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Um blog de cartoons sobre as notícias da actualidade. Um sector informativo do Grupo Galeriacores.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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Sexta-feira Santa

The Crucifixion
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Milhares de sacerdotes, fiéis e peregrinos participam todos os anos nas celebrações de Sexta-feira Santa, na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, localizada no local em que a tradição afirma que Jesus foi crucificado e sepultado.


Os peregrinos se ajoelharam para beijar a pedra que marca o local em que o corpo de Jesus foi colocado após a crucificação.


A procissão da Via-Sacra, seguindo os passos que Cristo fez nas ruas da Jerusalém antiga, marca o fim do dia.


Santo sepulcro


Na liturgia judaica, a Páscoa era essencialmente um memorial. O recordar da libertação da escravidão do Egipto (Ex. 12, 14). Tem como data o novilúnio da Primavera, ou seja o 14 de Nisan, e prolonga-se por toda a semana. Talvez originada de duas festas antiquíssimas: uma de origem rural, com a oferta dos primeiros frutos da terra (o pão ázimo); outra de origem nómada, em que se sacrificava o cordeiro, como primícias dos rebanhos. Na Páscoa, o povo Judeu celebrava, de modo exultante, a libertação do Egipto, fazendo do Êxodo uma nova criação de Deus, e por isso conferindo à festa um carácter messiânico. Recordando o Êxodo numa perspectiva messiânica, a Páscoa como que interpela o povo para a libertação escatológica, a qual acontecerá no reino de Deus.


Podemos dizer que toda a simbologia da liturgia pascal que se celebrava no Templo encontrará a sua plena realização na nova Páscoa, a Páscoa de Jesus Cristo, tal como no-la apresenta a carta aos Hebreus e muitos dos padres da Igreja. A própria vida de Jesus, especialmente a sua paixão e morte, pode ser interpretada à luz duma grelha de leitura que tem, como núcleo constituinte, a liturgia pascal judaica.


O Santo Sepulcro é, para os cristãos, o lugar mais sagrado de Jerusalém, aquele que concentra as emoções mais secretas do peregrino. Na época de Jesus, este local deveria estar além muralhas da cidade, e num sítio mais alto, porque todos deveriam ver os condenados a penas capitais. Chamava-se Gólgota, deriva do aramaico gulgoleth, que significa lugar do crânio, um pouco pela forma arredondada que é semelhante a um crânio e um pouco pela lenda que afirma: "Adão foi ali sepultado".


A 15 de Julho de 1099, os cruzados conquistaram a cidade de Jerusalém e acharam a igreja, que tinha sido reconstruída pelo imperador Constantino Monomaco, bela, mas não suficientemente grandiosa para este acontecimento central do cristianismo. Os cruzados empenharam-se e realizaram obras de melhoramento e embelezamento e a nova igreja foi sagrada em 1149.


Durante séculos a igreja sofreu poucas modificações até ao célebre incêndio de 1808. Nesta triste ocasião, o mundo ocidental estava mais preocupado com as batalhas napoleónicas e não prestou atenção aos pedidos de ajuda para a sua reconstrução.


Os monges gregos, rivais antigos dos latinos, aproveitaram-se da ocasião e obtiveram autorização para restaurar a igreja, ficando como árbitros da situação. Infelizmente não se tratou de um restauro, mas um apagar de tudo o que fizesse lembrar o mundo latino. Actualmente o Santo Sepulcro é subdividido entre seis comunidades religiosas: católica, greco-ortodoxa, arménia, copta, síria e abissina.


No topo do Gólgota, ao qual se pode subir por meio duma escada, existem hoje duas capelas: uma católica e outra greco-ortodoxa. Na católica situam-se duas estações da Via-Sacra: "Jesus desnudado e Jesus crucificado". Na capela greco-ortodoxa está a estação: "Jesus morto na cruz".


Na parte inferior do altar emerge o cume duma rocha: um sinal de prata indica o lugar onde, provavelmente, foi pregada a cruz. Entre as duas capelas encontramos o Stabat Mater em lembrança da agonia de Maria pela morte do seu filho.


Uma pedra de calcário, com tons rosados, representa para os latinos, o lugar onde, sobre o corpo de Jesus, depois de retirado da cruz, foi espalhada "uma composição de mirra e aloés".


Uma construção no centro do Anástasis. Através do coro latino, chega-se à edícula, formada por dois ambientes: a capela do anjo e a câmara mortuária, uma pequeníssima câmara "ad arcololium", que é também a última estação da via dolorosa. Uma laje de mármore branco com quase dois metros de comprimento fecha a rocha originária daquele túmulo. Sobre este estão penduradas 43 lâmpadas de prata: os gregos, latinos e arménios possuem treze cada e os coptas têm quatro.


A Capela de Santa Helena, pertença da comunidade arménia, foi dedicada à mãe de Constantino a qual, através da força da fé, descobriu aqui o túmulo e a cruz de Cristo.


O Túmulo de José de Arimateia é o único lugar do santo Sepulcro que pertence à comunidade abissínia.


A igreja de S. Marcos, que faz parte do convento dos jacobitas, é da comunidade sírio-ortodoxa.


Já a igreja de S. Tiago, o Maior, é pertença da Igreja arménia-ortodoxa. O interior, ricamente adornado, conserva pedras relacionadas com os lugares bíblicos: Sinai, Tabor e Jordão.


A última ceia


A sudoeste da cidade velha, o Monte Sião concentra um dos monumentos mais importantes da fé cristã: desde os tempos mais antigos, dizem que aqui se realizou a Última Ceia, durante a qual foi instituída a Eucaristia.


No século XV, os maometanos conquistaram o Monte Sião e alteraram a Igreja, tornando-a uma mesquita. Durante muitos anos foi proibida a entrada neste lugar aos cristãos e aos hebreus.


Segundo diz a tradição bíblica, nesta sala, situada perto da Igreja da Dormição, durante a Ceia Pascal, Jesus Cristo, instituiu a Eucaristia na presença dos apóstolos quando tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos Seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei: Isto é o meu corpo. Tomou, em seguida, um cálice, deu graças e entregou-lho dizendo: Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da nova aliança, que vai ser derramado por muitos para remissão dos pecados" (Mt. 26, 28; Mc. 14, 22-24). No entanto, simultaneamente, Jesus Cristo instituiu também o Sacerdócio, pelo que o Evangelista S. Lucas, no passo paralelo referente à Eucaristia, ainda acrescentou: "Fazei isto em minha memória" (Lc. 22, 19).


Pouco tempo depois, "quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios de Espírito Santo" (Act. 2, 1-4).


Devido a todos estes acontecimentos o local passou a ser venerado e julga-se que no segundo século da era cristã, existia ali uma capela que foi depois substituída por um novo templo, desaparecido mais tarde com a invasão dos persas em 614.


Actualmente, na parte inferior do edifício venera-se o túmulo do Rei David e na parte superior, primeiro andar, está a Sala do Cenáculo.


Fonte: Agência Ecclesia

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

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Sexta-feira Santa

HOLY FRIDAY



O silêncio, o jejum e a oração são os traços marcantes desta Sexta-feira Santa, dia em que os cristãos celebram a Paixão e Morte de Jesus, recorda a Lusa.

Único dia no calendário católico em que não se celebra a eucaristia, é só também na igreja de Roma que se encontra a prática da reconstituição dos últimos passos de Cristo através da Via Sacra, durante esta tarde.

Nas igrejas evangélicas, a Sexta-Feira é dia de reflexão sobre o sacrifício de Jesus, mas sem tristeza, por estar ligado à Ressurreição, sendo das celebrações mais participadas.

Para a Igreja Católica, é dia de luto e de choro, que se inicia com a celebração da Paixão e adoração da cruz, após o que se realiza a Via Sacra ou Caminho da Cruz.

Segundo a lenda, Maria, mãe de Jesus, terá percorrido, nos primeiros anos do cristianismo, por várias vezes, o caminho que Cristo fez entre a casa do prefeito romano Pôncio Pilatos até ao Calvário, devoção que terá sido adoptada pelos peregrinos que visitavam Jerusalém.

Esta devoção foi posteriormente espalhada por todo o mundo, tendo o papa Bento XIV, no século XVIII, dado forma final à Via Sacra, estabelecendo as 14 estações em que se encontra actualmente dividida.

À Via Sacra segue-se a Procissão do Enterro do Senhor, tradição que se revive em todo o país, na qual o esquife com o corpo de Jesus percorre as ruas das localidades, acompanhado por orações.

O último ritual de Sexta-Feira Santa é a «procissão para ir buscar a hóstia», recolhendo-se as partículas consagradas guardadas na véspera para se proceder à comunhão dos fiéis.

Ao longo da Quaresma, mas muito especialmente em Sexta-feira Santa, realiza-se pelo país fora a Procissão do Senhor dos Passos, recriando a paixão e morte de Cristo, muitas vezes associada à procissão do Encontro, que recorda o momento em que Maria, mãe de Jesus, se encontrou com Cristo no Calvário.

A Sexta-feira Santa é o segundo dos dois dias do ano em que a Igreja Católica torna obrigatório o jejum (o outro é Quarta-feira de Cinzas).

De acordo com as normas, o jejum, na sua forma tradicional, significa que se deve limitar a alimentação a uma refeição, permitindo-se, contudo, a ingestão de alimentos ligeiros às horas das outras refeições.

Hoje em dia considera-se que os fiéis cumprem o jejum privando-se de «uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência».

O Tríduo Pascal, iniciado na Quinta-Feira Santa, tem sábado o seu apogeu com a Vigília Pascal, terminando com as vésperas do Domingo de Páscoa. O tempo pascal continua até à celebração do Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa.



Fonte: IOL TVI 24

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sexta-feira, 21 de março de 2008

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Hoje é dia de comer peixe.

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Açores, pesca, Azores, peixe, cartaz turístico, viagens e passeios, ilhas dos Açores


Uns por convicção, outros por tradição. Muitos católicos optam, hoje, por se abster de comer carne, optando por se alimentar de peixe. Em dia de Sexta-Feira Santa, a Igreja Católica recomenda, na sua doutrina tradicional, que os crentes recordem a morte de Jesus também através da alimentação. Mas o que tem o peixe a ver com o facto de Jesus ter morrido?


Num estudo sobre as origens desta tradição, o teólogo Cyrille Vogel (em Eucharisties d"Orient et d"Occident, ed. Cerf, Paris), propõe que o peixe, mais que um substituto da carne, era, entre os primeiros cristãos, um elemento de uma refeição sagrada. Possivelmente, uma tradição herdada do judaísmo, em primeiro lugar, e de outras religiões.


No caso cristão, o peixe como "alimento sagrado" está também fortemente filiado em várias das refeições de Jesus contadas nos evangelhos - e, em especial, nas refeições após a ressurreição, quando Jesus se encontra com os seus companheiros mais próximos. Terá sido na Síria, diz Vogel, que pela primeira vez o peixe como simbólica cristã foi introduzido.


"Olha-se muitas vezes para o cristianismo como religião do sofrimento, do sacrifício e da reparação", diz João Eleutério, padre e professor de Teologia dos Sacramentos na Universidade Católica, referindo-se à proposta tradicional da abstinência. "Mas o ponto de partida devem ser as refeições pascais de Jesus, após a ressurreição. É sobretudo a liberdade de Jesus, na entrega que ele livremente faz de si mesmo, que está em causa, e não um qualquer fatalismo.


"Terá sido Tertuliano (180-220 d. C.), um cristão romano que não conhecia o judaísmo, a travestir a tradição e a propor a abstinência de carne como alimento. Já em meados do século V, Eznik de Kolk escreve que, como Jesus comeu peixe depois de ressuscitar, os cristãos devem seguir-lhe o exemplo. O peixe tinha outro simbolismo entre os cristãos: a palavra grega, ichthys, servia de acróstico para Iesus Christus Theos Yctis Soter, ou seja, Jesus Cristo Filho de Deus Salvador.


A evolução histórica e a codificação normativa fizeram o resto e o peixe, em vez da carne, passou a ser a norma para os dias de jejum e abstinência obrigatórios - hoje limitados a Quarta-Feira de Cinzas (primeiro dia da Quaresma, o tempo de preparação da Páscoa) e a Sexta-Feira Santa.


Em dois documentos, de 1982 e 1985, a Conferência Episcopal Portuguesa diz que "a abstinência consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre". Mas o texto oscila, depois, recordando que "a sua concretização na disciplina tradicional da Igreja é a abstenção de carne".


O padre Pedro Ferreira, director do Secretariado Nacional de Liturgia, da Igreja Católica, afirma que o espírito deve ser o de se abster de comer "alguma coisa em benefício de outro mais necessitado".


Reconhecendo que falta uma pedagogia mais contemporânea, João Eleutério concorda: "Estamos presos a uma tradição, precisamos de entrar na lógica de que queremos fazer determinado gesto por opção positiva, por oblação, e não como sacrifício no mau sentido."

Questões sobre o peixe



Comer peixe é um hábito dos portugueses que se estende a muitos outros dias e que está a ser visto como um "pecado" contra o planeta.

O preço do peixe subiu 11 por cento entre 2002 e 2007. Gasta-se mais nos produtos do mar mas come-se mais carne.


Hoje é, em muitas casas, dia de ter peixe à mesa. Como o é em muitos outros dias. Por razões religiosas, gastronómicas, tradicionais ou outras, Portugal continua a ser o país europeu que mais adesão demonstra aos produtos do mar e o terceiro a nível mundial. A sua frota pesqueira é a quarta maior da União Europeia (UE).


Mas é isto razão suficiente para considerar Portugal um predador dos oceanos? Há quem ache que sim, mas outros contrapõem com a ausência de modernização dos barcos nacionais, incapaz de causar a destruição que lhe imputam. Pelo menos, uma coisa pesa a seu favor: o que pesca é consumido por humanos, não por porcos ou aquecedores de casas.Muitos dos bancos pesqueiros do planeta estão esgotados ou sobreexplorados.


O alerta tem o aval de cientistas, Nações Unidas e ambientalistas, que prevêem que a situação tenha tudo para piorar devido às alterações climáticas e ao aumento do consumo mundial. Daí as atenções virarem-se para aqueles que devoram tudo o que o mar pode oferecer. Portugal ganha aqui uma posição de destaque, tanto como consumidor como pescador, como se viu em recentes declarações da Greenpeace (ver caixa).


Em que ficamos?


Sendo o peixe um alimento defendido por nutricionistas, o alerta causa espanto. Tirando algumas espécies contaminadas com metais pesados, como é o caso do peixe-de-espada-preto de algumas regiões dos oceanos que apresenta teores preocupantes de mercúrio, o peixe é visto como uma opção à carne muito mais saudável (ver texto nestas páginas).Resta saber se este apetite pela carne dos oceanos pesa muito no declínio deste manancial.


É um facto que, como grande consumidor de peixe per capita - os números variam entre os 50 e os 56 quilos por ano quando a média mundial não chega ao 20 quilos -, Portugal tem tudo para ser olhado com desconfiança. Mas ponham-se os números em perspectiva: são 10 milhões de consumidores num planeta com 6600 milhões.


Ou seja, em cerca de 95 milhões de toneladas de peixe pescados em todo o mundo, os portugueses comem 500 mil toneladas, portanto, pouco mais de 0,5 por cento do total. E estes números não traduzem toda a realidade porque entre o que é consumido pelos lusitanos, parte vem de aquacultura.Há ainda o esforço de pesca. Novamente os números: Portugal pescou, em 2007, nas suas águas, em Espanha e no Norte de África, 168 mil toneladas, o que não chega nem a 0,2 por cento do total que é retirado aos oceanos. O que faz com que a balança comercial da pesca no país seja muito negativa. E que indicia que a frota nacional não consegue apresentar grandes produtividades face à imensa Zona Económica Exclusiva em que actua.


Críticas criticadas"Ridículas".


É assim que reage Carlos Sousa Reis, biólogo da Faculdade de Ciências de Lisboa, às acusações da Greenpeace. "A larga maioria do que pescamos é para consumo humano, ao contrário do que se passa pelo mundo fora, em que uma larga percentagem vai para farinhas para porcos e perus ou serve para aquecer casas [através do óleo retirado de algumas espécies]", diz.Para este especialista, o problema da frota nacional põe-se precisamente ao contrário do que se pensaria. "Por imposição europeia, já abatemos demasiados navios e assistimos a outros, como os espanhóis, a pescar nas nossas águas ou em águas comuns não cumprindo as mesmas regras a que os nossos pescadores são obrigados", diz.


O facto é que, segundo os últimos dados do Eurostat (o gabinete de estatística da UE), a frota portuguesa é a segunda mais envelhecida do espaço comunitário, com embarcações de 45,7 anos de idade média contra um padrão europeu de 23,9 anos. Além disso, 91 por cento dos barcos têm menos de 12 metros e 60 por cento menos de seis metros. É também das menos potentes e com menor capacidade da União - só em relação à tonelagem, a média nacional é cerca de um terço da espanhola.Este cenário tem um custo: a produtividade das embarcações, o que noutra leitura pode ser visto como menos predadoras. Mas há ainda o arrastão, a arte de pesca considerada mais destrutiva. Do que foi pescado no continente em 2007, 11 por cento saiu do mar por esta via. Que tem de obedecer a regras mas que continua a ser vista como dramática em termos de recursos piscícolas.


O que se retém disto tudo é que a maioria do que Portugal consome vem de fora, congelado. Os preços do pescado têm aumentado - de 2002 a 2007 subiram 11 por cento -, o que faz com que, segundo um estudo recente, Portugal esteja a gastar mais com o peixe com a carne embora continue a consumir mais desta última: cerca de 100 quilos per capita por ano.Mas apesar do aumento dos preços, os pescadores continuam descapitalizados porque a diferença do valor entre a primeira venda e o consumidor é abissal, ganhando os intermediários nesta cadeia. Um problema que continuará por resolver enquanto não houver uma profunda remodelação das lotas, diz Carlos Reis, que defende que se caminhe para uma venda livre.


Como consumidores, os portugueses estão assim cada vez mais dependentes da importação, que nem sempre garante uma produção sustentável. Resta a aquacultura, que também tem impactos ambientais, e que dificilmente irá satisfazer o paladar nacional, habituada à riqueza e variedade do que o mar providencia. Perante estas incertezas, uma coisa parece certa: "Quem se aguentar na pesca, vai ganhar muito dinheiro dentro de algum tempo porque o que vier do mar - não de quintas de peixes - vai ser altamente valorizado", defende o biólogo.


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Consumo de peixe só tem benefícios


O consumo de peixe apenas apresenta benefícios, desde que a quantidade ingerida não seja excessiva, defende a presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, Alexandra Bento. As regras mandam que se faça uma refeição de carne e outra de peixe, por dia, e que a quantidade não exceda as 100 a 120 gramas diárias de cada um, precisa.


Do ponto de vista nutricional, o peixe é "um excelente fornecedor de proteínas, de qualidade semelhante à da carne, presente numa percentagem de 15 a 22 por cento". Com a vantagem de a maior parte dos peixes serem magros e as suas gorduras serem, na sua maioria, ácidos gordos insaturados. A riqueza do peixe em ácidos gordos ómega 3 confere-lhe mesmo efeito protector contra doenças cardiovasculares.


Em suma, a pequena quantidade de gordura, associada à sua boa qualidade e ao valor energético baixo "tornam estes alimentos muito vantajosos em relação a carnes", sublinha a nutricionista. Quanto à composição mineral e vitamínica, esta é semelhante à das carnes (o peixe é menos rico em ferro, mas mais rico em iodo).


Uma outra vantagem passa pela sua digestibilidade. Costuma até dizer-se que "o peixe não puxa carroça", lembra Alexandra Bento, destacando o facto de a digestão se fazer melhor do que a da carne, por causa da constituição muscular e da escassez de tecido conjuntivo. Quanto a eventuais malefícios, a nutricionista explica que estes existem sempre se as pessoas exagerarem na quantidade. E desdramatiza o tão badalado problema da contaminação do peixe por metais pesados. Alexandra Campos

Fonte da notícia: PÚBLICO.PT

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Jorge Goncalves

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