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domingo, 7 de fevereiro de 2010

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As mezinhas contra a gripe e resfriados

Old remedies for the common cold
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As mezinhas contra a gripe e resfriados são tão variadas como criativas. Mas algumas são apenas mitos prontos a ser desmistificados pela medicina

Da infusão feita com casca de cebola ao copinho de whisky são várias as mezinhas usadas contra a tosse, as dores de garganta ou a febre. Muitas vezes sem efeito. Já para não falar dos antibióticos, que se revelam inúteis nas doenças virais como é o caso da gripe.

«A gripe não é nem deve ser tratada com antibióticos», diz ao SOL Carlos Martins, médico de família. O especialista explica que o vírus influenza é o causador da doença, que importa distinguir do resfriado ou constipação. «A gripe é mais severa e os sintomas mais duradouros e intensos: febre, dores no corpo e tosse. No resfriado, os sintomas mais frequentes são congestionamento nasal e dor de cabeça».

Segundo a Direcção-Geral de Saúde (DGS), o tratamento mais indicado para a gripe é o paracetamol e, se necessário, um descongestionante nasal. Apesar disso os medicamentos que habitualmente são vendidos para estados gripais não são recomendados, como afirmou esta semana Mário Carreira da DGS. Mesmo com as notícias sobre a lotação das urgências, grande parte dos portugueses continua a recorrer ao folclore para tratar a gripe.

Carlos Martins salienta, no entanto, que as mezinhas «não beneficiam nem prejudicam o tratamento da doença e o seu resultado não é, no geral, significativo». No caso das bebidas quentes, por exemplo, «dão algum conforto e aliviam a garganta».

O médico reconhece que as 'curas caseiras', tal como o chá quente com mel ou os vapores de eucalipto, podem ter alguns efeitos: «A canja ou o chá são feitos e servidos pela mãe aos filhos ou pela mulher ao marido ou vice- -versa o que provoca um conforto psicológico». Lembra ainda que, apesar de quase todas serem inofensivas, algumas podem ser prejudiciais, como o copo de whisky ou o vinho morno, principalmente se dados às crianças.

Outro dos tratamentos sempre referidos é a vacina. Carlos Martins recomenda-a principalmente nas pessoas com mais de 65 anos, nos asmáticos ou diabéticos e nos cuidadores de doentes debilitados.

1. Copo de whisky

Uma das mezinhas mais conhecidas é beber vinho aquecido ou whisky com mel. Beber álcool, seja frio ou aquecido, faz mais mal do que bem à gripe. O corpo está mais fragilizado devido à doença, o que pode trazer complicações de saúde causadas pela ingestão de álcool, principalmente em pessoas que não estão habituadas a beber (como é o caso das crianças). Pensa-se que a razão por trás deste truque seja a maior facilidade em adormecer.

2. Descongestionante nasal

O nariz entupido e a dificuldade em respirar são das consequências mais comuns da gripe. Algumas gotas de soro fisiológico ou de um descongestionante no nariz podem aliviar a acumulação de secreções, que prejudicam a respiração. A inalação de vapores tem o mesmo efeito. Em relação às crianças, Carlos Martins, médico de família, aconselha a «elevar a cabeceira da cama ou a fazer um reforço de almofadas para que a cabeça fique mais alta e a drenagem das secreções seja mais fácil».

3. Banho

Um banho de água tépida ajuda a baixar a febre uma das formas mais rápidas de baixar a temperatura consiste em tomar banho de água morna. Este é um método caseiro com bons resultados (principalmente nas crianças) e é também uma das primeiras recomendações do médico de família, Carlos Martins. «Quando a criança está com febre, os pais devem despi-la e pô-la na banheira com água tépida», diz. A medida também pode resultar nos adultos.

4. Medicamentos

O paracetamol é um antipirético e analgésico que pode aliviar alguns sintomas. A gripe provoca febre, dores no corpo e sensação de cansaço. O paracetamol contém propriedades que ajudam a baixar a temperatura e a aliviar as dores. O médico de família aconselha dois comprimidos de 500 mg ou apenas um de 1000 mg de seis em seis ou de oito em oito horas, conforme os sintomas. Alerta ainda para uma correcta adaptação das dosagens no caso das crianças, que deve ser calculada pelo peso e não pela idade.

5. Vitamina C

O sumo de laranja pode ser importante mas apenas ao nível da prevenção uma alimentação equilibrada ajuda a manter o nível de defesas do corpo, o que prova ser eficaz na prevenção das doenças e para o bem-estar. «Mas não se pode afirmar que após a doença um copo de sumo ou um reforço vitamínico tenham um resultado muito significativo em termos da cura», esclarece o médico.

6. Leite quente e chá de cebola

Beber chá de cebola é uma mezinha muito recomendada, mas não passa de um mito. As bebidas quentes podem provocar conforto e alívio da garganta mas não têm qualquer propriedade curativa, nem sequer quando misturadas com cebola, como as avós recomendam aos netos. Carlos Martins desfaz o mito e diz que não há qualquer base científica nas infusões de cebola, admitindo, porém, que existem alimentos com capacidades anti-inflamatórias ou anti-virais, «mas que não produzem efeitos significativos».


Fonte: SOL

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

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Hipócrates e as plantas medicinais

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A procura por vegetais capazes de aliviar os sofrimentos dos doentes começou provavelmente com os homens primitivos, nos primeiros agrupamentos humanos. Era preciso, por exemplo aliviar a dor (com opiáceos da papoula), resolver problemas estomacais (com atropina), curar as vias urinárias (com chá de quebra-pedra), aumentar a eficiência do coração. A China, com civilização marcada por inúmeras inovações, é considerada o berço do herbalismo, a medicina terapêutica praticada com o uso de ervas. Através do método do acerto e erro, os médicos chineses chegaram a conclusões terapêuticas extraordinárias.

Um exemplo: por ser um país montanhoso, na China é comum o problema de carência crônica de iodo. A falta de iodo faz a tireóide crescer e se tornar visível no pescoço. A tireóide aumentada é chamada de bócio. Os chineses empregavam esponjas marítimas secas ao sol e reduzidas a pó como tratamento altamente eficaz conto o bócio, com amplo sucesso. Hoje sabemos que as algas e esponjas do mar têm iodo em alta concentração e, são particularmente eficientes para a cura do bócio.

A medicina herbal chegou ao ocidente desde a época de Hipocrates, que recomendava um pequeno grupo de ervas medicinais ao lado de dietas para cada caso. Mais tarde, em Roma, Galeno usava, como os chineses, misturas herbais de várias fontes vegetais. Já no fim do século XIX muitos produtos farmacêuticos tinham sua base em plantas medicinais como os opiáceos, a efedrina, a atropina, a quinina, os digitálicos, para o coração. Atualmente, uma grande maioria dos habitantes do planeta não pode comprar remédio de farmácia e recorre às ervas medicinais. Demonstrando a crescente procura pela medicina natural, o número de artigos científicos publicados sobre as ervas pulou de 2.500 em 2000 para 14.000 em 2007.

As ervas de uso mais comum

O aparelho digestivo sempre foi o "campeão" do uso de medicina herbal. A prisão de ventre é tratada com várias ervas como o Sene e as fibras como o Psillium. Contra dor de barriga é possível usar o extrato de Atropa Belladona (atropina). Contra dor de estômago é usado o chá de carquejo, e por aí vai.

Extrato de alcachofra e boldo

Algumas substâncias podem oferecer estímulo para elevar o fluxo da bile pelos canais hepáticos, que formam uma malha de dutos que culminam na vesícula biliar. Esta, por sua vez, contrai-se à passagem do alimento pelo tubo digestivo (principalmente gordura, como azeite, gema de ovo, gordura animal), "jogando" a bile no tubo digestivo. A ação de alcachofra e boldo pode ser de duas formas: os coleréticos são agentes que promovem a secreção da bile pelas células hepáticas, e os colagogos são as plantas medicinais ou remédios preparados para estimular o fluxo da bile que já estava formada e a caminho do tubo digestivo. A maioria dos fitoterápicos são coleréticos e colagogos ao mesmo tempo, ou seja, estimulam a formação de bile e induzem a secreção biliar no tubo digestivo.

A alcachofra é um dos vegetais cultivados pelo homem desde épocas remotas. O extrato de alcachofra vem das folhas secas contendo flavonóides (antioxidantes). Estudos clínicos demonstraram que o extrato da alcachofra leva a nítido aumento da secreção de bile no duodeno (efeito colagogo), mas também nota-se aumento da bile formada no fígado (efeito colerético). Não deve ser empregado quando o paciente tem pedras na vesícula. O boldo é uma árvore pequena originária do Chile. O extrato das folhas produz a Boldina (secalóides e flavonóides). A boldina induz maior formação de bile (efeito colerético). Em animais de laboratório a boldina inibe o depósito de gordura no fígado, fenômeno usualmente observado em obesos. Associado à alcachofra, é considerado um excelente agente no tratamento de alterações funcionais do fígado (como a esteatose hepática, gordura no fígado).

Ginseng contra stress e fadiga

O uso de Ginseng é extremamente comum na China e na Coreia, bem como em outras regiões da Ásia. Atribui-se ao Ginseng as qualidades de aumentar a energia física e mental, aliviar o stress, melhorar a concentração e o poder cognitivo (para aprender novos fatos e dados). Entre os orientais o Ginseng é conhecido com um agente tônico, que restabelece o equilíbrio hormonal, aumenta a resistência orgânica e evita doenças. Tantas qualidades são devidas a produtos químicos chamados de ginsenosídeos, que interferem com o metabolismo celular.

Vários trabalhos em voluntários humanos demonstraram ações positivas do Ginseng ,com nítida elevação do consumo de oxigênio, melhor performance cardíaca, com incremento da capacidade de concentração e memória. Tais efeitos levam o idoso a ter melhor qualidade de vida, além de estimular o sistema imunitário (defesa contra bactérias, vírus, fungos). Outros estudos mostraram ação positiva no controle do diabetes tipo 2. Os efeitos colaterais são mínimos e irrelevantes nas doses usuais. O Ginseng é preparado a partir de suas raízes, trituradas e secas. Pode-se usar o pó das raízes ou o extrato do ginsenosideo a 4% (geralmente 100 mg duas vezes ao dia).

Ginkgo Biloba, o mais antigo

Essa árvore sobreviveu à Era Glacial somente na Ásia, tendo sido importada pelos europeus no século XVIII, como uma árvore ornamental. O extrato medicamentoso é preparado a partir das folhas secas e trituradas. Tornou-se, inicialmente, muito popular na Alemanha, quando um grupo de cientistas germânicos descobriu que o extrato de Ginkgo Biloba era extremamente ativo no aumento da circulação cerebral, aumentando o fluxo de oxigênio aos neurônios e, conseqüentemente, melhora de memória e da capacidade cognitiva. Observaram também melhoras nas alterações vasculares periféricas (varizes, má circulação). Entre os bons resultados obtidos são referidos a cura das vertigens, tonturas, tensão pré-menstrual e alergias.

O efeito farmacológico é devido a cerca de 40 componentes identificados sendo o mais importante os grupos de flavonóides e terpenóides. Em animais experimentais o Ginkgo Biloba induz nítida vasodilatação cerebral além de efeito antioxidante. Vários estudos clínicos mostram a eficácia do Ginkgo Biloba em situações de alterações da circulação cerebral (após um acidente vascular cerebral). Melhora da memória é um dos aspectos mais estudados deste medicamento herbal. O Ginkgo Biloba é particularmente indicado na população geriátrica com declínio de memória e do poder cognitivo. A dose usual é de 120 a 240 mg por dia, em dois doses diárias. O produto farmacêutico à venda geralmente é o extrato de folhas que contém cerca de 27% dos flavonoides. Efeitos colaterais são mínimos.

O uso do maracujá e sua flor

A flor do maracujá é muito rica em passiflorina, usada há muitos anos como agente sedativo, indutor do sono e com ampla atividade no alívio de ansiedade. Na Europa várias farmácias herbais fornecem a passiflorina junto com outros agentes herbais, como um tônico capaz de aliviar as situações de tensão, angústia, ansiedade e insônia. O extrato das flores contém um flavonóide chamado vitexina, que, injetado em ratos, leva ao sono profundo. Em seres humanos os estudos foram conduzidos com a combinação de passifora e valeriana, com excelentes resultados no alívio de situações angustiantes, de nervosismo intenso e de insônia persistente. Doses muito elevadas podem provocar períodos de inconsciência prolongados, mas isso ocorre muito raramente. De uma forma geral a Passiflorina é amplamente utilizada com ansiolítico brando, bem tolerado, sem problemas de dependência física ou psíquica, e muito útil em situações de elevado estresse, ansiedade e emotividades exageradas.


Fonte: Veja.com

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Jorge Goncalves

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