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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


A verdade e a mentira

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Um psicólogo americano defende que todos seríamos mais felizes se só disséssemos a verdade. Sobreviria o mundo sem a mentira?

Para ser absolutamente honesto, arrependi-me de ter proposto este artigo no momento em que me sentei ao computador para começar a escrevê-lo. Esta é a história de um movimento chamado Honestidade Radical. Segundo o seu fundador, o psicoterapeuta americano Brad Blanton, de 66 anos, "todos seríamos mais felizes se deixássemos de mentir". Como a personagem de Jim Carrey no filme "O Mentiroso Compulsivo" deveríamos contar sempre a verdade, não apenas durante um dia mas por toda a vida. Isso implicaria abandonar mesmo aquelas mentiras mais pequenas e insignificantes, incluindo as "piedosas", as meias verdades que adoptamos para não ferir os egos daqueles com quem nos relacionamos.

No mundo da Honestidade Radical, eu não poderia mais esboçar um sorriso amarelo e desviar o assunto sempre que uns pais babados me perguntassem se o filho acabado de nascer, ainda roxo e enrugado, não era a criança mais bonita que já vi. Segundo Blanton, mesmo essas verdades reprimidas devem ser expressadas. "Se o pensas, afirma-o." Só assim se poderá abrir o caminho à verdadeira comunicação.
Sociedade admite 'pequenas mentirinhas'

O psicólogo Rui Manuel Carreteiro admite que, do ponto de vista clínico, a teoria tem alguma razão de ser. "A saúde mental só pactua com a verdade. Muitas vezes, a mentira, o delírio ou a negação parecem o melhor caminho, mas os resultados nem sempre são positivos." Carreteiro sublinha, contudo, que a sociedade está instaurada de forma a admitir, e até encorajar, as "pequenas mentirinhas" e que, por isso, há limites e formas de expressar a nossa honestidade. "Muitas vezes, a mentira seria desnecessária se tivéssemos a coragem e o bom senso de expressar a verdade com as devidas maneiras. Entre 'Essa saia fica-te horrível' e 'Fica-te mesmo bem', há espaço para uma sinceridade que nos tornaria mais fiéis, amigos e verdadeiros."

Blanton, claro está, discorda. Se uma amiga mais rechonchuda pergunta como lhe assenta o novo vestido, devemos ser frios como o Dr. House: "Faz-te parecer mais gorda." Se temos fantasias sexuais com a cunhada, devemos não só dizê-lo a ela como confessá-lo à nossa companheira. Teorias como estas talvez expliquem o porquê de este profeta da verdade ir já no quinto casamento (com uma hospedeira sueca 26 anos mais nova que ele) e partilhar detalhes da sua vida sexual como quem fala do que comeu ao almoço: "Dormi com mais de 500 mulheres e meia dúzia de homens. Tive vários trios. Num deles, havia uma prostituta hermafrodita", admitiu à revista "Esquire". Afirmações como esta ajudarão certamente a vender muitos livros, mas imagino como seria o mundo se triunfasse a Honestidade Radical. Resistiriam os casamentos e as amizades? Sobreviveriam os nossos egos? Aumentaria o desemprego? Mudariam os políticos de profissão? "Um mundo onde só existisse honestidade seria um lugar pior e não melhor", conclui Núria Blanco, uma tradutora de 29 anos. "Podemos escolher não contar às pessoas coisas que só as vão magoar. Há coisas que elas não precisam que lhes digam."

David Smith, psicólogo e autor de "Por que Mentimos" (versão brasileira), concorda. "Se todos fossem completamente honestos, seria o fim da sociedade humana", afirmou ao "Expresso" (ver entrevista nestas páginas). Já o dizia o poeta e humanista alemão Sebastian Brant há mais de meio milénio: "O mundo deseja ser enganado." Se assim não fosse, viveríamos provavelmente em pequenas guerras civis circunscritas ao nosso círculo de relações. "A verdade", defendia o psicólogo austríaco Alfred Adler, "é, muitas vezes, uma terrível arma de agressão. Usando-a, é possível mentir e até matar".
Mentira é usada para sobreviver

A verdade nua e crua é que todos mentimos, "todos os dias, a todas as horas, na alegria e na tristeza", como escreveu Mark Twain num ensaio sobre a arte de mentir. A maioria de nós não somos mentirosos compulsivos e patológicos como a personagem de Jim Carrey, mas todos soltamos aqui e ali pequenas mentiras para não ferir os sentimentos de alguém ou para fugir a uma situação que não desejamos. Afinal, a mentira e a dissimulação são tão naturais como a própria vida. Não se camuflam várias plantas e animais para conseguir alimento ou enganar os predadores? "Tal engano não se trata de um simples jogo: os animais cujos disfarces não funcionam, não sobrevivem", garante o psiquiatra Rui Coelho. Pois também o Homem, qual camaleão, usa a mentira para sobreviver em sociedade.

Já com o artigo pronto, recebi a resposta de Brad Blanton a duas perguntas que lhe havia colocado. Quis saber se a Honestidade Radical não poderia conduzir facilmente à crueldade radical e a um mundo com pequenas guerras civis a cada esquina. A sua resposta: "Faça a merda do seu trabalho de casa. Fez-me as mesmas perguntas superficiais e ignorantes de sempre. A resposta à pergunta um é Não e a resposta à pergunta 2 é Não. Faça o seu trabalho de casa com seriedade ou beije-me o cu." Que tal isto para Honestidade Radical?

Somos maus a detectar mentiras

David Smith, psiquiatra, autor de "Por que Mentimos" (ed. brasileira)

Por que mentimos? Os mentirosos habilidosos são frequentemente mais bem sucedidos na vida do que aqueles que mentem menos ou com menos eficácia. Os que são capazes de mentir melhor são geralmente mais populares, têm os melhores empregos e mais sucesso com o sexo oposto. Isto acontece porque são capazes de manipular as percepções dos outros sobre si.

Há quem se queixe de que a honestidade não faz muitos amigos. Porquê? A vida social assenta em grande parte na mentira e no engano. Uma pessoa honesta é, assim, mais facilmente marginalizada. Se as pessoas fossem completamente honestas, a sociedade humana acabaria. Imagine como seria o mundo se todos disséssemos o que estamos a pensar.

Como podemos detectar que uma pessoa está a mentir? Em geral, somos muito maus a detectar mentiras. A melhor forma de fazê-lo é ignorar o que a pessoa está a dizer e focarmo-nos nos sinais não verbais: o seu movimento e o tom da voz. Somos, contudo, melhores a detectar mentiras inconscientemente, do que quando tentamos fazê-lo com consciência. Devemos, por isso, confiar na nossa intuição.




Fonte da notícia: Expresso

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sábado, 3 de maio de 2008

Fazer dinheiro, trabalhar em casa, ganhar muito dinheiro, emprego, ser rico, criar empresa, fazer dinheiro, computador


Comunicação Social ao serviço da verdade

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Li, recentemente, um comentário de dois autores, da chamada pós-modernidade, que defendia a seguinte tese: “É preciso substituir o princípio da verdade pelo princípio da justificação”. Por outras palavras, em vez de gastar tempo com a procura da verdade, deve-se gastá-lo só a procurar justificação para as atitudes pessoais, por mais arbitrárias que elas sejam.


O princípio da verdade é, assim, recusado por esta tese, a qual considera falsas as três premissas que, em seu entender a suportam e que são as seguintes: A primeira é o consenso fabricado pelos filósofos de que todo o ser humano deseja chegar ao conhecimento da verdade; A segunda é que a verdade corresponde à natureza das coisas e em particular à natureza do homem e da mulher; A terceira quer esta natureza das coisas se impõe ao sujeito e não depende dele.


Por isso e em vez da preocupação por descobrir e apresentar a verdade, a tese propõe-se seguir o princípio de que o que interessa é encontrar, em cada caso, uma justificação para as opções e para as atitudes que cada um decide tomar, certamente em função dos seus interesses e dos interesses do seu grupo, mesmo que seja em prejuízo dos outros e do bem comum.


A opção do Papa, na sua mensagem para este dia mundial dos meios de comunicação social, não é esta tese, mas a tese contrária, a saber, a opção pela verdade; verdade que se nos impõe e que nós não fabricamos; verdade que liberta, verdade que aponta caminhos de construção do bem pessoal integral de cada pessoa e de todas as pessoas; verdade que aponta sempre na direcção do Bem Comum, que é preciso construir, mesmo com sacrifício de alguns bens particulares.


Se a verdade não está sujeita aos jogos de interesses dos indivíduos e dos grupos; se a verdade não pode ser instrumentalizada por objectivos de puro marketing económico, político ou outros, então essa mesma verdade transforma-se em fonte de uma ética, a determinar regras que hão-de regular também os meios de comunicação social, enquanto instrumentos privilegiados para procurar e divulgar a mesma verdade.


É a essa responsabilidade dos meios de comunicação social que o Papa Bento XVI se quer referir quando fala de info-ética, por aproximação a outros âmbitos da ciência, onde se fala, por exem¬plo, de bioética.


E sentimos todos como é particularmente urgente procurar a verdade do homem e da mulher, a viverem em sociedade, num processo de construção de vida com qualidade e de bem estar para todos, sem excluir ninguém.


Impõe-se por isso cultivar uma ética dos meios de comunicação social, que coloque acima de tudo o respeito pela verdade e em particular a verdade do homem e da mulher, com seus direitos e deveres.


Essa ética dos meios de comunicação social, por um lado orientará sempre para a procura da verdade e para a sua apresentação rigorosa e, em consequência, opõe-se ao princípio da simples justificação de atitudes e interesses de pessoas e grupos. E desta forma recusa a chamada lei do mais forte, que instintivamente a todos nos repugna.


Entra aqui o alerta do Papa para a subserviência da comunicação social aos interesses dos grandes grupos económicos ou ideológicos.


Sendo assim, o critério base para regular o estatuto editorial de todos e cada um dos meios de comunicaç.ão social tem de ser o seguinte: promover e defender a dignidade e os direitos de todos e cada um dos seres humanos. A declaração universal dos direitos do Homem, de que estamos a comemorar este ano os 60 anos da sua aprovação na ONU, é carta de referência, onde é sempre perigoso admitir excepções. Para esse perigo alertou o Papa Bento XVI, em seu recente discurso pronunciado na Assembleia Geral das Nações Unidas.


Também desejo aproveitar esta jornada Mundial dos Meios de Comunicação Social para fazer sinceros votos, na sequência desta mensagem do Papa, no sentido de que a paixão pela verdade e a defesa dos direitos de todas e cada uma das pessoas seja o “leitmotiv” de todos os “media” e o seu ponto de honra nunca posto em causa por qualquer espécie de pressão ou interesse, seja de pessoas seja de grupos.

Fonte da notícia: Agência Ecclesia

Nota Pessoal:
A verdade é como uma bússola que nos orienta para o caminho certo. Sabe-se, porém, que hoje essa verdade está sendo em muitos meios da Comunicação Social substituída por outras componentes que, em vez de guiar e orientar, encaminha, extravia e conduz-nos para caminhos errados. Neste dia em que se celebra o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, O Bispo de Braga, D. Manuel Felício, chama-nos à atenção para esse facto.

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Jorge Goncalves

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