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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

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Vem aí o Natal

Christmas is coming
Para ver a animação clique neste cartoon gif e aguarde uns segundos.

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Grande Entrevista: Padre José Maia


- O que acha da frase feita, tantas vezes repetida nesta altura,"O Natal é todos os dias"? Este lema ainda faz sentido


Padre Maia - Acho que é uma frase simbólica, daquelas que contém uma filosofia de vida. A grande mensagem do Natal prende-se com o valor do homem. O nascimento daquela criança, naquele contexto histórico e religioso, confirmou-nos que o homem é o caminho para Deus. O homem tem dimensão humana e dimensão divina, ao nível do pensamento, e, através do Natal, Deus colocou o zoom na dimensão divina do homem.


- O que é para si o Natal?


- O Natal é a festa do Homem na forma de uma criança.


. É uma definição muito concisa...


- Mas posso explicar. O Natal festeja a concretização de uma profecia. No Antigo Testamento, está escrito em várias passagens que na cidade de Belém havia de nascer o Messias, o que, há pouco mais de dois mil anos, se verificou. Como se tratou do facto de Deus se ter feito homem, para dizer ao mundo que ninguém chega à salvação passando ao lado do homem, eu digo que é a festa do homem na forma de uma criança.


- O Natal é uma festa cristã, é certo, mas é festejado por todo o mundo. Pode dizer-se que é uma festa de toda a humanidade...


- Nós, como humanos, temos natural dificuldade em interpretar o divino. O que acontece é que, ao longo dos séculos, as várias civilizações vão incorporando as tradições. Por isso o Natal é uma festa de todo o mundo. No entanto, não deve esquecer-se que os católicos representam 20 por cento da população mundial e as outras confissões de raiz cristã outros 20 por cento. Ora, quase metade da humanidade celebra religiosamente o Natal. De resto, o facto de o Natal ser simbolizado pelo nascimento de uma criança, atrai natural simpatia, mesmo dos que não têm qualquer crença cristã.


- As organizações e pessoas que defendem a laicidade têm pedido com insistência a retirada dos locais públicos dos símbolos religiosos, como os crucifixos e as imagens de Nossa Senhora. Não teme que peçam também o fim das festas de Natal?


- É mais fácil acabar a laicidade do que acabar o Natal. É que o Natal, enquanto mensagem, ai de nós se acabasse. Agora a laicidade, incha, desincha e passa. Aliás, a laicidade, bem entendida, estamos todos de acordo. Quer dizer que deve haver uma verdadeira separação entre a Igreja e o Estado. Totalmente de acordo. Outra coisa é o laicismo, que é uma expressão do ateísmo. Aqui, entra a questão da liberdade religiosa: quem quiser acredita e quem não quiser não acredita.


- O Natal acabou, ao longo dos tempos, por tornar-se uma época de grande consumo...


- Sim, mas eu acho que isso tem a ver com o facto de o povo ter feito do Natal uma festa da família. No Natal, as pessoas reúnem à volta da mesa e oferecem presentes, sobretudo às crianças. Isso faz, naturalmente, aumentar o consumo, mas, como no resto do ano, há quem consuma mais e quem consuma menos.


- Como analisa a forma como que hoje se celebra o Natal?


- O Natal está associado ao encontro da família. É claro que há gente que fica excluída, mas Cristo, até quando nasceu, foi um excluído, foi um sem-abrigo. Eu até costumo dizer que Jesus foi um sem abrigo, emigrante sem papéis e filho de mãe solteira. A forma como o Natal aconteceu foi um murro no estômago da humanidade. É claro que a grande opulência atenta contra o espírito de Natal, de um Deus que se fez homem de uma forma pobre e, de alguma maneira, clandestina. Tudo isto para dizer que não podemos celebrar verdadeiramente o Natal se virarmos a cara aos excluídos, aos emigrantes em dificuldade, aos pobres que pedem. A desumanidade é a antítese do Natal.


SOLIDÃO E EXCLUSÃO SOCIAL


- Considera que vivemos num tempo de grande exclusão social?


- Em todos os tempos houve exclusão e excluídos. O que acontece é que os meios urbanos têm crescido imenso e assistimos, portanto, a diferentes fenómenos de exclusão. Hoje, nas nossas cidades, os maiores problemas sociais são a solidão e a indiferença. Num festival de hip-hop que promovi, achei curioso o facto de a maior parte das letras se referirem à indiferença e à ganância. Ora, a indiferença é uma atitude atentatória à dignidade do outro.


- O projecto que está a implementar no Porto, que assenta em comunidades de vizinhança, tende a combater esses fenómenos de solidão e indiferença?


- O Cristianismo assenta no humanismo e, nesse sentido, a Igreja tem uma grande responsabilidade em promover todos os projectos que visem o humanismo. A vizinhança, em meu entender, é um conceito verdadeiramente humanista.


O PAPEL DO ESTADO


- No Natal, mais do que nunca, fala-se em solidariedade. Como homem ligado desde há muitos anos às questões sociais, como tem acompanhado o apoio do Estado aos mais desfavorecidos? Acha que esse apoio tem sido concretizado da forma mais correcta?


- O Estado português é um Estado sem coração que, muitas vezes, evoca o social em vão. A maneira como certas políticas de apoio social são concretizadas presta-se ao desenvolvimento da subsídio-dependência.


- Está a falar do rendimento social de inserção?


- Não. Essa filosofia de apoio tem um contexto e é um contexto aceitável. Nós não podemos admitir que cidadãos como nós não tenham acesso a mínimos de dignidade humana. Se não tivermos a nossa consciência avariada, não podemos consentir que isso aconteça. Ora, o Estado, como regulador da sociedade, tem de encontrar formas de garantir o mínimo a todos os cidadãos. É nesse contexto que surge o popularmente designado rendimento mínimo. O problema é que, ao nível da aplicação dessa medida, a metodologia adoptada tem muitas vulnerabilidades. É preciso que as pessoas entendam o rendimento social de inserção como algo de transitório e que o esquema de atribuição do apoio tenha isso em conta.


- É necessário encontrar outra forma de apoio social?


- Um dos mais graves problemas sociais que temos, em Portugal, é a falta de habitação. Ninguém entende como é que, desde há muito tempo, o Estado, autarquias incluídas, não promoveu a reabilitação de prédios abandonados, transformando-os em equipamentos sociais comunitários. No seu ordenamento do território, Portugal omitiu-se completamente da busca de respostas adequadas, sobretudo para pessoas idosas, que não têm para onde ir. O Governo e as autarquias, sobretudo as responsáveis pelas grandes cidades, não têm levado a sério, na sua política de ordenamento do território, a criação de uma rede de equipamentos comunitários, de apoio aos desfavorecidos. Isto para além das IPSS, que têm, na sua maioria, ligação à Igreja.


- Mas o apoio aos desfavorecidos deve ir mais além da questão da habitação?


- O que acontece é que nada tem sido feito em relação a uma clausula da Lei de Bases da Segurança Social, que é o subsistema de protecção familiar. O apoio tem sido muito direccionado para o indivíduo, quando, em meu entender, devia ser direccionado para a família. Um Estado que gasta o que gasta em tanta coisa menos útil e que depois não cria condições para que famílias inteiras não tenham o mínimo de dignidade, não é um Estado de bem. E aqui, entramos noutra questão: se a política deve ser dar um apoio ao deficiente, um apoio ao toxicodependente, um apoio ao desempregado ou um apoio à família. É que, no apoio individual, cada um pega no seu apoio e segue o seu caminho. Só que, quando tem problemas, regressa a casa e a família não tem almofada social para o receber. Portanto, eu penso que a orientação das políticas sociais devia estar mais centrada na família.


O PAPEL DAS FAMÍLIAS


- A Igreja queixa-se de que as políticas, e não apenas as políticas sociais, não têm sido promotoras e defensoras da família...


- Bom, questões religiosas à parte, uma criança que nasce ainda é filha de um homem e de uma mulher. Pelo menos por enquanto. Ora, isto é uma família e é a para esta estrutura que o apoio deve ser direccionado. E, repare bem, há muitas famílias com grandes dificuldades. Por exemplo: famílias com crianças portadoras de deficiência. Nós não imaginamos o que passa uma família que tem uma criança deficiente profunda, a prisão por que passa, dia e noite, anos e anos. Para além de que, há imensos casos, nas cidades, de crianças deficientes motores, a viverem em prédios sem elevador, com os responsáveis, com consciência abaixo de cão, e que não dão uma resposta na hora, permitindo que os pais sejam obrigados a carregar com o filho ou filho às costas pelas escadas de vários andares. A falta de políticas de apoio à família é um grave problema social e humano.


- Dá-se às vezes o caso de haver falta de solidariedade dentro das próprias famílias...


- Pois dá e mais vezes do que o que se pensa. Há, por exemplo, pais em grandes dificuldades e filhos com riquíssimos salários, que acham que a ajuda aos pais compete ao Estado. Isso, em meu entender, é iníquo.


A CRISE E AS QUESTÕES SOCIAIS


- O que gostava que mudasse este Natal?


- Gostava que este ano houvesse o milagre da acabar com a exclusão social. 2010 é o ano contra a exclusão social e, no nosso País, coincide com o centenário da República. Ora, eu espero que a apregoada ética republicana se reflicta num verdadeiro combate à exclusão social.


- Teme que se concretize, no próximo ano, um real aumento do desemprego?


- O desemprego vai aumentar em Portugal. É inevitável. Pelo menos o emprego como nós ainda o entendemos. É necessário procurar caminhos alternativos e repensar toda a filosofia de trabalho.


- Acha que, no próximo ano, vão aumentar os impostos?


- Não sei. Os economistas dizem que sim, o Governo diz que não, não sei. O que posso dizer é que concordei com o chumbo do código contributivo. Em Portugal há cerca de 900 mil pessoas que se acham no direito de ganhar a vida de forma independente. Porque carga de água é que hão-de ser penalizadas? Não entendo. O sistema cooperativo é, em meu entender, uma boa forma de organização do trabalho, em que não há quem ganhe mais ou quem ganhe menos do que o devido. Ninguém explora ninguém. O trabalho, em Portugal está organizado de uma forma racista: há a função pública com empregos para a vida e a actividade privada em que as pessoas estão sempre no arame.


- Voltemos ao Natal. O Nascimento de Cristo é um dos maiores acontecimentos bíblicos. Nos seus mais de 40 anos de padre alguma vez sentiu que a Bíblia é um manual de maus costumes?

- O José Saramago leu com olhos de literato aquilo que deve ser lido com olhos teológicos. Já se sabe que uma leitura linear dá para tudo. Não é para levar a sério.A Igreja e, mais do que a Igreja, o Cristianismo, tem por base o humanismo. E a Igreja já deu provas sobejas de que o errar é humano e o perdoar é divino.

- Onde vai passar o Natal?

- Em Mirandela. Somos três irmãos solteiros e, desde que os pais morreram, juntamo-nos lá.

PERFIL

José Martins Maia nasceu a 6 de Março de 1942, em Ribeirão, concelho de Vila Nova de Famalicão. Ingressou com dez anos nos missionários Claretianos e ordenou-se a 6 de Abril de 1969. Tirou licenciatura em Teologia em Roma, no início dos anos 70. A 4 de Março de 1979 fundou a paróquia da Areosa, no Porto, onde é ainda vigário paroquial.

De 1989 a 1993 foi presidente da União das Instituições Particulares de Solidariedade Social (actual CNIS, confederação nacional das instituições de solidariedade). Já foi provincial dos Claretianos em Portugal.

Hoje, é presidente da direcção do Colégio dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia, presidente da Fundação Filos, no Porto, e presidente do Conselho de Administração da Fundação Evangelização e Culturas. Tem um programa na Rádio Festival e é colunista do Correio da Manhã.




Fonte: Correio da Manhã

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