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domingo, 11 de novembro de 2007

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Hugo Chávez diz "OLÉ" ao Rei de Espanha

Hugo Chávez voltou a reagir às palavras que o rei Juan Carlos lhe dirigiu na Cimeira Ibero-Americana - «Por que não te calas?» -, durante uma conversa com jornalistas transmitida pela televisão estatal venezuelana. «Tiveram de agarrar o rei, que ficou muito bravo, como um touro... eu não sou muito toureiro, mas olé!»


O presidente venezuelano disse ainda, numa clara crítica a Zapatero e à política espanhola, que deu conta que «é o rei que dirige a política externa de Espanha e não o presidente do Governo.
Chávez recordou ainda o golpe de estado em Abril de 2002, que o derrubou do poder durante vários dias. Durante a Cimeira, no Chile, disse que o presidente do governo espanhol na altura, José María Aznar, tinha preparado o golpe, e agora dirigiu-se directamente ao monarca: «Sabia do golpe de Estado contra o governo da Venezuela? Em 2002 o rei era o mesmo, mas o presidente do governo não».
Depois do incidente no Chile, Zapatero disse a Chávez que esperava que fosse «a última vez» que um governante actuava assim, tendo classificado a atitude do presidente venezuelano como «inapropriado e inaceitável».
No entanto, Chávez já respondeu duas vezes depois disso. A primeira vez, logo a seguir à Cimeira, quando assegurou que o Rei de Espanha «pode ser Rei, mas não me pode mandar calar». O Rei, acrescentou, «é tão chefe de estado como eu, com a diferença de que eu fui eleito. Fui eleitos três vezes, com 63% dos votos».
Também em Espanha as reacções surgem de vários quadrantes. Aznar, a quem Chávez chamou por duas vezes «fascista», o que motivou a indignação do rei espanhol, telefou a Zapatero e a Juan Carlos para agradecer terem defendido o seu nome. Mas do Partido Popular só chegaram críticas.
Primeiro pela voz do secretário de Comunicação, Gabriel Elgorriaga, que afirmou que o incidente foi consequência da «negligência e falta de capacidade de acção de Zapatero».
Seguiu-se depois a reacção do presidente do PP, Mariano Rajoy, que considera que tudo o que aconteceu é fruto das «amizades perigosas que o governo de José Luis Zapatero cultivou». Pede-lhe, por isso, que procure os seus aliados entre os governantes «ocidentais, liberais e democráticos».

Fonte da notícia: Portugal Diário

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Rei de Espanha irritado com Hugo Chávez

"Por que não te calas?!" A irritação do rei espanhol Juan Carlos para com Hugo Chávez fez estalar o verniz no último dia da XVII Cimeira Ibero-Americana, que durante dois dias reuniu 22 chefes de Estado e de Governo em Santiago do Chile.

O presidente venezuelano interrompia sucessivamente José Luis Zapatero, que saía, uma vez mais - já o tinha feito de manhã em conferência de Imprensa -, em defesa do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, a quem Chávez havia chamado novamente de "fascista". O rei acabaria por abandonar a sala a meio da intervenção posterior do presidente da Nicarágua, que insistia no direito de Chávez a defender-se."Pode estar-se nos antípodas de uma posição ideológica e não serei eu quem está perto das ideias de Aznar, mas ele foi eleito pelos espanhóis e eu exijo esse respeito", dizia Zapatero, enquanto Chávez tentava interrompê-lo (o microfone foi desligado), reclamando o direito à liberdade de expressão.O primeiro-ministro espanhol foi mais longe e exigiu à presidente chilena Michelle Bachelet "um código de conduta num fórum que é representativo dos cidadãos".Daniel Ortega saiu depois em defesa de Chávez.

"Aqui, parece que as intervenções são interrompidas quando não coincidem com a generalidade das opiniões". E, em nome da "liberdade de expressão", deu um minuto do seu tempo ao presidente venezuelano. Que limitou-se a citar José Gervasio Artigas, tido como o "pai" do Uruguai "Com a verdade não ofendo nem temo".Ortega demorou-se a seguir em mais de 20 minutos de acusações à "ditadura global", apoiando o direito de Chávez a defender-se dos ataques de um cidadão espanhol, que não é um cidadão qualquer. Aznar integra o chamado Clube de Madrid, fórum conotado com a direita que tem feito sucessivas críticas às políticas venezuelanas. Ortega fez, ainda, um duro e violento ataque ao que tem sido a conivência dos governos espanhóis com a "ditadura capitalista, globalizada e imperialista" dos Estados Unidos. Mas a crítica às empresas espanholas ecoaram também pela voz do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, todos contra o responsável pelo patronato espanhol, que expressou, esta semana, a sua preocupação com a falta de segurança jurídica que existe na Venezuela, Bolívia e Equador.América Latina divididaO que esta sucessão de episódios demonstra é o espartilho em que está mergulhada a América Latina e as profundas divergências políticas dos diversos dirigentes, tão profundas quanto as desigualdades sociais entre e dentro dos próprios países.Carlos Lage, vice-presidente cubano, viria a pôr o acento nas feridas que persistem. Referindo-se ao episódio de Aznar, começou por sublinhar que "ser eleito democraticamente não é suficiente para legitimar um presidente", para de seguida desvalorizar o tom aceso da sessão. "Esta não é uma discussão artificial.

É uma expressão das contradições e do momento que vive a América Latina, com um passado de anos e anos de dominação cultural e económica. Uma região com milhões de pobres e em que há uma contradição entre a necessidade de crescer e a hegemonia de algumas potências".A Declaração de Santiago, que resulta da cimeira que ontem terminou, tenta, de alguma forma, responder ao desafio da coesão social, tema-chapéu dos trabalhos. Além do convénio para a Segurança Social, que permite aos emigrantes reformas por inteiro independentemente de regressarem ou não ao país de origem, os chefes de Estado e de Governo comprometem-se a acções conjuntas nas áreas da saúde, trabalho, educação e investimentos na educação, sociedade de informação, cultura, ambiente, segurança social, habitação, saneamento, turismo, defesa e cooperação.


Fonte da notícia: Jornal de Notícias

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Jorge Goncalves

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