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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


A minha oração diária em MP3

My daily prayer in MP3
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Os jesuítas portugueses criaram um site na Internet que permite descarregar gratuitamente orações diárias para um MP3 e ouvi-las enquanto se "passeia na rua ou anda de bicicleta", acabando assim com as desculpas para não rezar.


Na quarta feira de cinzas, os padres jesuítas lançam o site
http://www.passo-a-rezar.net/, um projecto que convida os fieis a dedicarem "dez minutos de oração diária em mp3".


"Esperamos que ajude as pessoas a terem um contacto com a palavra de Deus, a porem a sua vida em oração e a rezarem através do MP3. Agora as pessoas vão poder rezar enquanto estão a passear na rua, num banco de jardim ou a andar de bicicleta", contou à Lusa o Padre Dário Pedroso, responsável pelo projeto do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração.


Já na terça feira à noite vão ficar disponíveis para download ou escuta imediata as orações para toda a semana.


No site, "há música, leitura do evangelho e pistas para as pessoas reflectirem e rezarem", explicou à Lusa Dário Pedroso.


No entanto, o padre jesuíta admite que entre os fiéis mais novos possa haver quem prefira ter no MP3 "outro tipo de músicas e de textos". "Mas nós esperamos conquistá-los", concluiu.


O projecto português é inspirado no sítio
http://www.pray-as-you-go.org/, criado em 2005 pelos jesuítas ingleses.


Neste momento, as meditações e pistas de oração são traduções do trabalho desenvolvido pelos ingleses mas, na Páscoa, os padres portugueses esperam que o site seja 100 por cento "made in Portugal".


Fonte: Correio da Manhã

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Quarta-feira de Cinzas

Ash Wednesday
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A Igreja Católica começa a viver esta Quarta-feira de Cinzas o tempo da Quaresma, uma etapa do percurso litúrgico que ao longo de 40 dias propõe uma mudança em profundidade, como forma de preparar a festa maior do Cristianismo, a Páscoa.


As
mensagens de vários Bispos do nosso país seguem de perto as reflexões de Bento XVI para a Quaresma de 2010, na qual o Papa convida os cristãos de todo o mundo a “contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário para viver segundo a própria dignidade de homem”. O texto apresenta uma reflexão sobre os conceitos de justiça e injustiça, assinalando que “aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei”.


O Dossier que a Agência ECCLESIA publica esta semana destaca a
mensagem assinada pelo Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, o qual aborda a realidade portuguesa, pedindo que haja “a coragem de promover entre os cidadãos uma verdadeira cultura de justiça, que supõe conjugação de esforços para a autêntica educação cívica e de valores”. “De outro modo – e os factos estão a confirmá-lo – será difícil garantir eficácia à nossa justiça, sujeita como está a toda a espécie de pressões e cada vez mais embrulhada em jogos de interesses”, alerta.


Por seu lado,
José Dias da Silva, vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz, escreve que “somos chamados a exigir de todos, governo, oposição e a sociedade nas múltiplas valências e talentos, que, com respeito pela democracia e pelo sentido de Estado, dêem prioridade a um clima de harmonia na diversidade de projectos”. “Em nome do amor, somos chamados a combater, por todos os meios, a corrupção, esse monstro que conspurca a nossa sociedade e está disseminada por todos os estratos sociais”, atira.


Acácio Catarino defende que numa Quaresma de crise “seria razoável que, sobretudo, os leigos católicos se lembrassem que estão «condenados», felizmente, a viver, em comunhão plena e para sempre, na bem-aventuraça eterna; por isso, nada perderiam se «ensaiassem» essa comunhão, na vida terrena”.


Em entrevista ao programa da Igreja Católica na Antena 1, Fr. José Nunes, professor de teologia na UCP, destaca que o tempo quaresmal ajuda os cristãos a centrarem atenções no “cerne” da sua fé, que é a “festa da Páscoa”. A ressurreição de Jesus, sublinha, é o momento que o distingue como “aquele a quem se deve seguir”. O “número simbólico” dos 40 dias lança os católicos numa caminhada de “ascese, interioridade, conversão.

“Os cristãos na Quaresma procuram rezar mais intensamente, para se prepararem para essa grande festa da Páscoa. É também um tempo de luta, de luta contra o mal, digamos assim”, indica.


O teólogo dominicano sublinha que este esforço de conversão não é apenas uma questão privada, interior, mas visa “todos os males do mundo, todas as formas de morte, porque a Páscoa é a vitória da vida”.


Outra prática habitual deste tempo, o jejum, não deve ser vista como uma mortificação ou algo que interesse por si mesmo. “Jesus nunca pediu sacrifícios pelo sacrifício”, observa. Assim, a autodisciplina do jejum tem em vista “um projecto de vida” e permitir “ajudar outros”, com o que se poupa através desse esforço.


História e espiritualidade


A Quaresma é, no Ano Litúrgico, o tempo preparatório da Páscoa, a grande celebração do mistério da Salvação pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Na actual disciplina litúrgica, vai da Quarta-Feira de Cinzas até Quinta-Feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal.


Inicialmente durava 3 semanas, mas depois, em Roma, foi alargada a 6 semanas (40 dias), com início no actual I Domingo da Quaresma (na altura denominado Quadragesima die, entenda-se 40.º dia anterior à Páscoa).


O termo Quadragesima (a nossa "Quaresma") passou depois a designar a duração dos 40 dias evocativos do jejum de Jesus no deserto a preparar-se para a vida pública. Como, tradicionalmente, aos Domingos nunca se jejuou, foi necessário acrescentar alguns dias para se perfazerem os 40. Daí a antecipação do início da Quaresma para a Quarta-Feira de Cinzas.


A cinza recorda o que fica da queima ou da corrupção das coisas e das pessoas. Este rito é um dos mais representativos dos sinais e gestos simbólicos do caminho quaresmal.


Nos primeiros séculos, apenas cumprem este rito da imposição da cinza os grupos de penitentes ou pecadores que querem receber a reconciliação no final da Quaresma, na Quinta-feira Santa, às portas da Páscoa. Vestem hábito penitencial, impõem cinza na sua própria cabeça, e desta forma apresentam-se diante da comunidade, expressando a sua vontade de conversão.


A partir do século XI, quando desaparece o grupo de penitentes como instituição, o Papa Urbano II estendeu este rito a todos os cristãos no princípio da Quaresma. As cinzas, símbolo da morte e do nada da criatura em relação a seu Criador, obtêm-se por meio da queima dos ramos de palmeiras e de oliveiras abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos.


Este Domingo dá início à Semana Santa, que conclui a Quaresma e tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo a partir da sua entrada messiânica em Jerusalém


Uma prática penitencial preparatória para a Páscoa, com jejum, começou a surgir a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.


Nos primeiros tempos da Igreja, durante esse período, estavam na fase final da sua preparação os catecúmenos que, durante a vigília pascal, haveriam de receber o Baptismo. Por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja. Tradicionalmente, a Igreja recomenda as práticas da oração, o jejum e a esmola.


Na Liturgia, este tempo é marcado por paramentos e vestes roxas, pela omissão do "Glória" e do "Aleluia" na celebração da Missa.


Fonte: Agência Ecclesia

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

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Carnaval

Carnival / Mardi Gra
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O Carnaval, que se vive nos próximos dias um pouco por todo o mundo, é uma festividade popular colectiva, cíclica e agrária. Teve como verdadeiros iniciadores os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no ano 4000 a.C., e uma segunda origem, por assim dizer, nas festas pagãs greco-romanas que celebravam as colheitas, entre o séc. VII a.C. e VI d.C.


A Igreja viria a alterar e adaptar práticas pré-cristãs, relacionando o período carnavalesco com a Quaresma. Uma prática penitencial preparatória à Páscoa, com jejum começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência


Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II foram grandes inimigos do Carnaval, mas, no ano 590, a Igreja Católica permite que se realizem os festejos do Carnaval, que consistiam em desfiles e espectáculos de carácter cómico.


No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o Carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.


Sobre a origem da palavra Carnaval não há unanimidade entre os estudiosos, mas as hipóteses “carne vale” (adeus carne!) ou de “carne levamen” (supressão da carne) levam-nos para o início do período da Quaresma. A própria designação de Entrudo, ainda muito utilizada entre nós, vem do latim “introitus” e apresenta o significado de dar entrada, começo, em relação a esse tempo litúrgico.


Carnaval paroquial


Na paróquia da Glória, Aveiro, os foliões irão percorrer (dia 14 e 16 de Fevereiro) as ruas da cidade e transportar consigo um “carnaval trapalhão” – disse à Agência ECCLESIA Carlos Pires, da comissão organizadora deste evento aveirense.


Com mais de duas décadas de existência, o carnaval desta paróquia tem uma longa tradição. Actualmente, o Pe. João Gonçalves já não é pároco da Glória, mas foi um dos pais desta iniciativa. “Participei em mais de vinte” – referiu. Outrora, o ex-líbris da cidade, a ria, servia também de palco carnavalesco. Alguns dias antes do carnaval, o rei do corso “chegava de moliceiro”. “Dava um cunho muito característico à iniciativa” – explicou o Pe. João Gonçalves.


Aveiro engalanava-se nesses dias e recebia “multidões”. “Era o evento que congregava mais pessoas na cidade” – recorda o antigo pároco da Glória. Com um percurso longo, o cortejo percorria as ruas aveirenses. “Era um carnaval muito popular onde todos podiam desfilar”. E acrescenta: “apesar do perigo da ria, nunca tivemos nenhum incidente”.


Depois de dois anos de interregno, o corso da Glória volta, novamente, animar as ruas citadinas. A comissão do carnaval da Glória está a preparar três carros alegóricos, mas conta com a participação dos foliões que aparecem. “Temos garantida a presença do grupo das Barrocas” – referiu Carlos Pires. Os mascarados e fantasiados darão brilho e cor ao carnaval da paróquia. Fruto do voluntariado, os elementos da comissão andam numa azáfama: “Trabalhamos todos os dias, menos ao Domingo”.


Este ano os símbolos aveirenses (sal, marnotos, moliceiros e ovos moles) não estarão em destaque no corso. “Irá reinar o tema da justiça, «face oculta», sucatas e instituições bancárias” – confidenciou este elemento da organização. E avança: “a justiça que não há”.


O rei e a rainha do cortejo são dois elementos da paróquia que levarão “trajes adequados” e que “fazem parte do nosso património”. Um carnaval gratuito, “não cobramos bilhetes”, onde a ironia e o lado trocista não faltarão. No entanto - ressalva Carlos Pires – “proibimos pessoas que ofendam a Igreja”. Nos outros anos “aconselhámos pessoas a sair do cortejo”.


Propostas alternativas


A Comunidade Cristo de Betânea, em Fátima, organiza um carnaval alternativo. Marta Pereira salienta que a comunidade “aproveita este tempo de férias dos jovens para lhes proporcionar momentos diferentes”. Em declarações à Agência ECCLESIA, esta responsável realça que é um “tempo de discernimento e divertimento”.


Um carnaval alternativo (de 13 a 16 de Fevereiro) com dramatizações, jogos e canções. “Depende dos dons dos participantes” – reconhece Marta Pereira. Segundo o programa está previsto “caminhadas pela zona de Fátima, a visita ao Centro João Paulo II (tem deficientes profundos) e a ida a um lar de idosos”.


Com mais de dez anos, o carnaval nesta comunidade já “tem tradição e costuma juntar algumas dezenas de participantes”. Após estes momentos de divertimento, Marta Pereira disse que formam também os presentes sobre o tempo quaresmal. “Temos ensinamentos esclarecedores sobre a Quaresma”.


Também nos dias de Carnaval, embora não sendo uma celebração específica desta quadra, a Diocese do Porto será “invadida” por milhares de jovens para o Encontro Ibérico da Comunidade ecuménica de Taizé.


De 13 a 16 de Fevereiro, portugueses, espanhóis e jovens de mais de 20 países vão procurar as fontes da alegria através: de uma experiência de hospitalidade proporcionada pelas famílias da Invicta; da beleza de uma comunhão com Deus celebrada em orações comunitárias; da descoberta de iniciativas que visam dar um rosto mais humano à sociedade; do encontro com jovens vindos de horizontes muito diversos; da reflexão bíblica e sobre a relação da fé com temas sociais, culturais ou artísticos e de uma vivência concreta em Igreja, em espírito de simplicidade, partilha e acolhimento.


Fonte: Agência Ecclesia

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Encontro ibérico de Taizé

Youth from across Europe gather in Porto, Portugal, in prayer
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Cerca de seis mil jovens participam no encontro ibérico da Comunidade Taizé, que começa amanhã no Porto.

Só do estrangeiro vêm mais de dois mil participantes, de 25 países, uma vez que a esta iniciativa quiseram juntar-se jovens para além de Portugal e Espanha.

Até ao dia 16, o encontro vai contar com várias actividades, como explica o irmão David, o único português que vive junto desta comunidade ecuménica sediada no sul de França.

“Contámos seis mil participantes, tendo em conta as famílias de acolhimento, os jovens das paróquias que vão acolher os que vêm de fora. Vão reunir-se todas as manhãs em 39 paróquias do Porto, da tarde reúnem-se em workshops no centro da cidade, e à noite reúnem-se para o momento alto do encontro, que será a oração.”

O encontro Ibérico de Taizé decorre no âmbito da Missão 2010 da Diocese do Porto, e tem como mote “As fontes da Alegria”, algo que D. Manuel Clemente associa à convivência com Cristo.

Esta é uma iniciativa que decorre até à próxima terça-feira, no Porto.


Fonte: Renascença

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quinta-feira, 9 de abril de 2009

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Quinta-feira Santa

HOLY THURSDAY
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Ritos de Quinta-feira Santa darão início ao ciclo de celebraçãos mais importantes no calendário da Igreja

Entre todas as semanas do ano, a mais importante para os cristãos é a Semana Maior, que foi santificada pelos acontecimentos que a liturgia celebra, da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor – o Mistério Pascal.
A peregrina do séc. V, Eteria, começa a sua relação da semana santa em Jerusalém escrevendo: «O dia seguinte, domingo, é o começo da semana da Páscoa ou Semana Maior, como a chamam aqui».

De facto, esta semana é o coração e o centro de toda a liturgia anual, nela se celebra o mistério da redenção, o grande sinal do amor de Deus salvador. «A Páscoa é o cume», assim resume esta festa um escritor dos primeiros séculos.

O cristão entra nesta Semana com o espírito de paz interior e recolhimento. A Quaresma foi um tempo de trabalho, disciplina, conversão, cerimónias penitenciais, agora chegou o tempo de descansar na Paixão de Cristo. «Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito» (Jo. 3, 16). Toda a Paixão é sinal do amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo.

A devoção da Semana Santa nasceu da piedade dos primeiros cristãos de Jerusalém, onde Jesus sofreu a sua paixão. Por isso, desde os primeiros séculos, Jerusalém tornou-se lugar de peregrinações para os cristãos que gostavam de visitar os lugares da paixão. Nós participamos nos mistérios de Cristo não apenas com o sentimento ou imaginação, mas antes de tudo com a fé.


2 – O tríduo pascal começa com a missa vespertina da ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, alcança o seu apogeu na vigília pascal e termina com as vésperas do domingo de Páscoa. Todo este espaço de tempo forma uma unidade que inclui os sofrimentos e a glória da ressurreição. O bispo de Milão, Santo Ambrósio, refere nos seus escritos os «três santos dias» e o bispo de Hipona, Santo Agostinho, nas suas cartas chama-os «os três sacratíssimos dias da Crucifixão, sepultura e ressurreição de Cristo».


A Quinta-Feira Santa está marcada pela instituição da Escritura, «verdadeiro sacrifício vespertino» (cf. 141, 2). O ritual proíbe a celebração da eucaristia sem fiéis e recomenda a concelebração, que confere à cerimónia litúrgica uma nota de eclesialidade eucarística e de unidade entre eucaristia e sacerdócio. A cerimónia sugestiva e humilde do Lava-Pés orienta-se também para a Eucaristia.

Os textos litúrgicos mostram a entrega de Jesus Cristo para a salvação da humanidade. Jesus celebra a Páscoa judia mas oferece o seu corpo e sangue em lugar do cordeiro imolado no Templo, para selar a Nova Aliança. O Lava-Pés é sinal do «amor até ao fim» (Jo. 13, 1). A transladação solene do Santíssimo Sacramento, é um sinal de continuidade entre o sacrifício e a adoração da presença sacramental.


A Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor é constituída por uma liturgia austera e sóbria. O centro da celebração é uma «sinaxis» (assembleia litúrgica) não eucarística que na liturgia antiga se chamava «missa dos presantificados». Os paramentos são vermelhos e a liturgia desenvolve-se em três momentos – a liturgia da Palavra, com a leitura do IV cântico do poema do Servo de Deus (Is. 52, 13), a carta aos Hebreus com a passagem do Sumo Sacerdote «causa de salvação para os que lhe obedecem» (Heb. 4, 14), e a Paixão segundo São João, o teólogo místico que vê na cruz a exaltação de Cristo. Às leituras segue-se a oração universal; - a adoração da cruz com a antífona de origem bizantina «adoramos Senhor a vossa cruz… pelo madeiro veio a alegria a todo o mundo» e os impropérios nos quais Jesus reprova a ingratidão do seu povo; - a comunhão com o Pão eucarístico consagrado na tarde de quinta feira santa. A piedade popular gosta de participar na procissão do Enterro do Senhor e comove-se com a presença da Senhora da Soledade acompanhando o seu Filho morto.


A Sexta-feira é um dia de intenso luto e dor mas iluminado pela esperança cristã. A devoção à Paixão do Senhor está fortemente arreigada na piedade cristã. A peregrina Eteria, ao descrever as cerimónias em Jerusalém, por volta do ano 400, diz: «dificilmente podeis acreditar que toda a gente, velhos e jovens, chorem durante essas três horas, pensando no muito que o Senhor sofreu por nós».

A Igreja apresenta grande austeridade, nada distrai o nosso olhar do altar e da cruz, o povo cristão fica vigilante junto à cruz do Senhor e da Virgem da Soledade.


O grande Sábado Santo, é um dia de serena esperança e preparação orante para a ressurreição. Os cristãos dos primeiros séculos jejuavam neste dia como em sexta feira santa, era o tempo em que o esposo os tinha deixado (Mt. 2, 19).

O Ofício Divino é rezado perante o altar desnudado, presidido pela cruz e tem um acento de meditação e repouso. A piedade cristã ora perante a imagem da Virgem das Dores, «ela no grande Sábado, recolheu a fé de toda a Igreja… só ela entre todos os discípulos esperou vigilante a ressurreição do Senhor». (Missa da Virgem Maria).

A Vigília Pascal é uma vasta celebração da Palavra de Deus que continua com o baptismo e continua com a Eucaristia. Os símbolos são abundantes e de uma grande riqueza espiritual – o ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus e a marcha de Israel no deserto guiado pela coluna de fogo; a liturgia da Palavra com Salmo e oração, percorrendo as etapas da história da salvação; a liturgia da iniciação cristã que incorpora novos filhos na Igreja; a renovação das promessas do baptismo e aspersão com a água benta que recorda a água do nosso baptismo; por fim a eucaristia que proclama a ressurreição do Senhor, esperando a sua última vinda (1 Cor. 11, 26).

A liturgia convoca de novo os fiéis para o «dia que fez o Senhor» na missa do dia. A piedade cristã realiza a procissão de Cristo ressuscitado, ornamentando as estradas, estalando foguetes, tocando sinos e ao som da música entoa o «Regina coeli» à mãe de Jesus. O Aleluia, que fora suprimido na Quaresma, aparece repetidas vezes em sinal de alegria e vitória, de forma que o Aleluia pascal se tornou a aclamação própria do mistério pascal.


A magnífica liturgia pascal põe em relevo uma nota escatológica que indica a meta para onde nos dirigimos seguindo Cristo e que São Paulo apresenta na carta aos Coríntios: «Sempre que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos a tua morte Senhor, até que venhas» (1Cor. 11, 26).

† Teodoro de Faria, Bispo emérito do Funchal


Fonte: Agência Ecclesia

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

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Carnaval, Cinzas e Quaresma

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Olhando para o calendário, rapidamente se percebe que é a Páscoa quem rege o Carnaval: a Páscoa é celebrada no primeiro Domingo da lua cheia após o Equinócio da Primavera, no hemisfério Norte. O Carnaval acontece entre 3 de Fevereiro e 9 de Março, sempre 47 dias antes da Páscoa, ou seja, após o sétimo Domingo que antecede o Domingo de Páscoa.

Carnaval

O Carnaval é uma festividade popular colectiva, cíclica e agrária. Teve como verdadeiros iniciadores os povos que habitavam as margens do rio Nilo, no ano 4000 a.C., e uma segunda origem, por assim dizer, nas festas pagãs greco-romanas que celebravam as colheitas, entre o séc. VII a.C. e VI d.C.

A Igreja viria a alterar e adaptar práticas pré-cristãs, relacionando o período carnavalesco com a Quaresma. Uma prática penitencial preparatória à Páscoa, com jejum começou a definir-se a partir de meados do século II; por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência.

Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e o Papa Inocêncio II foram grandes inimigos do Carnaval, mas, no ano 590, a Igreja Católica permite que se realizem os festejos do Carnaval, que consistiam em desfiles e espectáculos de carácter cómico.

No séc. XV, o Papa Paulo II contribuiu para a evolução do Carnaval, imprimindo uma mudança estética ao introduzir o baile de máscaras, quando permitiu que, em frente ao seu palácio, se realizasse o Carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, corridas de corcundas, lançamento de ovos, água e farinha e outras manifestações populares.

Sobre a origem da palavra Carnaval não há unanimidade entre os estudiosos, mas as hipóteses “carne vale” (adeus carne!) ou de “carne levamen” (supressão da carne) levam-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma. A própria designação de Entrudo, ainda muito utilizada entre nós, vem do latim “introitus” e apresenta o significado de dar entrada, começo, em relação a esse tempo litúrgico.

Cinzas

No dia seguinte, a cinza recorda o que fica da queima ou da corrupção das coisas e das pessoas. Este rito é um dos mais representativos dos sinais e gestos simbólicos do caminho quaresmal.

Nos primeiros séculos, apenas cumprem este rito da imposição da cinza os grupos de penitentes ou pecadores que querem receber a reconciliação no final da Quaresma, na Quinta-feira Santa, às portas da Páscoa. Vestem hábito penitencial, impõem cinza na sua própria cabeça, e desta forma apresentam-se diante da comunidade, expressando a sua vontade de conversão.

A partir do século XI, quando desaparece o grupo de penitentes como instituição, o Papa Urbano II estendeu este rito a todos os cristãos no princípio da Quaresma. As cinzas, símbolo da morte e do nada da criatura em relação a seu Criador, obtêm-se por meio da queima dos ramos de palmeiras e de oliveiras abençoados no ano anterior, na celebração do Domingo de Ramos.

Quaresma

O termo Quaresma deriva do latim "quadragesima dies", ou seja, quadragésimo dia. É o período do ano litúrgico que dura 40 dias: começa na quarta-feira de cinzas e termina na missa "in Coena Domini" (Quinta-Feira Santa), sem inclui-la.

O sexto Domingo, que dá início à Semana Santa, é chamado "Domingo de Ramos", "de passione Domini". Desse modo, reduzindo o tempo "de passione" aos quatro dias que precedem a Páscoa, a Semana Ssanta conclui a Quaresma e tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo a partir da sua entrada messiânica em Jerusalém.

Uma prática penitencial preparatória para a Páscoa, com jejum, começou a surgir a partir de meados do século II; outras referências a um tempo pré-pascal aparecem no Oriente, no início do século IV, e no Ocidente no final do mesmo século.

Nos primeiros tempos da Igreja, durante esse período, estavam na fase final da sua preparação os catecúmenos que, durante a vigília pascal, haveriam de receber o Baptismo.

Por volta do século IV, o período quaresmal caracterizava-se como tempo de penitência e renovação interior para toda a Igreja, inclusive por meio do jejum e da abstinência, marcas que ainda hoje se mantêm.

Na Liturgia, este tempo é marcado por paramentos e vestes roxas, pela omissão do "Glória" e do "Aleluia" na celebração da Missa.
Nacional Octávio Carmo 23/02/2009 11:02 4342 Caracteres
2737 Quaresma



Fonte: Agência Ecclesia

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Jorge Goncalves

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