender o mundo." Até porque, garante, "as pessoas resistem de um modo geral à ideia de que tudo surgiu por acaso, crêem que existe uma inteligência em tudo o que existe". Quando dava aulas no liceu, e quando falava disso com os seus alunos, eles concordavam. "Diziam, professor, tem razão, nós também não acreditamos que tudo tenha surgido por acidente." E conclui: "Ou tudo surgiu a partir de nada ou tudo surgiu a partir de Deus - qual destas hipóteses é a mais credível?"
Jónatas Machado, 45 anos, constitucionalista, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e apontado por todos os evangélicos contactados como "o grande criacionista português", não tem dúvidas. "Quem é irracional é quem postula uma criação irracional e por acaso. Aliás, há fortes evidências científicas no sentido de uma criação ordenada. Por exemplo, a existência de leis naturais corrobora a existência de uma criação ordenada - a lei da gravidade, da biogénese, do movimentos dos planetas, são compatíveis com a ideia de uma criação inteligente. Uma outra evidência importante de criação inteligente é a quantidade inabarcável de informação que existe no genoma. Ora quando encontramos num qualquer sistema de informação codificada isso significa, alto lá, há aqui origem inteligente. E no DNA encontramos informação codificada em qualidade e densidade e quantidade que e excede a capacidade tecnológica humana, toda a capacidade da comunidade científica."
Especialista há poucos anos - "Fui em 2004 com um colega constitucionalista assistir a uma conferência do físico alemão criacionista Werner Ditt, e esse meu colega estava a ditar uma revista e queria um texto sobre criacionismo. Pediu-me 30 páginas e eu escrevi 70. A ideia era fazer um apanhado do que dizem as várias especialidades de cientistas criacionistas nas várias áreas" -, tornou-se, "quer queira quer não", a maior referência portuguesa em criacionismo: "Toda a gente me pergunta coisas e me convida para conferências." Com os seus principais textos criacionistas disponíveis na Net, no portal da Associação Evangélica Portuguesa, Machado afirma nunca se furtar ao diálogo e confronto. Sendo profundamente religioso, proclama-se também um adepto da liberdade e expressão e um inimigo de leis que condenem a blasfémia. "Gosto de debater com quem pensa diferente de mim. Ajuda-me a pensar." Ainda assim, há algo que não questiona: a existência e o porquê de Deus. "Quem não acredita em Deus tem de acreditar que tudo vem do nada. O ateu Richard Dawkins diz que o universo nasceu por acaso do nada, mas isso não é ciência, é metafísica. E mostra que o que está aqui em causa não é uma oposição entre ciência e fé, mas entre duas visões do mundo metafísicas, em função das quais toda a realidade é lida." Assim tão simples. E seja qual for a objecção encontrada, da idade das estrelas (orçada em muitos milhões de anos, quando para o criacionismo só podem ter seis mil) aos fósseis, passando pela inevitabilidade do incesto em série que estaria na base da humanidade criada a partir de um único casal, Jónatas Machado tem uma resposta. "Os criacionistas e os evolucionistas têm a mesma evidência: as mesmas rochas, os mesmos ossos, os mesmos artefactos. O que é diferente é a forma de os ver. Por exemplo, onde os evolucionistas vêem, nos genes, evidência de um ancestral comum, os criacionistas olham para os mesmos genes e vêem a evidência de um criador comum." Para resumir: "Newton dizia que ciência é uma engenharia do avesso, tentar perceber a criação de Deus da frente para trás. Pensar os pensamentos de Deus depois de Deus."





Fonte da notícia: DN Online

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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


A clonagem chega ao mundo dos primatas e desta vez não é ficção

Chama-se Semos, como o deus-macaco da versão mais recente do filme Planeta dos Macacos. Mas não é ficção científica: é um macaco Rhesus que vive no Centro Nacional de Investigação dos Primatas, no Oregon (EUA), e cujas células cutâneas serviram para clonar, pela primeira vez, embriões de macacos.


A partir desses embriões, Shoukhrat Mitalipov e os seus colegas geraram duas linhas de células estaminais embrionárias (CEE), que são capazes de originar todos os tecidos do organismo e cujas potencialidades terapêuticas podem ser imensas. Os resultados foram ontem divulgados on-line pela Nature e serão publicados a 22 Novembro.Até agora, ninguém tinha conseguido semelhante feito num primata. Já tinha havido várias "falsas partidas", tanto no macaco como no homem. Uma delas, aliás, revelar-se-ia fraudulenta, com cientistas sul-coreanos a anunciarem, em 2004, que tinham clonado embriões humanos e extraído daí linhagens de CEE humanas.

De facto, instalou-se um grande pessimismo nos anos que se seguiram ao nascimento de Dolly, em 1997. A tal ponto que, em 2003, Gerald Schatten, da Universidade de Pittsburgh, declarou, após 716 tentativas de clonar um primata, que isso talvez não fosse possível. "Com os métodos actuais", disse, "a produção de CEE [clonagem terapêutica] em primatas não-humanos pode revelar-se difícil - e a clonagem reprodutiva impossível".Ao passo que a clonagem terapêutica consiste em obter CEE a partir de embriões clonados que são a seguir descartados, a clonagem reprodutiva visa a implantação dos embriões no útero de fêmeas, para obter crias. A possibilidade de se fazer o mesmo no ser humano tem suscitado grandes preocupações.Dez anos de esforçosA equipa de Mitalipov estava há 10 anos a tentar a clonagem reprodutiva de primatas e, nesse processo, utilizaram 15 mil ovócitos. Em vão. Conta a nature.com que, "quando souberam que os resultados da Coreia do Sul eram fraudulentos, decidiram dedicar-se à clonagem terapêutica".Mas tiveram de modificar a técnica da Dolly, dita de "transferência nuclear de células somáticas", porque havia qualquer coisa que não resultava com os primatas. A técnica de base consiste em colher células do corpo de animais adultos, introduzi-las em ovócitos de fêmeas previamente esvaziados do seu ADN e em fundir as duas células, dando origem a um embrião geneticamente idêntico ao doador das células adultas.Os cientistas explicam as diferenças que introduziram: luz polarizada para ver o ADN do ovócito em vez de luz ultravioleta ou um pigmento especial, como acontece na técnica convencional; e uma solução de nutrientes que permite controlar melhor a activação dos ovócitos pelos genes da célula do doador adulto - que, neste caso, eram as células da pele do macaco Semos, com 9 anos de idade. A eficiência do novo processo é ainda muito reduzida - foram precisos 150 ovócitos para gerar cada linhagem de CEE -, mas funcionou. Todavia, nada foi anunciado antes de outra equipa ter confirmado os resultados.

Numa inédita decisão, os editores da Nature resolveram ter a certeza absoluta de que não estavam perante mais um falso alarme. Por isso, o artigo principal é acompanhado por outro, da autoria de David Cram e colegas da Universidade de Monash, na Austrália, que confirma que as CEE obtidas nos EUA provêm efectivamente de embriões clonados por transferência nuclear - e não foram obtidos por fertilização in vitro convencional ou partenogénese (formação de um embrião por divisão, sem fecundação).Ruth Francis, da Nature, disse ao PÚBLICO que isto tinha sido feito "dada a importância das implicações dos resultados para a investigação médica e para a história na área da clonagem", acrescentando que "tais verificações não devem ser vistas como uma marca de desconfiança em relação aos cientistas, mas como uma maneira directa de resolver logo as questões que iriam ser levantadas quanto à veracidade das experiências".As CEE obtidas parecem ser em tudo idênticas às CEE naturais. Em particular, explicou ontem Mitalipov numa conferência telefónica, já conseguiram transformá-las, in vitro, em células cardíacas e em neurónios. "E, quando as injectamos em ratinhos, elas formam tumores que indicam que podem, de facto, dar origem a todos os tecidos do organismo."Os cientistas querem melhorar a eficiência da técnica: "Seria bom utilizar apenas cinco a dez ovócitos para obter uma linhagem de CEE", diz Mitalipov. Mas o objectivo principal é utilizar os macacos Rhesus como modelo animal para testar aplicações das CEE em medicina humana, "por exemplo, na diabetes".150 ovócitos foram necessários para gerar uma linhagem de células estaminais embrionáriasNo domingo, a Universidade das Nações Unidas (UNU), um centro de estudo internacional com sede em Tóquio, no Japão, divulgou um parecer sobre a atitude que o mundo deveria adoptar face à clonagem humana.

O parecer concluía que, entre as hipóteses que se colocam à comunidade internacional, a mais viável do ponto de vista político seria a proibição global da clonagem reprodutiva humana, aliada à liberdade de cada nação permitir a investigação em clonagem terapêutica, mas em moldes estritamente controlados.

Basicamente, é este o sistema que vigora actualmente no Reino Unido. "Se não formos capazes de ilegalizar a clonagem reprodutiva, isso significa que, mais tarde ou mais cedo, vamos partilhar o planeta com indivíduos clonados", declarou Brendan Tobin, advogado do Centro Irlandês dos Direitos Humanos e um dos co-autores do documento, citado por um comunicado da UNU, acrescentando que, se isso acontecer, tonar-se-á indispensável garantir a protecção dos seus direitos.


Fonte da notícia: Última Hora Público Pt

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Jorge Goncalves

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